INDO DE ENCONTRO AO PONTO DO CONTO

Escrevinhação n. 908, redigido em 06 de setembro de 2011, dia de São Liberato de Loro.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Sei que não são poucos os olhares tortos que surgem, seguidos dos necessários narizinhos empinados, quando um caipira como este que vos escreve afirma que um dos grandes males que assola as almas juvenis é a dita criticidade que tanto empolga as almas sebosas que imaginam educar o mundo sem antes terem completado a sua educação pessoal. Que fazer? Durmo na pia da cozinha.

Dito isso, indo ao ponto do conto: por que percebo a educação hodierna deste modo? Pela simples razão de que de tanto pensar morreu um burro. Explico-me: antes de ousarmos criticar qualquer coisa é de fundamental importância que a percebamos e a assimilemos tal qual ela é para apenas mais tarde fiarmos pela trilha da apreciação crítica.

Um exemplo que julgamos extremamente didático são as artes marciais. Quando um mestre ensina um aluno para que ele torne-se um bom lutador, o que ele faz? Ele ensina criticamente ou convida o aprendiz a conhecer e assimilar toda a herança acumulada por gerações de sua escola (ou estilo) marcial? Quem em algum momento de sua vida teve contato com uma arte deste gênero sabe muito bem do que estou falando. A imitação gera a assimilação que, por sua deixa, oferta ao iniciado o arcabouço necessário para que ele crie, há seu tempo, o seu modo pessoal de praticá-la.

Saltando desta para outras modalidades de ação humana, a regra não é diversa. Música, pintura, escrever, cozinhar, plantar, consertar ou fabricar algo, seja o que for, qualquer ser humano normal vê, com atenção, o que deve realizar, imita, realiza e, com o tempo, colecionando em seu íntimo vários modelos possíveis de realização destas ações e, deste modo, habilita-se a contribuir, quem sabe, com o seu toque de originalidade.

Se as almas sebosas fossem sinceras, só um pouquinho, consigo mesmas, perceberiam que até mesmo toda essa lengalenga de criticidade também (e inclusive) é aprendida através de imitação. Imitação essa, que se dá de maneira insincera e degradante, visto o fato de que a assimilação de seus procedimentos se dá com vistas a ilhar o indivíduo em seu mundinho, erguendo um muro colossal entre sua vista e o mundo real que eles julgam tão bem conhecer através de suas observações de apreço ou desapreço aos objetos de suas críticas.

Por isso, sem pestanejar, digo e repito: não queira ser crítico. Almeje e labute para ser bom. Admire aqueles que no correr dos séculos fizeram-se por essa via, conheça suas vidas, aprenda o modo como eles enfrentaram os problemas que os afligiram. Problemas que, acreditem ou não, são tão interessantes quanto às soluções que eles encontraram. Por fim, cultive intensamente um agudo senso de gratidão, pois, sem este, não há educação.

Pax et bonum
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