É DISSO QUE A BRASILIDADE PRECISA

Escrevinhação n. 915, redigido em 21 de outubro de 2011, dia de Santa Úrsula e Companheiras e de São Hilarião.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Em sua pregação, por ocasião da Celebração em honra de Nossa Senhora Aparecida, o padre Paulo Ricardo havia afirmado que tem vergonha de ser brasileiro porque ama o Brasil. Ao dizer isso, o preclaro sacerdote fora muitíssimo feliz e, é claro, assino embaixo.

Amar alguém não significa que devemos aceitar e apoiar todas as sandices que este pratique. Amar é colaborar para que o amado cresça, melhore, eleve-se. Por isso, olhar para o estado em que se encontra o nosso País e dizer que se tem orgulho desta tragédia não é sinônimo de amor não, mas sim, de cinismo, de indiferença, de superficialidade tosca e de uma pusilanimidade cabal.

Ora, não dá para afirmar que um pai ama verdadeiramente seu filho quando este aplaude a autodestruição do jovem que mergulha no mundo das drogas, do desregramento, da desídia e da irresponsabilidade. Agir assim, orgulhar-se do que é ignóbil, é uma atitude cruel e covarde, similar a tomada por Pilatos quando este lavou as mãos diante da condenação de Nosso Senhor achando que, com esse gesto, teria feito grande coisa.

Infelizmente, no Brasil contemporâneo, o fracasso não só subiu à cabeça como tornou-se meta a ser alcançada. Literalmente, não vê-se mais em nossa cultura, e de modo especial em nosso sistema educacional, manifestações que deixem claro o desejo de realmente fazer algo de bom. Vê-se apenas poses de bom-mocismo e, com atos desta monta, nos contentamos. Contentamo-nos em parecermos bons e, consequentemente, acabamos por detestar a mera cogitação da necessidade de agir para sermos melhores do que somos.

Deste modo, compreende-se claramente porque nossa sociedade a cada dia que passa afunda-se mais e mais nesta amoralidade canalha que uns chamam de ética e, outros tantos de cidadania ou de criticidade. Essas expressões são sim, bonitinhas, porém, fundamentalmente ordinárias, como seus usuários. Palavras bonitas que bem camuflam a pequenez moral da alma brasileira, especialmente das camadas que se autointitulam instruídas por possuírem um pedaço de papel pintado que atesta qualquer coisa, mas que não prova, ou convence, que seus detentores tenham amado na vida algo maior que o seu universo umbilical.

E, como o fingimento nesta paragens é geral e irrestrito, ninguém envergonha-se do vexame nacional, ninguém cora em colaborar, ativamente ou não, para a destruição de nossa cultura. Aliás, ficamos bravos quando um Zé mané resolve falar o óbvio ululante, não é mesmo? Bravos ou não, uma boa dose de vergonha na cara seria muitíssimo salutar para nossa sociedade e em nossa educação.

Pax et bonum
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