quarta-feira, 26 de outubro de 2011

[pdf] É DISSO QUE A BRASILIDADE PRECISA

É DISSO QUE A BRASILIDADE PRECISA

É DISSO QUE A BRASILIDADE PRECISA

Escrevinhação n. 915, redigido em 21 de outubro de 2011, dia de Santa Úrsula e Companheiras e de São Hilarião.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Em sua pregação, por ocasião da Celebração em honra de Nossa Senhora Aparecida, o padre Paulo Ricardo havia afirmado que tem vergonha de ser brasileiro porque ama o Brasil. Ao dizer isso, o preclaro sacerdote fora muitíssimo feliz e, é claro, assino embaixo.

Amar alguém não significa que devemos aceitar e apoiar todas as sandices que este pratique. Amar é colaborar para que o amado cresça, melhore, eleve-se. Por isso, olhar para o estado em que se encontra o nosso País e dizer que se tem orgulho desta tragédia não é sinônimo de amor não, mas sim, de cinismo, de indiferença, de superficialidade tosca e de uma pusilanimidade cabal.

Ora, não dá para afirmar que um pai ama verdadeiramente seu filho quando este aplaude a autodestruição do jovem que mergulha no mundo das drogas, do desregramento, da desídia e da irresponsabilidade. Agir assim, orgulhar-se do que é ignóbil, é uma atitude cruel e covarde, similar a tomada por Pilatos quando este lavou as mãos diante da condenação de Nosso Senhor achando que, com esse gesto, teria feito grande coisa.

Infelizmente, no Brasil contemporâneo, o fracasso não só subiu à cabeça como tornou-se meta a ser alcançada. Literalmente, não vê-se mais em nossa cultura, e de modo especial em nosso sistema educacional, manifestações que deixem claro o desejo de realmente fazer algo de bom. Vê-se apenas poses de bom-mocismo e, com atos desta monta, nos contentamos. Contentamo-nos em parecermos bons e, consequentemente, acabamos por detestar a mera cogitação da necessidade de agir para sermos melhores do que somos.

Deste modo, compreende-se claramente porque nossa sociedade a cada dia que passa afunda-se mais e mais nesta amoralidade canalha que uns chamam de ética e, outros tantos de cidadania ou de criticidade. Essas expressões são sim, bonitinhas, porém, fundamentalmente ordinárias, como seus usuários. Palavras bonitas que bem camuflam a pequenez moral da alma brasileira, especialmente das camadas que se autointitulam instruídas por possuírem um pedaço de papel pintado que atesta qualquer coisa, mas que não prova, ou convence, que seus detentores tenham amado na vida algo maior que o seu universo umbilical.

E, como o fingimento nesta paragens é geral e irrestrito, ninguém envergonha-se do vexame nacional, ninguém cora em colaborar, ativamente ou não, para a destruição de nossa cultura. Aliás, ficamos bravos quando um Zé mané resolve falar o óbvio ululante, não é mesmo? Bravos ou não, uma boa dose de vergonha na cara seria muitíssimo salutar para nossa sociedade e em nossa educação.

Pax et bonum
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

[pdf] NEM UMA COISA, NEM OUTRA

NEM UMA COISA, NEM OUTRA

NEM UMA COISA, NEM OUTRA

Escrevinhação n. 913, redigido em 28 de setembro de 2011, dia de São Wenceslau.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Confesso que durante algum tempo de minha parva vidinha, aquela velha querela sobre benevolência ou a malevolência da natureza humana ocupou uma boa parcela de minha atenção. Hobbes e Maquiavel de um lado, Rousseau e Montaigne do outro, sem contar as inúmeras outras almas que inclinavam sua pena para uma ou outra coluna desta peleja. Todavia, sejamos francos: não estamos com essa bola toda.

A questão está muito elevada meu caro Watson. O ponto não é sabermos se somos bons ou maus por natureza, porque não somos uma coisa nem outra. Na verdade, somos fundamentalmente mesquinhos e medíocres. Estamos muitíssimo distante da grandeza de um Santo ou da imagem titânica de um monstro. Poucos são os que se elevam a essas altitudes. A maioria dos reles mortais como eu e você não passam de seres diminutos com preocupações e intenções mesquinhas.

Sim, somos isso mesmo meu caro. Mesquinhos. Nos julgamos seres muito justos mesmo que não o sejamos, mesmo que nunca tenhamos tido a coragem necessária para agirmos de modo reto. Na maioria das vezes apenas nos comportamos de acordo com os clichês de bonzinho e mauzinho que nos são apresentados pela sociedade e agindo assim nos sentimos confortáveis, seguros em nossa pequenez moral. No fundo, no fundo, não queremos agir de modo justo, mas apenas que as pessoas superficiais, como nós, aceitem-nos em nossa pacoviedade.

A grandeza, entre nosso meio, é apenas um disfarce momentâneo nas ocasiões onde a mediocridade se torna tamanha que ficamos envergonhados de nossa similaridade com a imagem que nos faz corar. Aí posamos de bons cidadãos, de bons pagadores de impostos injustiçados pelo tal sistema, vexados pela endêmica corrupção que assola o país e todo aquele blablablá, todo aquele velho clichê que nos faz rapidamente parecer uma pessoa boazinha angustiada em meio a tantos seres malvados.

Todavia, sabemos bem que não é nada disso. Apenas não queremos admitir que parte do lamaçal que infecta a sociedade é parido por nossas entranhas e, por isso, mais do que depressa, agimos de modo similar a um garotinho que brincava com os coleguinhas na lama e que, dissimuladamente, aponta o dedo para os pares dizendo: “a idéia não foi minha! A Culpa é do Fulado e do Beltrano!”

Sem mais delongas, para elevarmo-nos deste escroto estado, seria de fundamental importância que agissemos como pessoas maduras, assumindo a responsabilidade por nossas vidas sem ficar à procura de bodes expiatórios para depositar nossas culpas. Todavia, como bem sabemos, é mais cômodo colocarmos a culpa em outros que, como nós, também não se vêem como culpados de nada, nem mesmo pelo que somos neste turvo império da mediocracia.

Pax et bonum
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

REFLETINDO COM THOMAS MERTON

"O ‘deserto’ do espírito humano ainda não é totalmente hostil à vida espiritual. Ao contrário, seu silêncio ainda é um silêncio restaurador. Quem tenta escapar da solidão e do confronto com o Deus desconhecido pode acabar sendo destruído na solidão atomizada, caótica e sem sentido da sociedade de massas."

Gravação da aula ao vivo: "Tratado da Verdadeira Devoção..." Parte 1 (27/09/2011)

True Outspeak - 12 de outubro de 2011

Leituras indispensáveis

Democracia normal e patológica - I
Por Olavo de Carvalho

A extrema esquerda se distingue da esquerda por uma questão de grau. Já a extrema direita e a direita acabam se revelando incompatíveis em essência. [leia mais]

Democracia normal e patológica - II
Por Olavo de Carvalho

A farsa existencial com que a esquerda governante inventa inimigos para camuflar seu controle hegemônico tornou-se a norma e padrão para o país inteiro, invadindo as consciências e expelindo cada pensamento para longe da realidade. [leia mais]

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

[pdf] A SOBERBA NA EDUCAÇÃO

A SOBERBA NA EDUCAÇÃO

A SOBERBA NA EDUCAÇÃO

Escrevinhação n. 912, redigido em 18 de setembro de 2011, dia de São José Copertino.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Há uma passagem do Santo Evangelho que todos conhecem, porém, raramente reflete-se sobre a sua gravidade. É a que versa sobre a parábola do fariseu e do publicano (Lucas XVIII 9-14). Como nos lembra Santo Afonso de Ligório, no primeiro personagem temos a imagem transparente de uma alma convencida de sua pureza, se colocando a lisonjear-se perante Deus em suas preces. No segundo, temos a imagem de um penitente convicto de que sua alma apenas poderá encontrar algum consolo junto aos méritos Daquele que é e não na pequenez de sua vida.

Nelas, temos a imagem da soberba e da humildade que se fazem presentes em nosso coração, em nosso íntimo, em uma constante tensão dialética. Cada um de nós tem que conviver com esse conflito, reconhecer e aceitar a sua presença para que, a duras penas, possamos enfrentá-lo e superá-lo no correr de nossos dias por esse vale de lágrimas e, quem sabe, deste modo, possamos ouvir de Nosso Senhor a mesma afirmação que o bom ladrão ouviu junto ao calvário.

Entretanto, no que tange a essa dialética tensão que habita em nós, não podemos esquecer-nos que a força do publicano (humildade) está no exercício do autoconhecimento obtido através do exame de consciência diário e, do fariseu (soberba), no envaidecimento advindo do engrancimento que atribuímos a nossos simulacros de virtudes e da projeção de nossas faltas sobre a sociedade. Ou, como nos lembra Fernando Pessoa em seu poema em linha reta, o mundo está repleto de semideuses, de pessoas que são incapazes de confessar, não os seus pecados infames, mas o seu ridículo fundamental.

E quando o assunto é educação, o trêm fica feio por demais, porque poucas são as almas que procuram reconhecer as suas limitações, as incoerências e contradições e, a partir delas, labutar para que se possa elevar e libertar-se dos plúmbeos ares da massa ignara reinante.

É muito mais fácil cultivar e ensinar a colocar a culpa no sistema, no “capetalismo”, na sociedade, nas estruturas e tutti quanti. É bem mais tranquilo repetirmos frases prontas que nos eximem de nossa respontabilidade existencial do que assumirmos a nossa culpa fundamental pelas escolhas que nos tornam o que somos. Aliás, é muito mais cômodo decorar frases de efeito e palavras de ordem que nos permitam ser reconhecidos como cidadãos críticos do que agirmos severamente contra nossas dissimulações estupidificantes.

Por fim, o fariseu impera em nosso sistema educacional e em nós. Ele, em nós, muito bem tem ensinado e cultivado o rancor e a discordia, instigando a condenação dos desafetos, sem ao menos termos aprendido a reconhecer a nossa pequenez.

Pax et bonum
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

[pdf] UMA HISTÓRIA ENTRE TANTAS OUTRAS

UMA HISTÓRIA ENTRE TANTAS OUTRAS

UMA HISTÓRIA ENTRE TANTAS OUTRAS

Escrevinhação n. 911, redigido em 18 de setembro de 2011, dia de São José Copertino.

Por Dartagnan da Silva Zanela


"Não fujas, não fujas: se foges, para onde vais"? Eis a questão inquietante que nos levanta Willian Blake. Sim, vivemos fugindo. Fugimos de nossos deveres, de nossas culpas, de nossas vergonhas e vexames, da vocação a que fomos chamados, enfim, fugimos incansavelmente de nós mesmos e varremos para debaixo do tapete do esquecimento as consequências de nossa irresponsabilidade, mesmo que essas se tornem a cada dia que passa uma força maior a pesar sobre nossa vida.

Muitas são as histórias tristes que conhecemos, direta e indiretamente, sobre essa problemática. Algumas tocam nosso íntimo, já outras apenas reforçam nossa insensibilidade, porém, nenhuma, praticamente, nos desperta para a Verdade sobre nossa pacoviedade existencial porque, literalmente, não queremos despertar de nossa letargia umbilical. Preferimos fugir a enfrentar a fera que nos mantém reclusos em nossa fétida caverna.

"Não fujas, não fujas: se foges, para onde vais"? Sim, vivemos em fuga, movidos pelo medo de sei lá o que. Mitificamos de tal forma certas situações, determinados problemas em nossa vida, que acabamos por nos esquecer de, virilmente, perguntar: mas, exatamente de que estou fugindo? De que tenho tanto medo? Somente levantando essa indagação, rapidamente, perceberiamos o quão pusilâmines nos tornamos, o quão desfibrada é nossa geração.

Ao mesmo tempo, também seria de grande valia que perguntássemos para onde estamos indo nessa fuga sem fim. Sim, fugimos, como baratas tontas, corremos de nossos medos bobos, entretanto, para onde estamos indo? É claro que não sabemos claramente para onde vamos porque as sombras nefandas de nossos medos imaginários arrebataram nosso ser para o mais lúgubre foço de nossa alma e, deste modo, como uma vítima inerme perdida nos descaminhos do labirinto de Cnossos, fingimos saber onde estamos.

Se mais delongas e sem aquele trololó de ficar fazendo-se de vítimas, de coitadinhos, assumamos a responsabilidade por nossa existência e passemos a fazer o que nos cabe como dever. Paremos, imediatamente, com as lamúrias advindas dos quereres frustrados. Não sei se te contaram, mas a vida humana é isso. É luta, são desafios, uma batalha travada diariamente nas pradarias do mundo e, principalmente, nas serras e colinas de nossa alma. Fugir disso é negar a própria humanidade, reduzindo-se a um nível bestial, de um animalzinho que apenas anseia por estar seguro.

Por isso, meu caro, não fuja. Viva. Não camufle as contradições que existem em seu coração. Reconheça-as e enfrente-as para que, nesta peleja, elevemo-nos para o horizonte a que fomos chamados, não nos reduzindo a mesquinharia que volitivamente, hoje, estamos entregues.

Pax et bonum
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