quarta-feira, 30 de novembro de 2011

MENSAGEM MARIANA E SUA ATUALIDADE

Escrevinhação n. 922, redigido em 29 de novembro de 2011, dia de São Saturnino de Toulouse.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Há momentos em que a realidade devela-se diante de nossa vista de modo tal que nos sentimos arrebatados. Na semana que passou tive uma dessas experiências quando, próximo do término Santa Missa celebrada no Santuário do Passo da Reserva (em Reserva do Iguaçu), foi dramatizada a Aparição de Nossa Senhora em Fátima ao som da Ave Maria de Schubert. Encenação essa organizada pelas catequistas da paróquia Nossa Senhora de Belém.

Não apenas a beleza era singular, como a inocência apresentada pelas crianças e adolescentes que participaram deste singelo tributo à nossa Mãe Espiritual. Senti-me participe daqueles acontecimentos. Silenciei-me interiormente. Fiquei, por certo momento, taciturno, diante da solidão da mensagem de Fátima que, infelizmente, não encontra nos corações humanos a necessária ressonância.

De mais a mais, pergunto: o que a Virgem Santíssima pede a todos nós em sua aparição ocorrida em 1917 nas lusitanas terras? Em que medida, nós, ditos fiéis Católicos temos acatado as advertências e orientações que foram proferidas pelo Trono da Santíssima Trindade? Aliás, o que, de fato, ocorreu em Fátima e qual a importância, específica, desses acontecimentos para história do século XX e, de modo geral, frente à história de todos os séculos? Três perguntas que não deveriam, de modo algum, ser desprezadas. Mas, infelizmente...

Doravante, não temos, e nem devemos, ousar responder essas três indagações de modo raso, de maneira resumida. Isso seria um insulto a inteligência humana e uma ofensa descomunal para com a Senhora de bendito ventre. Entretanto, não podemos deixar de lembrarmo-nos do que há de central na mensagem Mariana de 1917 apresentada ao mundo em língua portuguesa. Nesta, Nossa Senhora pede para nos convertermos, rezarmos e nos penitenciarmos, principalmente, pelos infiéis (de toda ordem), porque eles não compreendem a gravidade de seus atos.

Bem, e o que fazemos? Estamos procurando elevar nossa vida moldando-a de acordo com as luzes do Evangelho ou, presunçosamente, fiamo-nos no intendo de reduzir a Boa Nova à pequenez de nossa existência miúda? Fazemos da oração o coração pulsante de nossa vida ou, apenas, repetimos as sentenças de nossas preces mecanicamente como elas fossem uma reles obrigação social? Penitenciamo-nos diante do Altíssimo ou somos daqueles que creem ser tão justos que tais práticas não seriam condizentes com sua “pia” condição?

Lamentavelmente, não nos envergonhamos da maneira negligente que vivemos nossa fé, porém, se não temos vergonha de nossa mesquinhes, a mensagem em questão dificilmente encontrará um solo fértil em nosso conturbado coração.

Pax et bonum
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

[pdf] IN MEMÓRIA: ISABEL, A REDENTORA

IN MEMÓRIA: ISABEL, A REDENTORA

IN MEMÓRIA: ISABEL, A REDENTORA

Escrevinhação n. 921, redigido em 22 de novembro de 2011, dia de Santa Cecília e do Bem-aventurado Tiago Reggio.

Por Dartagnan da Silva Zanela

No ano da Graça de 1888 fora assinada a áurea lei que dava um golpe capital ao regime escravocrata que maculava a marejada face desta mãe gentil. O jornalista abolicionista José do Patrocínio, nesta abençoada data, adentrou o recinto imperial e atirou-se junto a seus pés da senhora das mãos justas que empunharam a bendita lei e, tomado por prantos de júbilo, disse que a História sempre haveria de fazer jus à Princesa Redentora.

Todavia, Dona Isabel não apenas assinou a lei de 13 de maio. No correr de sua vida, desde a sua mocidade, fiou-se na luta abolicionista. Inúmeras vezes ela abrigou, escondeu, escravos fugitivos em sua residência, financiou a alforria de inúmeros escravos com seus próprios recursos e apoiava abertamente o Quilombo do Leblon. Cade destacar o fato de ela participar ativamente dos trabalhos do movimento abolicionista, inclusive na arrecadação de fundos que eram utilizados para comprar a liberdade de cativos.

A princesa das camélias era uma Cristã Católica devotíssima de Nossa Senhora Aparecida, tendo visitado inúmeras vezes o santuário mariado da Virgem Negra. Inclusive, presenteou a Coroa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (uma promessa) que, em 08 de setembro de 1904, foi utilizada na coroação da Rainha do Brasil.

Em sua capela particular (como em toda residência), as camélias brancas, símbolo do abolicionismo, se faziam presentes como um sinal claro de seu engajamento. De maneira especial em sua capela onde, em suas orações, pedia por aqueles que ela lutava.

Joaquim Nabuco, outro grande abolicionista, declarou que o preço da abolição da escravidão seria o trono daquela que teria sido conhecida como Dona Isabel I, imperatriz do Brasil. Ele estava certo mais uma vez.

Infelizmente, a Redentora não teve tempo de realizar outro sonho seu (de Joaquim Nabuco e doutras aquilatadas almas), que era a indenização dos escravos via reforma agrária. Ainda, é importante lembrar, que a princesa Isabel, por sua abnegada dedicação a causa da liberdade, foi condecorada com a Rosa de Ouro pelo Papa Leão XIII.

Por fim, lamento meu caro José do Patrocínio, mas, a sociedade brasileira hodierna não mais honra devidamente a memória desta grande Estadista, desta singular Cristã. Prefere-se, em seu lugar, a memória de um homem autocrático, que tinha muitos escravos, caçava outros tantos nas fazendas próximas de seu reino (Palmares) e que tratava com grande crueldade os mesmos. Quanto à ideia de abolição, essa via-se ausente de seu horizonte de consciência.

Essa vil troca, de Isabel por Zumbi, mostra-nos em que estado encontra-se a nossa consciência da dignidade humana nesta terra de desterrados.

Pax et bonum
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

[pdf] A REPÚBLICA DE NINGUÉM

A REPÚBLICA DE NINGUÉM

A REPÚBLICA DE NINGUÉM

Escrevinhação n. 919, redigido em 15 de novembro de 2011, dia de Santo Alberto Magno e de São Leopoldo III.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Refletir sobre a experiência republicana brasileira é uma tarefa inglória, porém, como todas as tarefas desta monta, faz-se necessário que a abracemos como um fardo pessoal. Sim, todos conhecem claramente a imagem turbulenta que assombra nossa nau capitânia, essa mátria republicana, tratada como meretriz, chamada Brasil, mas, o que fazemos por nossa mãe gentil? O que fazemos para lavar a honra desta que nos pariu e que, dia após dia, vê-se enxovalhada por biltres de toda ordem de desqualificação, o que? Nada?

Nada já seria alguma coisa. Fazemos pior! Ficamos nos lamentando pelos cantos feito ratos em um paiol velho, choramingando como criancinhas mimadas pelos regalos da vida moderna, por sentirmo-nos vilipendiados em nossos sacrossantos direitos de cidadãozinho pagador de impostos que alimentam o erário que é utilizado para fins, no mínimo, duvidosos.

Perdoem-me a indelicadeza, mas, um cidadão de fato não porta-se assim. Aliás, nem mesmo um súdito, vassalo de um rei. Apenas os fracos e pusilânimes portam-se deste modo. Também, está muito distante da imagem de uma civitas essas figuras que creem que um chulo protesto forma a fibra basilar de um sujeito politizado e atuante.

Aliás, esses tipinhos recorrem prontamente ao jus esperniandi, porém, em regra, quem recorre ao seu sacro direito de espernear, não está clamando pelo bem público, mas sim, para defender um interesse pessoal, grupal, que em nada beneficia a tal da coletividade anônima ofendida. Ou seja, é muito mais uma manifestação egolátrica disfarçada de cidadanite do que outra coisa. Um comportamento típico da multitude ignara que se fantasia de gente com um diplominha na parede.

Ser cidadão é chamar para si a responsabilidade pela vida. Por nossa vida e pela da comunidade. Agir de modo cívico é amar a cidade, porém, não nos esqueçamos que o amor se demonstra não apenas com palavras toscas e vazias, mas sim, com atitudes, com gestos que demonstrem vivamente esse sentimento.

Infelizmente, nosso amor pela república não ultrapassa as fronteiras de nosso quintal. Esperamos, bravinhos, que o poder público se responsabilize por tudo mesmo sabendo das inúmeras limitações deste. Amamos tanto nossa república que nos esquivamos dela, ficando entocados em nossa alcova, lamentando os rombos em nosso bolso contribuinte, vertendo lágrimas (depre)cívicas sem nunca termos agido de maneira abnegada em favor do próximo ou mesmo em prol do bairro.

Pois é, um súdito serve à coroa, um cidadão ama sua pátria e o brasileiro, por sua deixa, acima de tudo idolatra seu umbigo e não serve à nada que vá para além disso.

Dito isso, viva a República! República de todos, de ninguém, de qualquer um.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

[pdf] A GAMELA ESTÁ FURADA

A GAMELA ESTÁ FURADA

A GAMELA ESTÁ FURADA

Escrevinhação n. 917, redigido em 25 de outubro de 2011, dia de São Félix e São Proclo.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Ensina-nos o escritor Nícolás Gómez Dávila que “os reformadores da sociedade atual se empenham em decorar os camarotes de um barco que está naufragando”. Quando li esta frase da lavra deste aquilatado escritor colombiano, a primeira imagem que veio à minha mente foi a do espírito reformista forever que toma conta de nosso sistema educacional.

Bem, em se falando disso, reflitamos sobre a própria ideia, mal colocada, das infindáveis reformas que há décadas vem sendo implantadas e abusadas, desta sanha por destruir os alicerces de toda a sociedade justificada no intento de melhorá-la.

Quanto, por exemplo, reforma-se uma casa, procura-se apenas reparar os danos que se fazem presentes nela e/ou ampliar-se aqui ou acolá. Todavia, quando se procura trocar os alicerces dessa, o que se têm, antes de qualquer coisa, é um ato insensato. Isso mesmo! Se mexermos nesses a casa cai. Todos sabem disso, menos os ditos reformadores forever do sistema educacional.

Literalmente, os pontos fundamentais de nosso sistema educacional foram totalmente demolidos pelo espírito suíno disfarçado de bom-mocismo que hoje se faz hegemônico em nossa sociedade. A casa caiu sobre as cabeças dos professores, alunos, funcionários e famílias, todos estão vendo os escombros diante de seus olhos e sentindo-os sobre suas cabeças. E, diante disso, o que fazemos? Fechamos as janelas de nossa alma para essa ululante realidade que é o fato de que as melhores intenções nesta seara renderam pútridos frutos que, hoje, estamos colhendo.

Sim, não são poucos os que decoram a tragédia educacional de nosso país, apontando para progressos fictícios e para a necessidade de um maior aprofundamento das mudanças que nos condenaram ao estado em que nos encontramos. Todavia, se a casa já está no chão, o que, ora bolas, pretende-se agora demolir? Não é por menos que a Sacra Escritura nos ensina que o pior cego é aquele teimoso que vendo, recusa-se a enxergar.

Creio que, tal impostura, deva-se a uma necessidade voraz em não admitir que nossa geração errou e errou feio. Ninguém, praticamente, quer admitir que nossos antepassados é que sabiam educar, pois muitos teriam que reconhecer que construímos toda a sua carreira sobre um flácido lamaçal e, salve engano, reconhecer os próprios erros e corrigi-los, assumindo plenamente a responsabilidade pelos seus atos é algo que exige uma maturidade moral e intelectual de grande envergadura. Mas, como gente dessa envergadura é um tipo raro nestas paragens, creio que continuaremos de vento em popa nesta épica marcha para o brejo ritmada ao batuque politicamente correto da gamela furada.

Pax et bonum
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terça-feira, 8 de novembro de 2011

ENTREVISTA COM ROBERTO CAMPOS - RODA VIVA

O silêncio não vai ajudar a Igreja”, diz padre Paulo Ricardo

Paulo Ricardo de Azevedo Júnior é um padre no sentido pleno da palavra. E não apenas por usar batina. Eis um padre que segue o catecismo, o missal e a doutrina católica. Um padre que defende a Igreja e o papa. Um padre estudioso e com grande domínio da palavra. Um padre que conhece profundamente as questões canônicas. Um padre que fala de vida espiritual. Um padre que não ignora este mundo, mas sem jamais esquecer o outro. Um padre que não se furta a criticar outros sacerdotes, sobretudo o chamado “clero progressista”, ligado à teologia da libertação. Um padre à maneira antiga – tão antiga quanto os 2 mil anos da Igreja Católica.

Com todas essas qualidades, o padre Paulo Ricardo está fazendo um grande sucesso com seu trabalho de evangelização na internet. Através do site padrepauloricardo.org, ele diz o que pensa para um público cada vez mais amplo – e constituído em grande parte por jovens.

Nascido em novembro de 1967, o padre Paulo Ricardo foi ordenado em 1992, pelo papa João Paulo II. É bacharel em Teologia e mestre em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Membro do Conselho Internacional de Catequese, nomeado pela Santa Sé, pertence à Arquidiocese de Cuiabá (Mato Grosso). É autor de diversos livros e apresenta o programa semanal “Oitavo Dia”, pela Rede Canção Nova de Televisão.

Durante uma visita do padre Paulo Ricardo por Londrina e região, em setembro, o JL realizou a seguinte entrevista. Entre os assuntos abordados, o papel dos cristãos na sociedade contemporânea e uma relação especial com a cidade de Londrina.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Novena pelas Almas do Purgatório

Novena pelas Almas do Purgatório

[pdf] AS DORES DA VIRGEM SANTÍSSIMA

AS DORES DA VIRGEM SANTÍSSIMA

AS DORES DA VIRGEM SANTÍSSIMA

Escrevinhação n. 916 redigido em 24 de outubro de 2011, dia de Santo Antônio Maria Claret e do Bem-aventurado Luis Guanella.

Por Dartagnan da Silva Zanela

O quarto mistério gozoso do Santo Rosário, como todos nós sabemos, é a apresentação do menino Jesus no Templo (Lucas II, 22-39). Neste, temos a presença do profeta São Simeão que declara que o coração da Virgem Santíssima seria transpassado por uma espada. Estava, deste modo, anunciada a dolorosa paixão de Nosso Senhor e a de Sua Santíssima Mãe.

Bem, diante disso, ouso indagar, mesmo que não seja ouvido: simbolicamente, o que seria essa espada que transpassa o coração de Maria Santíssima? Sim, literalmente falando, o gládio representa a dor de Nossa Senhora diante da Crucificação de seu Bendito Filho, mas, em termos simbólicos, o que esse vil instrumento representa? O que essa passagem do Evangelho está nos ensinando?

A espada somos nós que desprezamos o santo sacrifício realizado por seu divino Filho e por ela que, por amor a Deus e a nós, ingratas criaturas, disse sim ao Altíssimo. Fazemos pouco caso dos ensinos espirituais, minimizamos nossa miséria moral, cultuamos as potestades e bens deste mundo como se fossem a razão última de nossa existência, entregando-nos a mais tosca idolatria.

E, penso eu, tudo isso dói no coração de Maria como um duro golpe de espada ao ver que pelos séculos dos séculos, inúmeros foram, e inúmeros somos, os que cospem à sua face marejada de lágrimas junto ao calvário.

Talvez possamos afirmar que não somos esse tipo de biltre, inclusive podemos afirmar, publicamente, que somos devotos de Nossa Senhora. Todavia, não estamos nos referindo à palavras vazias e a encenações hipócritas que tanto se fazem presentes nestes plúmbeos dias. A pergunta é: nós realmente atendemos aos apelos de nossa Mãe espiritual ou apenas posamos de “bons filhos”?

Em todas as aparições, ela nos pede para que nos convertamos, rezemos diariamente (o Terço, de modo especial) e façamos penitência. Apenas isso e nada mais. Porém, o que temos feito? Basta que volvamos nossa atenção para o estilo de vida que cultivamos e veremos que em nosso horizonte o que há é algo de uma miséria moral e espiritual, no mínimo, vergonhosa.

E pior! Quanto mais diplomadas as almas se fazem, mais cegas tornam-se para as realidades superiores. Não apenas cegos, mas também, orgulhosos de sua estultice inflada de vanglória mundana inflamada que os coloca montados sob suas vãs e confusas impressões da realidade. E, essas nossas imposturas, meu caro, enxerguemo-las ou não, ferem a Dignidade que habita o coração daquela que tanto fez para que nós pudéssemos ter a visão do Verbo Divino Encarnado, da Verdade que se fez homem para que nos conhecêssemos através da humanidade revelada Nele e que nós, em nossa presunção, tanto insistimos em desviar os olhos.

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