VANITAS VANITATUM ET OMNIA VANITAS

Escrevinhação n. 876, redigido em 08 de março de 2011, dia de São João de Deus.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Tudo em nós é vaidade, fora a sincera confissão que fazemos perante Deus das nossas vaidades".
(Jacques Bossuet)

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Em vista do tempo litúrgico agora vivido por nós e frente às inclinações turvas que se fazem presentes em nossa alma, não podemos e não devemos, esquivarmo-nos do convite que nos é feito por aquela que é Mater et Magistra para que cresçamos em Espírito e Verdade, nos conhecendo a partir dos ensinos que nos são revelados, através das lições que nos são ministradas misteriosamente por meio de nossa vida interior em um diálogo profundo e profícuo com a Luz que nos guia.

Sim, misteriosamente. Assim Aquele que é age em nossa vida. Entretanto, os dias hodiernos, nos levam a ver com grande desdém a ação divinal em vista do culto idolátrico, presente em nossa sociedade, que se apresenta na forma de uma crédula devoção a “verdades cientificamente comprovadas”.

Atualmente, vive-se não mais centrado na sacralidade do devir, mas sim, imerso na mundanidade que se faz reinar e a nortear as almas desarmadas. Tempo este que desdenham olimpicamente a Verdade em nome do que convencionalmente chama-se de conhecimento “científico” e “crítico”, ao mesmo tempo em que não se faz a menor idéia do que é uma ciência e que não se compreende a diferença que há entre uma comprovação, uma demonstração, uma evidência e uma reles afirmação. Tempo em que se desacredita na ação misteriosa de Deus em nossa vida ao mesmo tempo em que se supervaloriza a ação humana sobre o mundo e frente à nossa vida.

Tudo isso, meu caro, não passa de idolatria, da egolatria reinante que acaba por prostituir nosso intelecto, nossa alma, às forças que tramam por nossa destruição. Forças essas que são a carne, o mundo e o diabo.

Em vista disto, o sacro tempo da Quaresma, é um sapiencial convite para o autoconhecimento que, segundo Santa Catarina de Sena, deve ser uma constante na vida do Cristão. Aliás, como a mesma alma santa nos ensina, por não nos dedicarmos ao exercício de conhecermo-nos acabamos por nos firmar no solo do orgulho, nos alimentar da seiva do egoísmo, fazendo da impaciência nossa medula e tendo por rebento em nossa vida, a falta de discernimento.

Bem, e se nos desconhecemos, e desdenhamos tal exercício, por julgamos que já sabemos tudo a nosso respeito, por que então continuamos a caminhar pela senda do pecado? Eis aí uma pergunta que não deveria ser calada. Sabemos que pecamos, então por que insistimos de maneira tão obstinada por esse caminho? De mais a mais, se desprezamos tal realidade por julgarmos que ela seja simplesmente uma questão subjetiva, uma invenção de teólogos, por que o pecado continua a se fazer tão presente em nossa alma?

Bem, por orgulho desdenhamos essa realidade, por egoísmo imaginamo-nos senhores de nossa turva vida, por impaciência desprezamos o necessário exame de consciência e, por fim, nos tornamos aquilo que a nossa falta de discernimento nos permite ser: apenas vaidade, nada mais do que vaidade.

Para combatermos o bom combate, para lutarmos essa guerra que é travada neste campo de batalha que é nossa alma, é de fundamental importância que aprendamos a silenciar nossa voz para que a Voz do Sapientíssimo possa nos falar e nós, com ele, aprendermos e crescermos. Por essa razão, devemos não apenas com os lábios entoar o nome de Jesus, mas sim, procurar seguir o Cristo, de perto, conforme nos admoesta São Josémaria Escrivá, quando este nos diz que “[...] não há outro caminho. Essa é a obra do Espírito Santo em cada alma – na tua -: sê dócil, não oponhas obstáculos a Deus, até que faça da tua pobre carne um Crucifixo”.

E vejam só como é que as coisas são. Entregamo-nos levianamente, de modo similar à uma folha atirada ao vento, à praticamente todos as sandices do momento. Basta apenas que alguém da grande mídia diga que é “cientificamente comprovado”, ou que simplesmente diga que é a última novidade que, credulamente, passa-se a adotar as mais tolas bobagens como se essas fossem a quintessência do tal “viver bem”, com “qualidade de vida”. Entretanto, somos na maioria das vezes arredios à Vontade de Deus. Procuramos miseravelmente os mais variados subterfúgios para justificar, elegantemente ou não, nossa desídia espiritual. Não apenas edificamos obstáculos em nosso coração para ação de Deus, mas, muitas das vezes, nos fazemos um torpe obstáculo se percebermos que o único condenado com esse gesto ignóbil somos nós.

Pax et bonum
Site: http://dartagnanzanela.tk

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