NÃO TEMAIS ÍMPIAS FALANGES...

Escrevinhação n. 907, redigido em 06 de setembro de 2011, dia de São Liberato de Loro.

Por Dartagnan da Silva Zanela

A quem devemos o que temos? A quem devemos a existência do país que hoje nos abriga? Quais são os artífices desta obra que hoje chamamos nossa Pátria? Sim, as pífias almas gritam que tudo isso é obra da tal da “zelite”. É, todo estulto que não sabe apresentar uma resposta justa inventa, com alguns cacoetes mentais e um bom tanto de bobagens abstratas, uma indigna justificativa para sua tolice.

De mais a mais, ousaria levantar outra pergunta, versando de forma diversa sobre o mesmo tema. Seríamos nós capazes de realizar essa obra, a independência do Brasil, de uma forma melhor? Seríamos nós melhores que os mentores dessa nação? Somos tão melhores, meu caro Horácio, que os condenamos e cobrimos suas memórias com insídias sem ao menos conhecê-los. E mesmo assim, afogados em nossa soberba (depre)cívica, imaginamos, de maneira doentia, que o que o Brasil tem de melhor somos nós.

Sim, não precisa me dizer que os nossos Founding Fathers tinham defeitos e vícios. Eles eram humanos e não seres angelicais. Mas pergunto, mais uma vez, quem de nós possuía as virtudes destes? Quem? Mais uma vez, se formos francos, o silêncio recairá sobre nosso semblante, frente à vergonha de termos tantos juízos sobre pessoas que desconhecemos e, em grande medida, desprezamos.

Caretice? Talvez. Entretanto, o curioso é que toda a brasilidade conhece minúcias, cômicas ou fúteis, sobre celebridades midiáticas, bandinhas furibundas, políticos carcamanos e tutti quanti. Figuras estas, tão conhecidas quanto inócuas. Já aqueles que realmente dedicaram-se ao nosso país de maneira abnegada permanecem como ilustres desconhecidos, ocupando, atualmente, um empoeirado canto no mausoléu das aquilatadas almas que, por seus méritos, são desprezadas pela mediocracia reinante.

Olhar para os dias que não mais voltam e empinar o narizinho para a obra de almas como José Bonifácio e Luis Alves de Lima é fácil. Outra coisa é colocar-se, imaginativamente, no lugar deles, revivendo interiormente toda a tensão que havia naqueles dias, o peso das responsabilidades que estava sobre os ombros destes e perguntar-se o que, realmente, teríamos feito no lugar deles. É, meu caro, a vida é bem mais complexa do que nossa vã criticidade.

Por essas e outras que para todo aquele que vê a realidade com os olhos limpos com uma boa dose de vergonha na cara percebe o quanto que na atualidade se estimula nas tenras almas o sentimento de rancor em detrimento da gratidão e da reverência. Bem ou mal, recebemos este Brasil, mas, qual será o Brasil que deixaremos? Qual?

Vai saber! Porém, uma coisa é certa: ele terá a nossa cara. Não se assustem.

Pax et bonum
Site: http://dartagnanzanela.tk
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

Comentários