ENTRE PALAVRAS OCAS E ALMAS VAZIAS

Escrevinhação n. 896, redigido em 21 de junho de 2011, dia de São Luiz Gonzaga.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Praticamente toda discussão que se forma em torno do tema educação não passa de um amontoado de flatus vocis. A razão para tal reside no fato de que boa parte dessas preleções versa unicamente sobre palavras que muito vagamente se referem ao educar enquanto os problemas reais, vividos diuturnamente por aqueles que estão em uma sala de aula, são olimpicamente desdenhados.

O pior de tudo neste cenário é que justamente aqueles que estão vivenciando esses problemas encontram-se viciados até os gorgomilos com as mesmas expressões não significativas que ao mesmo tempo em que nada dizem sobre os problemas reais enfrentados acabam, por sua deixa, tomando o lugar destes em meio às contendas abertas sobre o tema, camuflando a realidade.

Raramente se coloca o dedo na ferida para que a pútrida infecção verta e infecte os ares politicamente corretos que tomam o lugar do educar. Quando isso ocorre, normalmente finge-se que aquele fétido odor não está presente no ambiente. O vexame é grande, tão grande que ninguém tem a coragem de admitir que todas as propostas inovadoras que foram entrouxadas geraram apenas frutos falazes, pútridos até o caroço, e nada mais.

Outra coisa que as sebosas almas jamais irão admitir é que, no fundo, elas nunca desejaram realmente educar uma pessoa, para que crescessem em espírito e verdade e, como dizia Goethe, se tornassem dignas, prestativas e boas. O que elas desejavam, e ainda almejam, é implantar na sociedade uma mentalidade socialista para, consequentemente, que essa se torne socialista (ou qualquer pesadelo do gênero “admirável mundo novo possível”).

Ora, o que desejava Paulo Freire e tutti quanti com toda aquela pedagogice? Qual o intento final da estratégia gramsciniana? O mesmíssimo que muitos de seus leitores e admiradores. Freqüentemente as (des)graças desses dois senhores são lembradas para “fundamentar” as propostas educacionais, mas poucos realmente pararam para meditar sobre as intenções presentes em suas torpes falas (ou fingem ter). E depois o alienado sou eu.

A preocupação central dessas almas deletérias não é educar, mas sim, realizar de maneira hábil uma sórdida doutrinação marxista que, sinicamente, eles chamam de libertária, emancipatória, progressista e tutti quanti. O nome até muda, mas não o intento mascarado em seus obscuros corações e isso, meu caro, não é educar. Mas, como todos discutem apenas palavras, e não a realidade que elas nos comunicam, cada vez mais distanciamo-nos da educação em nome de propósitos que nada tem haver com as imagens retóricas pintadas por essas pedagogias maquiavélicas.

Para além das palavras ocas à realidade que denuncia vivamente a hipocrisia reinante enquanto nós nos fechamos em copas. Mas, até quando isso perdurará? Até quando?

Pax et bonum
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