A SOBERBA NA EDUCAÇÃO

Escrevinhação n. 912, redigido em 18 de setembro de 2011, dia de São José Copertino.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Há uma passagem do Santo Evangelho que todos conhecem, porém, raramente reflete-se sobre a sua gravidade. É a que versa sobre a parábola do fariseu e do publicano (Lucas XVIII 9-14). Como nos lembra Santo Afonso de Ligório, no primeiro personagem temos a imagem transparente de uma alma convencida de sua pureza, se colocando a lisonjear-se perante Deus em suas preces. No segundo, temos a imagem de um penitente convicto de que sua alma apenas poderá encontrar algum consolo junto aos méritos Daquele que é e não na pequenez de sua vida.

Nelas, temos a imagem da soberba e da humildade que se fazem presentes em nosso coração, em nosso íntimo, em uma constante tensão dialética. Cada um de nós tem que conviver com esse conflito, reconhecer e aceitar a sua presença para que, a duras penas, possamos enfrentá-lo e superá-lo no correr de nossos dias por esse vale de lágrimas e, quem sabe, deste modo, possamos ouvir de Nosso Senhor a mesma afirmação que o bom ladrão ouviu junto ao calvário.

Entretanto, no que tange a essa dialética tensão que habita em nós, não podemos esquecer-nos que a força do publicano (humildade) está no exercício do autoconhecimento obtido através do exame de consciência diário e, do fariseu (soberba), no envaidecimento advindo do engrancimento que atribuímos a nossos simulacros de virtudes e da projeção de nossas faltas sobre a sociedade. Ou, como nos lembra Fernando Pessoa em seu poema em linha reta, o mundo está repleto de semideuses, de pessoas que são incapazes de confessar, não os seus pecados infames, mas o seu ridículo fundamental.

E quando o assunto é educação, o trêm fica feio por demais, porque poucas são as almas que procuram reconhecer as suas limitações, as incoerências e contradições e, a partir delas, labutar para que se possa elevar e libertar-se dos plúmbeos ares da massa ignara reinante.

É muito mais fácil cultivar e ensinar a colocar a culpa no sistema, no “capetalismo”, na sociedade, nas estruturas e tutti quanti. É bem mais tranquilo repetirmos frases prontas que nos eximem de nossa respontabilidade existencial do que assumirmos a nossa culpa fundamental pelas escolhas que nos tornam o que somos. Aliás, é muito mais cômodo decorar frases de efeito e palavras de ordem que nos permitam ser reconhecidos como cidadãos críticos do que agirmos severamente contra nossas dissimulações estupidificantes.

Por fim, o fariseu impera em nosso sistema educacional e em nós. Ele, em nós, muito bem tem ensinado e cultivado o rancor e a discordia, instigando a condenação dos desafetos, sem ao menos termos aprendido a reconhecer a nossa pequenez.

Pax et bonum
Site: http://dartagnanzanela.tk
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

Comentários