DA ASSEMBLÉIA DOS INCONSEQÜENTES

Escrevinhação n. 898, redigido em 14 de julho de 2011, dia de São Camilo de Léllis, de Santa Catarina Tekakwitha e de São Francisco Solano.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Muitas coisas invadem nossa alma na forma de uma maré de desgosto, porém, nada nos é mais agressivo do que aquelas ondas provocadas pelas preleções das assembléias dos inconseqüentes, de pessoas que se reúnem, digo, que são reunidas, para falar sobre um assunto que elas desprezam ao mesmo tempo em que fingem preocupar-se com o problema que ignoram. E quanto o assunto é educação, sempre há uma multidão dessa estirpe para dar os seus parvos pitacos.

Chega ser bonito de ver esses seres falando, como sempre, da má qualidade da programação da grande mídia. Digo isso, justamente porque estes sempre estão muito bem informados sobre o baixo quilate de seu objeto de crítica. Além desses, há aqueles que fingem não estar por dentro da dita programação, dissimulando serem portadores de algum conteúdo humano de elevada distinção. Num e noutro caso, afirma-se, olimpicamente, que tudo ficaria melhor se a programação televisiva melhora-se.

Ora, ora, será que nunca passou pela cabeça destes abençoados que existe muito mais entre o céu e a terra do que a sua massificada compreensão da cultural? Será que não ocorreu na cabeça desses abençoados que uma via mais interessante (urgente, na verdade) seria a de desligar a televisão e tomarmos em mãos uma boa obra literária? Será que nunca passou pelas suas ventadas que, antes de qualquer coisa, a sua cultura literária é miserável? Nesta terra de desterrados, é uma excentricidade ocupar o tempo livre para ler uma jóia da literatura universal. Bem, esperar o que de um país de analfabetos funcionais, de uma nação onde 32% dos universitários, (de)formados e em (de)formação, não são plenamente alfabetizados? Esperar o que?

Num cenário como esse toda e qualquer discussão reduz-se a uma reles assembléia de inconseqüentes inconscientes de seus atos anódinos, de suas tolas palavras de “seus” pérfidos pensamentos. Não? Então responda para si mesmo, quais são as obras da literatura universal que você teve a grata felicidade de ler? Por exemplo: já leu Os Lusíadas de Camões? Bem, uma vida sem deitar as vistas nestas linhas é uma vida indigna de ser vivida, ainda mais se você tem em mãos uma porcaria de um canudo que atesta que você obteve a tal da “educação superior”.

Por essas e outras que a indignidade se faz reinante em nosso país. Os medíocres que nos governam apenas refletem a pequenez de nossa alma que se amesquinha em uma fétida alcova de imediatismo, midiaticamente formatada, fingida e postiça em tudo mais.

Para falar seriamente sobre os problemas da educação deve-se primeiramente falar com franqueza sobre a nossa miséria humana. Como não se fala neste timbre, todas as palavras enunciadas sobre o educar, de um modo geral, não passam de mesquinharia disfarçada de preocupação.

Pax et bonum
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