UMA HISTÓRIA ENTRE TANTAS OUTRAS

Escrevinhação n. 911, redigido em 18 de setembro de 2011, dia de São José Copertino.

Por Dartagnan da Silva Zanela


"Não fujas, não fujas: se foges, para onde vais"? Eis a questão inquietante que nos levanta Willian Blake. Sim, vivemos fugindo. Fugimos de nossos deveres, de nossas culpas, de nossas vergonhas e vexames, da vocação a que fomos chamados, enfim, fugimos incansavelmente de nós mesmos e varremos para debaixo do tapete do esquecimento as consequências de nossa irresponsabilidade, mesmo que essas se tornem a cada dia que passa uma força maior a pesar sobre nossa vida.

Muitas são as histórias tristes que conhecemos, direta e indiretamente, sobre essa problemática. Algumas tocam nosso íntimo, já outras apenas reforçam nossa insensibilidade, porém, nenhuma, praticamente, nos desperta para a Verdade sobre nossa pacoviedade existencial porque, literalmente, não queremos despertar de nossa letargia umbilical. Preferimos fugir a enfrentar a fera que nos mantém reclusos em nossa fétida caverna.

"Não fujas, não fujas: se foges, para onde vais"? Sim, vivemos em fuga, movidos pelo medo de sei lá o que. Mitificamos de tal forma certas situações, determinados problemas em nossa vida, que acabamos por nos esquecer de, virilmente, perguntar: mas, exatamente de que estou fugindo? De que tenho tanto medo? Somente levantando essa indagação, rapidamente, perceberiamos o quão pusilâmines nos tornamos, o quão desfibrada é nossa geração.

Ao mesmo tempo, também seria de grande valia que perguntássemos para onde estamos indo nessa fuga sem fim. Sim, fugimos, como baratas tontas, corremos de nossos medos bobos, entretanto, para onde estamos indo? É claro que não sabemos claramente para onde vamos porque as sombras nefandas de nossos medos imaginários arrebataram nosso ser para o mais lúgubre foço de nossa alma e, deste modo, como uma vítima inerme perdida nos descaminhos do labirinto de Cnossos, fingimos saber onde estamos.

Se mais delongas e sem aquele trololó de ficar fazendo-se de vítimas, de coitadinhos, assumamos a responsabilidade por nossa existência e passemos a fazer o que nos cabe como dever. Paremos, imediatamente, com as lamúrias advindas dos quereres frustrados. Não sei se te contaram, mas a vida humana é isso. É luta, são desafios, uma batalha travada diariamente nas pradarias do mundo e, principalmente, nas serras e colinas de nossa alma. Fugir disso é negar a própria humanidade, reduzindo-se a um nível bestial, de um animalzinho que apenas anseia por estar seguro.

Por isso, meu caro, não fuja. Viva. Não camufle as contradições que existem em seu coração. Reconheça-as e enfrente-as para que, nesta peleja, elevemo-nos para o horizonte a que fomos chamados, não nos reduzindo a mesquinharia que volitivamente, hoje, estamos entregues.

Pax et bonum
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