quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

PROGRAMA AVE MARIA, 27 de janeiro de 2011.


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

[pdf] OS ALICERCES DA IGREJA

OS ALICERCES DA IGREJA

OS ALICERCES DA IGREJA

Escrevinhação n. 870, redigido em 24 de janeiro de 2011, dia de São Francisco de Sales e do Bem-Aventurado José Timóteo Giaccardo.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Alinhar ao centro
"Aceita tua imperfeição. É o primeiro passo para alcançares tua perfeição." (Sto. Agostinho)

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Muitos são os ataques auferidos contra a Santa Madre Igreja. Golpes estes vindos de todas as direções mundanas. E, se esses já não fossem suficientes, temos ainda, em farta quantidade, o chamado “fogo amigo”.

Porém, nessa mísera missiva, não iremos nos referir à apostasia que frutifica a partir das teologias modernistas e da teologia da libertação que injetaram no âmago da Igreja pestilências como o imanentismo, o historicismo, o materialismo, o gnosticismo e o marxismo, que reduzem tragicamente a compreensão da natureza humana e do anuncio da Boa Nova. Nosso intento é muito mais modesto. Desejamos apenas lembrar o que são os alicerces do Corpo Místico de Cristo que, em muito, se distinguem dos plúmbeos ares que o circundam e o invadem sorrateiramente.

A Mater et magistra, não se ergueu, e nem sustenta, sob um amontoado de editos, decretos e legislações sem Vida. Afirmar isso não é apenas enganoso, é uma demonstração de cabal desconhecimento do que é essa via de santidade. Sim, existem inúmeras almas indignas que integraram e integram a Eclesia Dei, mas elas não são o seu sustentáculo. São suas chagas. Aliás, como em inúmeras vezes afirmou o atual Sumo Pontífice, não é que hoje tenhamos poucos Cristãos. Sempre houve poucos. E é sob esses poucos que a Igreja se funda. E é através desses poucos que muitos encontram o Caminho, a Verdade e a Vida.

A Igreja foi edificada sob o sangue de seus mártires. Seja ontem, hoje ou nos amanhãs que estão por vir, esses é o seu sustentáculo. Essas pessoas, cada qual em seu tempo, deram um testemunho vivo do que significa viver de acordo com o Santo Evangelho, o que significa dedicar a sua vida a Cristo, entregando-a aos suplícios por amor ao Verbo encarnado.

Se cada um deitar suas vistas no conhecimento da história dos Santos de Deus compreenderia qual o papel da Igreja no mundo. Saltaria a nossa vista a multidão inumerável de milagres realizados pelo Altíssimo através do pedido intercessor dessas piedosas almas e, estando diante desses fatos teríamos, de cara, um vislumbre avassalador da presença da ação Divina no mundo, seja nos tempos pretéritos, ou nos dias atuais.

Conhecer os Santos de corpos incorruptíveis, os onze mil milagres documentados e anexados no processo de canonização de São João Bosco, o atendimento a mais de vinte mil confissões por ano realizadas por São João Maria Vianney (Cura d’Ars), a multidão de milagres realizados através das orações do Santo Padre Pio de Pietrelcina, destacando, em especial, o caso da menina cega, sem pupilas, que o procurou e voltou a enxergar logo após uma oração sua diante da mesma. Em fim, a lista não é nada pequena.

Naturalmente, todos esses homens foram perseguidos pelos inimigos internos e externos da Igreja e, por isso mesmo, essas são as pedras que se juntam a Pedra sob a qual o Senhor edificou a Sua Igreja e é a elas que devemos juntar nossos corações e orientar nossas vistas para o horizonte indicado por elas para, como elas, crescermos em Espírito e Verdade Naquele que Se fez carne.

Além disso, estudando a vida dessas almas santas temos a oportunidade singular de conhecermos o significado real do que é uma vida Virtuosa. Do que é uma vida que se transfigura na realização de uma virtude através da vivência do Evangelho de Cristo.

Tomando essa piedosa atitude, com toda certeza, ocorrerá na alma daquele que se dedicar nesta empreitada uma mudança radical na maneira de mensurar a vida humana. Não se tem como não abalar nossas mundanas convicções após conhecer a vida e a obra de um Santo Agostinho, de um São Lourenço, São Basílio Magno, de Santo Antão e tutti quanti. Sim, a multidão de santos e de seus feitos é grande. Bem maior que a nossa preguiça nos permite conhecer.

Doravante, tomando esse caminho de estudo e oração, conheceremos pessoas mais dignas do que nós. Pessoas de atos e palavras imensuravelmente maiores que nossa mesquinha pequenez. E assim, naturalmente, aqueles clichês que intentam reduzir a Igreja a uma reles instituição de poder, que conspiram para falsear a sua sacra história, desmoronam como um castelo de cartas sujas.

Nossa visão sobre a Fé, o mundo e o sentido da realidade muda literalmente quando permitimos que a Verdade adentre às janelas de nossa alma e a ilumine com os seus feixes de esclarecimento. Mas, para tanto, é fundamental que ouçamos o Mestre que nos convida a negarmos a nós mesmos para segui-Lo. Por isso, meu caro, é de basilar importância que conheçamos a vida exemplar daqueles que ouviram e obedeceram a este chamado para compreendermos do que esse grande mistério, que é a Igreja de todas as centúrias, está nos ensinando através dos séculos ao mesmo tempo em que insistimos, teimosamente, em manter a nossa alma obtusa às suas palavras vivas.

Estudando, conhecendo piedosamente os alicerces do Corpo Místico de Cristo, estaremos armando a nossa alma para nos defender dos inimigos Dele que, atualmente, abundam tanto fora como dentro da Igreja. Por isso, aprendamos como os Santos a viver como eles, a viver com eles a Vida da Igreja.

E quanto ao resto? Bem, o resto é tão só soberba dos tempos modernos e nada mais. Soberba que se disfarça das mais variadas maneiras para confundir nossa Inteligência e turvar a nossa Fé.

Pax et bonum
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

[pdf] O CANDEEIRO E A MARIPOSA

O CANDEEIRO E A MARIPOSA

O CANDEEIRO E A MARIPOSA

Escrevinhação n. 868, redigido em 18 de janeiro de 2011, dia de Santa Margarida da Hungria, de Santo Sulpício e de Santa Prisca.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”. (Oscar Wilde)

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Recentemente o filósofo Olavo de Carvalho publicou no Dário do Comércio um artigo intitulado “Desejo de conhecer” onde o mesmo lembra-nos um dado ululante sobre nossa pérfida sociedade. O brasileiro, de maneira ampla, é avesso ao conhecer, não tem o menor amor pelo conhecimento, porém, nutre em sua mesquinha alma, uma idolatria desmedida pelos títulos e diplomas que representam a suposta aquisição deste desdenhado bem.

Trocando por dorso: vivemos no país do “eu acho”, na terra da tal da “minha opinião”, do “você sabe com quem está falando?”. Terrinha essa onde absolutamente nunca se pensa que para uma opinião poder ser emitida e respeitada deveria antes ser construída. Todavia, ouve-se um colóquio aqui, uma preleção acolá, um nhenhenhém mais adiante e tcha tchan! Temos mais um palpiteiro falando até pelos cotovelos, com todo aquele típico ar doutoral postiço, dando pitos, ministrando conselhos morais e orientações éticas para tudo e todos, sem ao menos, por um instante que fosse, ter levantado a questão que não quer calar, mas é amordaçada: “mas será que eu realmente sei do que eu estou falando”? Não. Isso não pode perguntar. Entretanto, falar sobre tudo sem realmente dedicar-se a conhecer algo, estampando o medalhão da criticidade fingida e diplomada, pode.

Naturalmente, os sujeitos mais estupidificados pela sua ignorância auto-impingida são justamente aqueles que mais se entregam de corpo e alma na defesa das idéias mais esdrúxulas crendo que, com isso, estão contribuindo para transformar o mundo em algo supostamente melhor. Entenda-se esse “algo melhor” como sendo um fruto de sua imaginação, ansiado pela sua falta de entendimento de si e do mundo. No fundo, o que estes apenas desejam não é transformar o mundo em algo melhor, mas sim, recriá-lo à sua imagem e semelhança.

Pois é, se estes senhores de olhar tão distinto quanto vazio parassem um pouquinho que fosse para francamente conhecerem a si mesmos, mais do que depressa iriam perceber a grande M que estão fazendo. Porém, os títulos, cargos e diplomas os ajudam a camuflar tudo isso.

Se eles realmente fossem sinceros para consigo mesmos, reconheceriam mais do que depressa esse vácuo que há na sustentação de seu parvo entendimento da realidade. Vácuo este que é preenchido por um reles sentimento de insatisfação, de revolta, de indignação, em fim, por um sedimento de fúria e inveja camuflado com as mais variadas fantasias “humanitárias” e “científicas” que disfarçam a mesquinharia que há nestes sebosos corações que, por covardia e ignorância existencial, estas “personas maravilhosas” se recusam encarar.

Esses elementos, quando defrontados com a realidade pérfida de suas almas, imediatamente nos perguntam: “então quer dizer que o mundo não deve ser mudado?” Não, cara pálida, a pergunta a ser feito é outra: então quer dizer que você não deve conhecer-se e tornar-se melhor para merecer esta vida? O silêncio diante desta segunda indagação mais do que denota o quanto que todos esses chiliques supostamente humanistas não passam de uma casquinha pútrida que encobre o vazio que há no indivíduo que se recusa a conhecer e conhecer-se, mas que tem um diploma, um título ou um cargo para ostentar.

Permanecer na ignorância de si, não transforma a realidade a nossa volta, mas permite que essas estranhas forças que nos habitam atuem, deformando nossa personalidade e, consequentemente, nossas ações.

Sim, somente a Verdade liberta. Somente a Verdade transforma. E se não procuramos a Verdade sobre nós, se não aceitamos a Verdade, como poderemos fazer algo bom? Mesmo assim cogitamos e justificamos ações que se encaminham por essa turva vereda por possuirmos um diploma ou por estarmos empossados em um cargo que nada significa de substancial.

Ainda, em certa feita o Papa Bento XVI havia dito que devemos lembrar que na última centúria, “[...] vieram tantos profetas, ideólogos e ditadores, que [...] criaram os seus impérios, as suas ditaduras, o seu totalitarismo que teria mudado o mundo. E mudou-o, mas de modo destruidor. Hoje sabemos que destas grandes promessas só permaneceu um grande vazio e muita destruição”. Aliás, sabemos mesmo? Queremos realmente saber?

É, nada melhor do que a ignorância de si para justificar os nossos erros. Nada mais conveniente do que justificar as nossas faltas na realidade que não compreendemos. Nada mais cômodo do que fingirmos conhecer e agir, dissimuladamente, através do nosso pueril saber. Como também, não há nada mais pérfido que isso.

Por fim, diz-nos Oscar Wilde, que as boas intenções têm sido a ruína do mundo. E continuarão a ser enquanto não tivermos a coragem de, todo santo dia, lutar silenciosamente contra essa nódoa que há em nós, amando o conhecimento mais do que aos títulos, cargos e diplomas.

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

PROGRAMA AVE MARIA, 13 de janeiro 2011.


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.


[pdf] A LUZ QUE ESTÁ PARA ALÉM DAS CHAMAS

A LUZ QUE ESTÁ PARA ALÉM DAS CHAMAS

A LUZ QUE ESTÁ PARA ALÉM DAS CHAMAS

Escrevinhação n. 868, redigido em 10 de janeiro de 2011, dia de Santa Léonie Françoise de Sales Aviat, Santo Aldo e Santo Guilherme de Bourges.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Ser fiel é não atraiçoar nas trevas aquilo que se aceitou em público”.
(Papa João Paulo II)

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Em seu livro “História do Futuro”, o sapiente Padre Antônio Vieira nos lembra que o ser humano é filho do tempo, que “[...] reparte com o mesmo a sua ciência ou a sua ignorância; do presente sabe pouco, do passado menos e do futuro nada”. Poderíamos ainda acrescer que pouco, ou quase nada, sabemos a respeito de nós mesmo por desprezarmos quem somos, quem fomos e quem haveremos de ser como fruto de nossas intenções e ações, pretéritas e presentes.

Bem, volvendo nossas vistas para o cenário cultural hodierno e, em especial, para o que se convencionou chamar de educação, percebe-se que as veredas hegemônicas em nossos dias não nos guiam para a correção desta má inclinação que há em nosso ser, mas sim, para que desdenhemos a presença dessa mácula afirmando uma auto-suficiência intelectual inexistente.

Basta ver o quanto que se enfatiza a necessidade de restrição as correções aos mancebos e a tola exaltação que se faz de seus saberes adquiridos espontaneamente. Partindo dessa prerrogativa, supostos entendidos em educação afirmam que os ditos (e não ditos) conteúdos devem ser adaptados ao aluno para que ele aprenda mais e melhor. Entretanto, o que vemos em nosso país como fruto desta impostura pedagógica? O contrário do prometido. Basta ver a colocação ocupada pelo Brasil no ranking do PISA. Muito disso se deve a essência dessa impostura pedagógica que pretende fazer com que a Verdade e a realidade sejam amoldadas e reduzidas ao sujeito e não o contrário, de permitir que o entendimento do indivíduo seja alargado através do amoldar deste às dimensões da realidade e da Verdade.

Supervalorizar nossas “verdades” subjetivas não contribui em nada na ampliação da compreensão da realidade e das Verdades sobre nós e a vida. Pelo contrário! Cimenta uma barreira que nos divorcia em absoluto desta por passarmos a imaginar que as nossas confusas impressões da realidade fossem a própria realidade. Por exemplo: imaginar que Machado de Assis é um chato não o torna um escrevinhador de quinta ao mesmo tempo em que eleva você à categoria de crítico aquilatado. Gostemos ou não, mesmo que imaginemos isso, continuaremos a ser um leitor medíocre que nunca escreveu uma carta descente para os pais e Machado, e sua obra, continuará a ser quem ele é.

Sim, a verdade não ofende, porém, a ignorância soberba e orgulhosa é um insulto a inteligência.

Em fim, o que fora apresentado acima é uma distinção tão simples que toda criança deveria ser treinada em sua prática ao ponto de incorporá-la. Todavia, a sociedade brasileira, em absoluto, a desdenha e se orgulha de tal impropério. Por essa razão, neste ínterim, lembramos as pias palavras do Papa Bento XVI que em sua homilia proferida na Paróquia Romana de São João da Cruz, nos admoesta sobre “...a necessidade de iniciar imediatamente a mudança interior e exterior da vida para não perder as ocasiões que a misericórdia de Deus nos oferece para superar a nossa preguiça espiritual”.

Sim, a proclamação e o ensino da Verdade são atos de misericórdia que, quando acolhidos, transformam nossa vida interior e exteriormente. Cada verdade aprendida passa a integrar o nosso ser ampliando o nosso horizonte de consciência, de compreensão de si e da realidade. Mas, para tanto, é fundamental que acolhamos virtuosamente esse gesto gratuito da misericórdia Divina.

Sim! Da Misericórdia Divina. Sobre este ponto, o finado Pontífice João Paulo II (em homilia proferida em 26 de janeiro de 1979 no México), nos orienta para que sigamos o exemplo da Virgo Fidelis. Tal qual a Santíssima Virgem, devemos BUSCAR o entendimento profundo da Verdade e, quando encontrá-lo, ACOLHE-LO humildemente. Após o acolhimento, devemos sinceramente viver com COERÊNCIA e CONSTÂNCIA o que fora aprendido para realmente nos distanciar das veredas da bestialidade.

Entretanto, o coração humano na maioria das vezes não se apresenta como um porto ansioso para que aporte em seu cais a caravela da Verdade. Aliás, como nos ensina, mais uma vez, o Padre Antônio Vieira, em seu Sermão da Sexagésima, há corações tomados por espinhos, pelas preocupações mundanas, com suas delicias e promessas de fortuna. Outros portam corações obstinados com seus erros (verdades pessoais) como pedras. E ainda há os corações inquietos entregues aos fluxos e influxos do momento, atormentados que não permitem ser iluminados e guiados pela verdade e, nesta confusão subjetiva, procura-se um caminho qualquer que alivie a alma, ignorando a realidade da humana ignorância.

Sim, para sermos plenamente humanos é fundamental que sejamos capazes de ouvir zelosamente as instruções ministradas pela realidade para que cresçamos em Espírito e Verdade na direção desta plenitude. É de basilar importância que a educação procure expressar e ensinar as vias da Verdade no horizonte da realidade e que se dê um basta em todo esse trololó ideológico marxista, com toda ordem de hostes materialistas, que tomou conta de nosso sistema educacional e dos canais de expressão cultural.

Infelizmente, como isso não ocorrerá, cada um pode dar um basta a toda essa maré de águas turvas para que possamos enxergar a realidade que há para além de nossa indignação miúda advinda de nossa ignorância a nos impingida com nossa total complacência por confundirmos o amor a sabedoria com a néscia bajulação ao nosso ego despido de sentido e inflado de vaidade.

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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

[pdf] VITÓRIA PÍRRICA À MODA DA CASA

VITÓRIA PÍRRICA À MODA DA CASA

VITÓRIA PÍRRICA À MODA DA CASA

Escrevinhação n. 867, redigido em 04 de janeiro de 2011, dia de Santa Ângela de Foligno e de Santa Elisabete Ana Baylei Seton.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam nada." (Edmund Burke)

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Sobra em nossa mídia à presença de “analistas” que não medem esforços em manifestar a sua patológica partidolatria (uma variante da Estadolatria a muito denunciada pelo finado Papa Leão XIII) em um misto com a mais pura e servil bajulação. Isso muito se deve a mentalidade tacanha que se assenhora em nossa sociedade, que elege como critério máximo de avaliação de algo a mera simpatia e antipatia que se tenha para com esse e aquele outro.

De um modo geral, é esquecida a pergunta que solicita a apresentação dos valores que justificam a simpatia e a antipatia em relação a isso ou aquilo. É natural que uma criança adote o reles gostar e desgostar como critério de apreciação do mundinho a sua volta, porém, quando estamos diante de um adulto, cheio de títulos e pompas, que avalia a realidade por estes critérios reduzindo a percepção do real à dimensão de seu mundinho surreal é algo que deve ser meditado com a devida seriedade. Pena que isso não ocorre.

Talvez, um caso interessante seja o último pleito eleitoreiro que consagrou nas urnas a senhora Dilma Rousseff. A massa ululante da grande mídia não se cansa de ufaná-la pela sua grande votação, pela sua popularidade, pela sua vitória que seria uma clara manifestação do desejo do povo brasileiro de ver a continuidade do governo petista. Bem, caminhando contra a corrente de bajuladores, atrevo-me a perguntar: será mesmo? Toda vez que folheio um jornal na internet vêm-me a mente as palavras do poeta portenho Jorge Luis Borges, onde o mesmo dizia que a democracia não passa de um abuso da estatística. No caso da sociedade brasileira, isso é mais do que verdadeiro.

Se não, vejamos: pelos dados oficiais apresentados a partir dos votos tidos com válidos, a atual Presidente teria sido consagrada nas urnas com 56,05% dos votos. Perfeito. Porém, sejamos um pouco mais ousados e adentremos nas vestes estatísticas para qualitativamente avaliarmos esse dado, mesmo que de maneira breve. A candidata petista, nas eleições de 2010 recebeu 55.752.092 de votos. Bem, então somemos o total de votos dos cidadãos que não mais estão de acordo com o rumo canhoto que vem sendo dado ao nosso país. Somemos: 43.710.422 confiados a José Serra (que lhe foram dados em sinal de rejeição a Dilma, não pelo mérito de sua pessoa ou de seu partido), mais 2.452.591 de votos brancos, mais 4.689.310 de votos nulos, mais 29.000.000 (aproximadamente) de votantes que não compareceram às urnas (pelas mais variadas motivações, mas, principalmente devido à “coincidência” do dia da votação ser próximo de um feriado). Noves fora zero, o resultado é: 79.852.353 de cidadãos que não querem mais saber do rumo rubro que vem sendo tomado em nossa pátria.

Lembremos ainda outro ponto que julgamos ser de significativa relevância neste caso. Vejamos: a abstenção no segundo turno desta eleição, segundo o TSE, foi recorde. Não apenas isso, meu caro. Não nos esqueçamos que nós vivemos em um país onde o voto é compulsório. Em um país onde se é obrigatório o comparecimento às urnas termos uma abstenção desta envergadura (pouco mais de 1/5 do eleitorado), dá-nos um dado bastante interessante a ser analisado, mas que, nem de longe foi abordado pelos pretensos analistas que estão muito mais interessados em adular a vitória petista do que refletir sobre o significado mais amplo deste pleito.

E tem mais. Se compararmos os votos recebidos pelo senhor Lula em 2002 com os que foram depositados na conta de Dilma em 2010, perceberemos que o crescimento do eleitorado petista foi pouco significativo nos últimos 8 anos. Em 2002 Lula recebeu 52.793.364 de votos. De lá pra cá, tendo a máquina Estatal em mãos e com o presidente fazendo campanha para sua candidata do Oiapoque ao Chuí, estes tiveram apenas um crescimento de 2.952.728 votos. Mesmo com todo o esforço despendido o resultado foi este. Sim, uma vitória, mas uma vitória pírrica.

Detalhe importantíssimo: Pirro, após sua vitória, teve de enfrentar a força do Império Romano e caiu. Quanto aos Petistas, quem realmente está disposto a enfrentá-los? Quem? Notadamente, no Brasil, a tibieza é geral, a incompreensão da conjuntura é absoluta, o oportunismo se faz reinante o que permite que as hostes petistas continuem indefinidamente no poder, gostemos ou não disso.

Doravante, mais uma vez lembramos através de nossa parva pena que o povo brasileiro é essencialmente conservador. Porém, não se vê no cenário político brasileiro canais para manifestar os valores que fundam a sociedade. Pior! Os canais existentes não estão aí para representar os valores da sociedade, mas sim, para transformá-los de acordo com os devaneios das pérfidas convicções ideológicas dos elementos que ocupam os canais de representação existentes.

Antes de findarmos, perguntamos: quem disse que o Estado está autorizado a transformar a sociedade? Sim, um Estado Totalitário arroga para si esse papel, mas não, um Estado Democrático de Direito, que deve apenas representar a sociedade e fundar-se nela. Por isso, meu caro Watson, como falar em democracia num país que não apresenta canais que representam os valores da sociedade, mas sim, apenas os valores de grupelhos que desejam transformá-la em algo que eles imaginam ser melhor? Aliás, quem auferiu esse poder as potestades reinantes? Eles dirão que foram as urnas. Sim, as urnas dizem isso na medida em que eles apresentam apenas o que lhes convém e não o que elas comunicam. E o que elas comunicam é algo bem diverso dos confetes e paetês ostentados pela grande mídia.

E mesmo assim a apatia e o desfibramento nesta terra de desterrados é geral.

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