A LUZ DA RAZÃO NA IDADE DAS TREVAS

Escrevinhação n. 910, redigido em 14 de setembro de 2011, dia de São Materno de Colônia.

Por Dartagnan da Silva Zanela

É impressionante o quanto que os sabidinhos orgulham-se de sua apoteótica ignorância sobre os assuntos que eles discutem com ares doutorais. Criticam de maneira tão ávida as tais decorebas sem flagrar que tudo o que eles sabem sobre determinados assuntos não passa de um reles decorar mecânico de um amontoado de lugares comuns que aprenderam na mocidade, raciocinando a partir de um amontoado de esteriótipos toscos que lhes serve de medalhão de auto-afirmação frente a seus pares que, por sua deixa, vêem-se imersos na mesma atmosfera delirante reafirmando assim a sua estulta alienação.

Caso deveras ilustrativo deste estado de espírito são os esteriótipos que os sabidos edificam e propagam sobre a Idade Média como sendo uma época de obscurantismo e supertição. E Pior! Falam sobre o Santo Ofício e sobre estes idos com aquele olhar de profundo conhecedor do assunto, como se tivessem lido alguns pares de livros sobre o referido período histórico, coisa que, diga-se de passagem, eles não tem a menor diposição de fazer. Na maioria dos casos, viram um e outro filme e isso lhes basta.

Não fiquemos bravinhos não, que isso não resolve o problema. Todavia, reflitamos, através destas parvas linhas sobre a seguinte questão: donde veio essa imagem da Idade Média como sendo uma época de trevas? Quando essa imagem funesta do Santo Ofício foi edificada? Hum! Será que já pararamos pra pensar que muito disso que temos reproduzido sobre o período citado e sobre a instituição em pauta não passa de um pérfido constructo histórico?

Pois é, a idéia de idade das trevas é produto dos preconceitos renascentistas em relação à cultura européia deste período. Aliás, a própria nominação desta época com idade média é uma criação renascentista. Estes idos seriam apenas um período médio entre a antiguidade clássica e a modernidade (vide: Hilário Franco Jr. A Idade Média – O nascimento do Ocidente).

Quanto ao Santo Ofício, sua enchovalhação é fortalecida após a revolução Francesa que procurava projetar sobre a Igreja a imagem de retrograda e cruel (vide: Bernardino Llorca S. J. La inquisición en España). Se o amigo tem essa imagem turva tão bem cimentada em seu imaginário, procure comparar a Inquisição com a justiça praticada pelos reinos deste período e verá que o Santo Ofício era significativamente mais brando (vide: João Bernardino Gonzaga. A inquisição em seu mundo).

Também, se achar apropriado (e creio que o é), compare as práticas da Inquisição com as práticas dos revolucionários franceses e demais revolucionários do século XX para vermos onde, de fato, mora e procria-se fartamente a crueldade. Isso se realmente quisermos ver o mundo que existe para além da criticidade, é claro.

Pax et bonum
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