O CREPÚSCULO DAS AQUILATADAS ALMAS

Escrevinhação n. 905, redigido em 23 de agosto de 2011, dia de Santa Rosa de Lima.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Apenas os medíocres repudiam os heróis com insidias e bravatas rancorosas. Somente as almas sebosas são incapazes de reconhecer a grandeza em outrem (amigo ou inimigo). Aliás, esses tipinhos abundam hoje em dia, abominam a figura destes por simplesmente humilhá-los com sua pujante presença que tanto castiça sua pequenez.

Tá, mas de que é feito um herói? A questão, em si, é deveras profunda, visto que poucas são as almas que atingem a envergadura dos notáveis, a dimensão daqueles que se elevam acima da massa amorfa que meramente se amolda a baixeza dos tempos.

De mais a mais, todos aqueles que resistem, criticam e fazem pouco do reconhecimento da grandeza alheia são justamente as pessoas de mais baixo valor e que, no fundo, anseiam por ser referenciadas como figuras exemplares, ao mesmo tempo em que são incapazes de reconhecer a sua própria nulidade. Pois é, a inveja é uma m., mesmo disfarçada de criticidade.

Outro problema presente nesta impostura que se faz reinante em nossos dias, é o sutil sentimento de rancor e ingratidão que se cultiva frente à própria sociedade e em relação aos que nos antecederam. No lugar da gratidão e da reverência àqueles que se fizeram maiores que as Eras, cultivam-se descaradamente uma soberba desmedida em misto com um tosco sentimento de auto-piedade.

Todos, ricos ou pobres, de algum modo, gostam de posar de coitados, de injustiçados e exigem ser respeitados por se portarem deste modo. E pior! Muitos destes querem convencer os demais que agindo tal qual eles, como bebês chorões, seriam mais dignos do que, por exemplo, um Luis Alves de Lima e Silva, um Irineu Evangelista de Souza, ou Joaquim Nabuco e, porque não, um Mário Ferreira dos Santos. Na verdade, falando em termos morais, é deprimente vermos o nível pueril a que chegamos.

Por não cultivarmos, devidamente, em nossa memória, imagem destes que literalmente encarnam os mais distintos valores que hoje perdemos totalmente o senso da hierarquia dos mesmos, sepultando a capacidade de reconhecer a grandeza e, desde modo, cultiva-se, de modo tacanho, a pequenez e a mesquinharia em seu lugar como se estas fossem equivalentes à primeira.

Não é à toa que hoje a tal cidadania faz-se sinônimo da reles manifestação do jus sperniandi. Não é por menos que qualquer tomada de decisão que exija fortaleza ou magnanimidade é esquivada e olimpicamente justificada com a orgulhosa e covarde afirmação de sua fraqueza e nulidade.

Pois é, após o crepúsculo dos heróis, temos a aurora dos pusilânimes. É a nossa época.

Pax et bonum
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