OS ALICERCES DA IGREJA

Escrevinhação n. 870, redigido em 24 de janeiro de 2011, dia de São Francisco de Sales e do Bem-Aventurado José Timóteo Giaccardo.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Alinhar ao centro
"Aceita tua imperfeição. É o primeiro passo para alcançares tua perfeição." (Sto. Agostinho)

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Muitos são os ataques auferidos contra a Santa Madre Igreja. Golpes estes vindos de todas as direções mundanas. E, se esses já não fossem suficientes, temos ainda, em farta quantidade, o chamado “fogo amigo”.

Porém, nessa mísera missiva, não iremos nos referir à apostasia que frutifica a partir das teologias modernistas e da teologia da libertação que injetaram no âmago da Igreja pestilências como o imanentismo, o historicismo, o materialismo, o gnosticismo e o marxismo, que reduzem tragicamente a compreensão da natureza humana e do anuncio da Boa Nova. Nosso intento é muito mais modesto. Desejamos apenas lembrar o que são os alicerces do Corpo Místico de Cristo que, em muito, se distinguem dos plúmbeos ares que o circundam e o invadem sorrateiramente.

A Mater et magistra, não se ergueu, e nem sustenta, sob um amontoado de editos, decretos e legislações sem Vida. Afirmar isso não é apenas enganoso, é uma demonstração de cabal desconhecimento do que é essa via de santidade. Sim, existem inúmeras almas indignas que integraram e integram a Eclesia Dei, mas elas não são o seu sustentáculo. São suas chagas. Aliás, como em inúmeras vezes afirmou o atual Sumo Pontífice, não é que hoje tenhamos poucos Cristãos. Sempre houve poucos. E é sob esses poucos que a Igreja se funda. E é através desses poucos que muitos encontram o Caminho, a Verdade e a Vida.

A Igreja foi edificada sob o sangue de seus mártires. Seja ontem, hoje ou nos amanhãs que estão por vir, esses é o seu sustentáculo. Essas pessoas, cada qual em seu tempo, deram um testemunho vivo do que significa viver de acordo com o Santo Evangelho, o que significa dedicar a sua vida a Cristo, entregando-a aos suplícios por amor ao Verbo encarnado.

Se cada um deitar suas vistas no conhecimento da história dos Santos de Deus compreenderia qual o papel da Igreja no mundo. Saltaria a nossa vista a multidão inumerável de milagres realizados pelo Altíssimo através do pedido intercessor dessas piedosas almas e, estando diante desses fatos teríamos, de cara, um vislumbre avassalador da presença da ação Divina no mundo, seja nos tempos pretéritos, ou nos dias atuais.

Conhecer os Santos de corpos incorruptíveis, os onze mil milagres documentados e anexados no processo de canonização de São João Bosco, o atendimento a mais de vinte mil confissões por ano realizadas por São João Maria Vianney (Cura d’Ars), a multidão de milagres realizados através das orações do Santo Padre Pio de Pietrelcina, destacando, em especial, o caso da menina cega, sem pupilas, que o procurou e voltou a enxergar logo após uma oração sua diante da mesma. Em fim, a lista não é nada pequena.

Naturalmente, todos esses homens foram perseguidos pelos inimigos internos e externos da Igreja e, por isso mesmo, essas são as pedras que se juntam a Pedra sob a qual o Senhor edificou a Sua Igreja e é a elas que devemos juntar nossos corações e orientar nossas vistas para o horizonte indicado por elas para, como elas, crescermos em Espírito e Verdade Naquele que Se fez carne.

Além disso, estudando a vida dessas almas santas temos a oportunidade singular de conhecermos o significado real do que é uma vida Virtuosa. Do que é uma vida que se transfigura na realização de uma virtude através da vivência do Evangelho de Cristo.

Tomando essa piedosa atitude, com toda certeza, ocorrerá na alma daquele que se dedicar nesta empreitada uma mudança radical na maneira de mensurar a vida humana. Não se tem como não abalar nossas mundanas convicções após conhecer a vida e a obra de um Santo Agostinho, de um São Lourenço, São Basílio Magno, de Santo Antão e tutti quanti. Sim, a multidão de santos e de seus feitos é grande. Bem maior que a nossa preguiça nos permite conhecer.

Doravante, tomando esse caminho de estudo e oração, conheceremos pessoas mais dignas do que nós. Pessoas de atos e palavras imensuravelmente maiores que nossa mesquinha pequenez. E assim, naturalmente, aqueles clichês que intentam reduzir a Igreja a uma reles instituição de poder, que conspiram para falsear a sua sacra história, desmoronam como um castelo de cartas sujas.

Nossa visão sobre a Fé, o mundo e o sentido da realidade muda literalmente quando permitimos que a Verdade adentre às janelas de nossa alma e a ilumine com os seus feixes de esclarecimento. Mas, para tanto, é fundamental que ouçamos o Mestre que nos convida a negarmos a nós mesmos para segui-Lo. Por isso, meu caro, é de basilar importância que conheçamos a vida exemplar daqueles que ouviram e obedeceram a este chamado para compreendermos do que esse grande mistério, que é a Igreja de todas as centúrias, está nos ensinando através dos séculos ao mesmo tempo em que insistimos, teimosamente, em manter a nossa alma obtusa às suas palavras vivas.

Estudando, conhecendo piedosamente os alicerces do Corpo Místico de Cristo, estaremos armando a nossa alma para nos defender dos inimigos Dele que, atualmente, abundam tanto fora como dentro da Igreja. Por isso, aprendamos como os Santos a viver como eles, a viver com eles a Vida da Igreja.

E quanto ao resto? Bem, o resto é tão só soberba dos tempos modernos e nada mais. Soberba que se disfarça das mais variadas maneiras para confundir nossa Inteligência e turvar a nossa Fé.

Pax et bonum
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