sábado, 31 de dezembro de 2011

O Demônio da Distração - Wolfgang Smith

O Demônio da Distração - Wolfgang Smith

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Credo de Dom Quixote [Mídia sem Máscara]

Creio na sabedoria divina criadora do cosmos;
Creio no cavalheirismo dos libertadores de bons prisioneiros; creio no amparo aos perseguidos, e aos necessitados, ávidos de justiça e de liberdade.
Creio no orgulho ante os poderosos; na justiça ante os maus; na magnanimidade ante os bons e os mansos, na delicadeza ante as mulheres e as crianças.
Creio na coragem; no domínio dos desejos e no amor eterno.
Creio na vida e na morte; amo as sombras dos bosques e a luz plena do meio-dia.
Creio na cavalaria andante, realização suprema do homem bom e viril.
Creio que há sempre um ideal a conquistar; feiticeiros que combater, duendes que enfrentar, e monstros que destruir.
Creio na necessidade do mal para maior glória do bem.
Creio na noite para maior glória do sol, e no sol para maior glória da lua, inseparáveis amigos e confidentes dos campeadores do ideal.

SANTOS, Mário Ferreira dos. Antologia da Literatura Mundial - Páginas Várias.
São Paulo: Editora Logos, 1ª edição, 1960.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

VIVA SÃO TOMÁS BECKET!

"Morro de boa vontade por Jesus e pela santa Igreja", disse-lhes; e eles abateram-no com as espadas.

Filme em 15 partes



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

UM BALANÇO GERAL

Escrevinhação n. 926, redigido em 27 de dezembro de 2011, dia de São João, Apóstolo e Evangelista.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Todo ano novo, nós, brasileiros, de um modo geral, escancaramos o ser macunaímico, a infantilidade latente da moralidade de nosso ethos societal. Sociedade esta que, com todas as suas forças, nega-se a atingir a maior idade, idolatrando a sua inconstância moral.

Feito crianças que acreditam na existência de papai Noel e na presença terrificante da Kuka nas redondezas, adultos de todas as tribos apegam-se a uma mandinga, a uma superstição, como se o pio respeito a esta, ou aquela, fosse mover forças cósmicas que conspirariam a nosso favor, transmutando nossas vidas em algo mais benfazejo, similar ao nosso velho Macunaíma que depositava todas as suas esperanças nas forças telúricas da pedra de Muiraquitã.

Obviamente, não estou culpando as superstições pela baixa moralidade brasileira. O que estamos afirmando é que o frenesi em torno dessas, nas vésperas do ano nascente (com direito a dicas televisivas) é um sintoma da enfermidade da alma brasileira que, ainda, não atingiu a maturidade moral necessária para assumir a responsabilidade pela sua vida, pelo seu destino, preferindo crer que esta poderá ser resolvida se for tutelada por terceiros representados por forças ocultas ou por sujeitos que se apresentem como sendo um Muiraquitã Pantocrator.

Este ano, 2012, será mais um ano eleitoreiro onde celebraremos a nossa incapacidade cívica em nossa patética procura por um Salvador desta Pátria sem patriotas e, neste cenário, o terrível não é o vale tudo pelo voto espetáculo. Esse é apenas um ridículo detalhe e nada mais. O terror reside mesmo na imagem das propostas que são apresentadas com toda aquela pompa de “otoridade”. Propostas estas que claramente apresentam os seus proponentes como sendo uma espécie de “pai de todos”, um demiurgo que irá recriar tudo e, quanto a nós, cidadãozinhos, como incapazes, infantilizados, que não sabem agir em nome do bem comum, por desprezarmos o que nos é comum e por ignorarmos o que é o bem.

E, se este cenário repete-se, ciclicamente, a cada quadriênio, não é tão só pela sua eficiência retórica, mas também e principalmente, porque há nele um reflexo claro de nossa baixeza, de nossa incapacidade de assumirmos de maneira responsável as rédias de nosso destino, preferindo preteri-las para que as “otoridades” as assumam e, deste modo, continuem sendo nossos senhores e nós, seus ranhetas e indignados súditos.

E, contra isso, meu caro Watson, não há mandinga que nos defenda.

Pax et bonum
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

EIS QUE O AMOR SE FEZ CARNE

Escrevinhação n. 925, redigido em 20 de dezembro de 2011, dia de São Domingos de Silos.

Por Dartagnan da Silva Zanela

O amor em sua forma plena é sacrifício, um gesto abnegado, gracioso, onde o amante vê-se apenas movido pelo bem da amada. O amor não nos leva a perguntar sobre a serventia do objeto ou da pessoa amada, porque ele não é utilitarista. É simplesmente o que deve ser: uma força que move o amador a imolar-se em nome da realização daquele que é apontado pelo amoroso caminhar como razão de nosso viver.

O amor não é um reles sentimento. É antes uma realidade ontológica. Não haveria sociedade humana, não existiria humanidade sem a realidade do amor. Tal afirmação parece um tanto estranha em uma sociedade como a nossa que tanto gosta de repetir mantras vazios que declaram que somos maus e pérfidos por natureza, porém, esquecemo-nos que tal maledicência é uma inclinação acidental em nós e não um elemento fundante do ser.

De tão acostumados que estamos à essa turva ladainha, que esquecemos que estamos neste mundo por meio de um gesto de amor. Ora, se fôssemos maus por natureza nossas mães nos teriam atirado contra parede quando chorávamos no meio da noite. Se o amor não fosse o elemento fundante da vida, nossos pais nos abandonariam frente à primeira decepção. Entretanto, não é isso o que ocorre e, quando ocorre, nos escandalizamos.

Aliás, temos nossa alma tão impregnada pelas midiáticas imagens que acabamos por inverter a ordem do real, tomando a cruel exceção como sendo a regra. Basta que perguntemos a qualquer adolescente abestalhado ou para um douto ignorante diplomado qual é o tom da natureza humana que estes nos afirmarão que é má, sem ao menos ponderar sobre o dito.

Todavia, Deus em seu infinito amor, incompreensível e inabarcável por criaturas finitas como nós, se faz pequeno e inerme para nos ensinar, para nos lembrar daquela lição que jamais poderíamos ter esquecido. De que Ele nos criou a sua imagem e semelhança não porque Ele precise de nós, mas porque ele nos ama desde a Eternidade. Que Ele entregou o Seu Filho unigênito ao sacrifício porque nos perdoou de todos os nossos infames pecados. Ele, que é infinito amor, se fez pequenino e fraco, para nos lembrar que fomos feitos para sermos grandes e fortes no amor e não mais mesquinhos como a carne, o mundo e o demônio sugerem que sejamos.

Por fim, foi através de um gesto de amor que a humanidade surgir, e por um gesto amoroso que ela se renova. No Gênesis o Altíssimo nos fez e disse que o homem era muito bom e, na gruta de Belém, nos diz que não devemos, jamais, nos esquecer disso. Jamais.

Um Santo Natal a todos.

Pax et bonum
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domingo, 18 de dezembro de 2011

Como reagir diante das perseguições que a Igreja sofre?

A visão apocalíptica da mulher revestida de sol, perseguida pelo dragão e indo para o deserto é a imagem atual da Igreja de Cristo. O grande dragão das ideologias, personificação moderna da maldade e do próprio Satanás investe com força cada vez maior contra os filhos de Deus.

Então, como o cristão deve reagir a esses ataques?

O Papa Bento XVI socorre seus filhos recordando a força de nossa mãe, a Virgem Maria. Ela, que tem o poder de esmagar a cabeça da serpente, oferece quatro armas para vencer essa luta. Quais são essas armas? É o que o programa Parresía desta semana apresenta.


Do blog de José Carlos Zamboni

07/12/2011. Hoje todos falamos mal do politicamente correto, inclusive na universidade, seu centro gerador, mas não dá para esquecer que quem abriu caminho para melhor enxergar a imbecilidade da coisa, quase solitariamente, foi o filósofo Olavo de Carvalho, no início dos anos 90.

Lembro do colega que, em 1992 ou 93, apareceu com um recorte da Folha (quando ainda deixavam o Olavo escrever lá), sintetizando por escrito tudo o que ele e eu já começávamos a murmurar pelos corredores da Unesp, mas ainda sem coragem de enfrentar o establishment acadêmico com aquelas ideias na contramão.

O imbecil coletivo, primeiro livro de projeção do filósofo, vai ficar na história da cultura brasileira como marco decisivo da inteligência, toque de alarme para acordar o país já à beira do buraco. Mas o país não ouviu e mergulhou — fundo, fundo, fundo — na merda.

http://www.jczamboni.com.br/

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Os dois senhores da CNBB

Por Leonardo Bruno

Escapou pela internet a notícia de que a CNBB fez um acordo secreto com a senadora Marta Suplicy, para aprovar tacitamente o PLC 122, a famigerada “lei anti-homofobia”. Em nota publicada na página da CNBB, de 7 de dezembro de 2011, a mesma negou que houve um acordo. Deu a entender que ocorreu apenas uma conversa, em audiência no dia 1º de dezembro de 2011, quando a entidade escutou a proposta da senadora, e reiterou o compromisso de “combater todo tipo de discriminação”. Linguajar visivelmente suspeito o do emissor da nota, o Cardeal Raimundo Damasceno Assis, de Aparecida.

Revelam-se aí duas versões diferentes e contraditórias. A pergunta que não quer calar é: quem está mentindo? Dona Marta Suplicy, que confirmou o apoio da CNBB? Ou a autonomeada entidade representante dos bispos do Brasil, que diz negá-lo? Se for verdade que existiu um acordo entre a política petista e os bispos (e muitas fontes confiáveis confirmam), a CNBB mostrou que é covarde, mentirosa e indigna do mínimo respeito de qualquer católico sério deste país. Diria mais, indigna do respeito de qualquer cristão. [leia mais]

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

NOITE ESCURA - São João da Cruz

E MINERVA DESCANSA EM MEIO A TURBULÊNCIA

Escrevinhações n. 924, redigido em 13 de dezembro de 2011, dia de Santa Luzia e de Santa Otília.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Por que minhas palavras negam-se a tecer qualquer gentileza frente as almas que se empavonam com toda ordem de trocadilhos politicamente corretos e chavões críticos provenientes de uma consciência apatetada? Por que sou uma pessoa tão ruim de pena (e boca) tão suja? Talvez, penso eu, porque quando a hipocrisia é elevada a categoria de sumo bem o sujeito reduz-se a uma condição infra-humana, vendo a si mesmo como uma fotocópia apolínea da perfeição que não detém e nem mesmo deseja e que, na verdade, despreza. É difícil respeitar algo desta monta.

Cabe lembrar que não sou contra a promoção social de uma pessoa menos abastada como esses tipinhos pensam. Aliás, somente idiotas, como os cidadãos bons-moços, imaginam isso. Talvez, o que eles não percebam, e não querem perceber, é que há uma diferença muito grande entre promover alguém mediante os seus méritos e esforços e simular promover alguém dizendo que ele poderia ser promovido se a sociedade permitisse, desdenhando o necessário mérito e o indispensável esforço.

O desprezo que eles têm pela meritocracia, no fundo, não é um sinal de amor pelos tais excluídos, mas sim, um simulacro canalha utilizado vilmente para camuflar a sua total falta de mérito e bem como a sua inabarcável desídia moral e intelectual. No fundo, todo esse falatório crítico e socialmente (ir)responsável não sinaliza um sincero amor ao próximo, mas sim, uma dissimulada idolatria de si mesmo que se camufla em meio a um amontoado de palavras emotivamente lambidas.

Doravante, a imagem que estes passam, ao menos para os meus olhos deste carcamano desalmado, é a de um covarde moral, de um inepto intelectual que se esconde com sua mesquinharia e pequenez atrás dos fracos para, deste modo, sentir-se fortinho e bonzinho. Trocando por miúdos, esses sujeitos não passam de vampiros do infortúnio alheio.

Bem, se você é uma destas sebosas almas, não se enfeze. Reflita. Dizer ao mais fraco que ele é fraco não o fortalece. Tirar a parcela de responsabilidade pessoal e dizer que a sociedade é que deve ser responsabilizada pela existência de cada um não emancipa ninguém, mas sim, aprofunda a sua débil condição. De mais a mais, esconder-se com sua nulidade à sombra dos fracos com esse discursinho pedante é pura safadeza, mesmo que se diga o contrário.

Por fim, digo, e não me canso de repetir, que é dever do forte fortalecer o mais fraco do mesmo modo que é obrigação do fraco querer fortalecer-se para não mais depender dos favores dos covardes. Sim, uma empreitada desta monda é trabalhosa e desgastante, visto que, preocupar-se é agir, amar implica sacrifícios, o que é bem distinto de nosso cotidiano fingir.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Marketing do Desejo

Por Luis Felipe Pondé

É verdade que resistir ao desejo não garante felicidade alguma, mas uma cultura dominada pela ideia de felicidade é uma cultura de frouxos. Mas outra verdade, não menor do que a anterior, é que o desejo pode ser um companheiro traiçoeiro. A afetação da felicidade faz de nós retardados mentais. Eu nunca confio em gente feliz. [leia mais]

Gravação da aula ao vivo: "PL122 - A lei da mordaça gay"

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

DA MISÉRIA NOSSA DE CADA DIA

Escrevinhação n. 923 redigido em 06 de dezembro de 2011, dia de São Nicolau de Mira.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Afirma Nicolás Gómez Dávila que “há dentro de todas as coisas a indicação de uma possível plenitude”. Sim, em tudo e em todos há uma tendência a realização plena do ser. Todavia, para qual norte tendemos? Para qual direção fiamos o nosso caminhar? Sim, essa é uma pergunta aparentemente banal, porém, não tão banal e vazia quanto à forma como vivemos os nossos dias por esse vale de lágrimas.

Quando se aproxima do término de um ano letivo, cremos que seja uma ocasião impar para realizarmos um exame de consciência, sincero, profundo e profícuo e não raso e promiscuo como tudo o mais. Para tanto, penso que a presença de algumas perguntas seria de bom tom para que essa apreciação atenda razoavelmente os seus objetivos. Primeiramente, tudo o que aprendemos e vivemos neste ano é digno de ser levado conosco para a eternidade? Aliás, o que realmente aprendemos e vivemos neste ano que seja digno?

Podemos, também, modificar um pouco essa indagação. De tudo o que realizamos neste ano, o que nos faria corar de vergonha por toda eternidade? Tudo o que fizemos neste ano poderia ser testemunhado por nossos filhos (ou por nossos pais)? Ora, quem de nada senvergonha-se, que atire a primeira pedra! Se sim, diga-me: você bate, violentamente, contra seu peito ou se orgulha de estar todo enlameado?

Percebemos com uma finesa hipócrita a indignidade de outrem, todavia, vemos e não enxergamos, e nem reconhecemos, a miséria que há em nós que nos faz ser quem somos.

Nesta época do ano temos nossos olhos estão fitados para os festejos que se aproximam e nos esquecemos, nos esquivamos pra falar a verdade, desta tarefa, deixando-a para o dia de são nunca, ou para mais tarde, se possível for. Entretanto, mais uma vez, recorremos ao conselho do hercúleo escritor citado no início desta missiva que, enfaticamente, nos diz que uma alma aberta e nobre sentirá a ambição de aperfeiçoar e lograr a plenitude. Sim, mas aí, mais uma vez, pergunto: quem de nós é nobre? Quem de nós sabe realmente o que significa o fardo da nobreza?

No país do “sabe com quem você está falando?”, a nobreza não passa de um flatus vocis. Agir nobremente é um insulto a mediocracia reinante que reduz a plenitude humana a um reles dar-se bem, não importando os meios, nem as consequências, muito menos o que seja o tal do “bem”. Quanto a vergonha, quanto ao nosso desnudamento frente à tribuna da consciência, reduzem-se a expressões não significativas que bem nos servem para camuflarmo-nos frente aos nossos iguais e esquivarmo-nos de nós mesmos.

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

MENSAGEM MARIANA E SUA ATUALIDADE

Escrevinhação n. 922, redigido em 29 de novembro de 2011, dia de São Saturnino de Toulouse.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Há momentos em que a realidade devela-se diante de nossa vista de modo tal que nos sentimos arrebatados. Na semana que passou tive uma dessas experiências quando, próximo do término Santa Missa celebrada no Santuário do Passo da Reserva (em Reserva do Iguaçu), foi dramatizada a Aparição de Nossa Senhora em Fátima ao som da Ave Maria de Schubert. Encenação essa organizada pelas catequistas da paróquia Nossa Senhora de Belém.

Não apenas a beleza era singular, como a inocência apresentada pelas crianças e adolescentes que participaram deste singelo tributo à nossa Mãe Espiritual. Senti-me participe daqueles acontecimentos. Silenciei-me interiormente. Fiquei, por certo momento, taciturno, diante da solidão da mensagem de Fátima que, infelizmente, não encontra nos corações humanos a necessária ressonância.

De mais a mais, pergunto: o que a Virgem Santíssima pede a todos nós em sua aparição ocorrida em 1917 nas lusitanas terras? Em que medida, nós, ditos fiéis Católicos temos acatado as advertências e orientações que foram proferidas pelo Trono da Santíssima Trindade? Aliás, o que, de fato, ocorreu em Fátima e qual a importância, específica, desses acontecimentos para história do século XX e, de modo geral, frente à história de todos os séculos? Três perguntas que não deveriam, de modo algum, ser desprezadas. Mas, infelizmente...

Doravante, não temos, e nem devemos, ousar responder essas três indagações de modo raso, de maneira resumida. Isso seria um insulto a inteligência humana e uma ofensa descomunal para com a Senhora de bendito ventre. Entretanto, não podemos deixar de lembrarmo-nos do que há de central na mensagem Mariana de 1917 apresentada ao mundo em língua portuguesa. Nesta, Nossa Senhora pede para nos convertermos, rezarmos e nos penitenciarmos, principalmente, pelos infiéis (de toda ordem), porque eles não compreendem a gravidade de seus atos.

Bem, e o que fazemos? Estamos procurando elevar nossa vida moldando-a de acordo com as luzes do Evangelho ou, presunçosamente, fiamo-nos no intendo de reduzir a Boa Nova à pequenez de nossa existência miúda? Fazemos da oração o coração pulsante de nossa vida ou, apenas, repetimos as sentenças de nossas preces mecanicamente como elas fossem uma reles obrigação social? Penitenciamo-nos diante do Altíssimo ou somos daqueles que creem ser tão justos que tais práticas não seriam condizentes com sua “pia” condição?

Lamentavelmente, não nos envergonhamos da maneira negligente que vivemos nossa fé, porém, se não temos vergonha de nossa mesquinhes, a mensagem em questão dificilmente encontrará um solo fértil em nosso conturbado coração.

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

[pdf] IN MEMÓRIA: ISABEL, A REDENTORA

IN MEMÓRIA: ISABEL, A REDENTORA

IN MEMÓRIA: ISABEL, A REDENTORA

Escrevinhação n. 921, redigido em 22 de novembro de 2011, dia de Santa Cecília e do Bem-aventurado Tiago Reggio.

Por Dartagnan da Silva Zanela

No ano da Graça de 1888 fora assinada a áurea lei que dava um golpe capital ao regime escravocrata que maculava a marejada face desta mãe gentil. O jornalista abolicionista José do Patrocínio, nesta abençoada data, adentrou o recinto imperial e atirou-se junto a seus pés da senhora das mãos justas que empunharam a bendita lei e, tomado por prantos de júbilo, disse que a História sempre haveria de fazer jus à Princesa Redentora.

Todavia, Dona Isabel não apenas assinou a lei de 13 de maio. No correr de sua vida, desde a sua mocidade, fiou-se na luta abolicionista. Inúmeras vezes ela abrigou, escondeu, escravos fugitivos em sua residência, financiou a alforria de inúmeros escravos com seus próprios recursos e apoiava abertamente o Quilombo do Leblon. Cade destacar o fato de ela participar ativamente dos trabalhos do movimento abolicionista, inclusive na arrecadação de fundos que eram utilizados para comprar a liberdade de cativos.

A princesa das camélias era uma Cristã Católica devotíssima de Nossa Senhora Aparecida, tendo visitado inúmeras vezes o santuário mariado da Virgem Negra. Inclusive, presenteou a Coroa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (uma promessa) que, em 08 de setembro de 1904, foi utilizada na coroação da Rainha do Brasil.

Em sua capela particular (como em toda residência), as camélias brancas, símbolo do abolicionismo, se faziam presentes como um sinal claro de seu engajamento. De maneira especial em sua capela onde, em suas orações, pedia por aqueles que ela lutava.

Joaquim Nabuco, outro grande abolicionista, declarou que o preço da abolição da escravidão seria o trono daquela que teria sido conhecida como Dona Isabel I, imperatriz do Brasil. Ele estava certo mais uma vez.

Infelizmente, a Redentora não teve tempo de realizar outro sonho seu (de Joaquim Nabuco e doutras aquilatadas almas), que era a indenização dos escravos via reforma agrária. Ainda, é importante lembrar, que a princesa Isabel, por sua abnegada dedicação a causa da liberdade, foi condecorada com a Rosa de Ouro pelo Papa Leão XIII.

Por fim, lamento meu caro José do Patrocínio, mas, a sociedade brasileira hodierna não mais honra devidamente a memória desta grande Estadista, desta singular Cristã. Prefere-se, em seu lugar, a memória de um homem autocrático, que tinha muitos escravos, caçava outros tantos nas fazendas próximas de seu reino (Palmares) e que tratava com grande crueldade os mesmos. Quanto à ideia de abolição, essa via-se ausente de seu horizonte de consciência.

Essa vil troca, de Isabel por Zumbi, mostra-nos em que estado encontra-se a nossa consciência da dignidade humana nesta terra de desterrados.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

[pdf] A REPÚBLICA DE NINGUÉM

A REPÚBLICA DE NINGUÉM

A REPÚBLICA DE NINGUÉM

Escrevinhação n. 919, redigido em 15 de novembro de 2011, dia de Santo Alberto Magno e de São Leopoldo III.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Refletir sobre a experiência republicana brasileira é uma tarefa inglória, porém, como todas as tarefas desta monta, faz-se necessário que a abracemos como um fardo pessoal. Sim, todos conhecem claramente a imagem turbulenta que assombra nossa nau capitânia, essa mátria republicana, tratada como meretriz, chamada Brasil, mas, o que fazemos por nossa mãe gentil? O que fazemos para lavar a honra desta que nos pariu e que, dia após dia, vê-se enxovalhada por biltres de toda ordem de desqualificação, o que? Nada?

Nada já seria alguma coisa. Fazemos pior! Ficamos nos lamentando pelos cantos feito ratos em um paiol velho, choramingando como criancinhas mimadas pelos regalos da vida moderna, por sentirmo-nos vilipendiados em nossos sacrossantos direitos de cidadãozinho pagador de impostos que alimentam o erário que é utilizado para fins, no mínimo, duvidosos.

Perdoem-me a indelicadeza, mas, um cidadão de fato não porta-se assim. Aliás, nem mesmo um súdito, vassalo de um rei. Apenas os fracos e pusilânimes portam-se deste modo. Também, está muito distante da imagem de uma civitas essas figuras que creem que um chulo protesto forma a fibra basilar de um sujeito politizado e atuante.

Aliás, esses tipinhos recorrem prontamente ao jus esperniandi, porém, em regra, quem recorre ao seu sacro direito de espernear, não está clamando pelo bem público, mas sim, para defender um interesse pessoal, grupal, que em nada beneficia a tal da coletividade anônima ofendida. Ou seja, é muito mais uma manifestação egolátrica disfarçada de cidadanite do que outra coisa. Um comportamento típico da multitude ignara que se fantasia de gente com um diplominha na parede.

Ser cidadão é chamar para si a responsabilidade pela vida. Por nossa vida e pela da comunidade. Agir de modo cívico é amar a cidade, porém, não nos esqueçamos que o amor se demonstra não apenas com palavras toscas e vazias, mas sim, com atitudes, com gestos que demonstrem vivamente esse sentimento.

Infelizmente, nosso amor pela república não ultrapassa as fronteiras de nosso quintal. Esperamos, bravinhos, que o poder público se responsabilize por tudo mesmo sabendo das inúmeras limitações deste. Amamos tanto nossa república que nos esquivamos dela, ficando entocados em nossa alcova, lamentando os rombos em nosso bolso contribuinte, vertendo lágrimas (depre)cívicas sem nunca termos agido de maneira abnegada em favor do próximo ou mesmo em prol do bairro.

Pois é, um súdito serve à coroa, um cidadão ama sua pátria e o brasileiro, por sua deixa, acima de tudo idolatra seu umbigo e não serve à nada que vá para além disso.

Dito isso, viva a República! República de todos, de ninguém, de qualquer um.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

[pdf] A GAMELA ESTÁ FURADA

A GAMELA ESTÁ FURADA

A GAMELA ESTÁ FURADA

Escrevinhação n. 917, redigido em 25 de outubro de 2011, dia de São Félix e São Proclo.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Ensina-nos o escritor Nícolás Gómez Dávila que “os reformadores da sociedade atual se empenham em decorar os camarotes de um barco que está naufragando”. Quando li esta frase da lavra deste aquilatado escritor colombiano, a primeira imagem que veio à minha mente foi a do espírito reformista forever que toma conta de nosso sistema educacional.

Bem, em se falando disso, reflitamos sobre a própria ideia, mal colocada, das infindáveis reformas que há décadas vem sendo implantadas e abusadas, desta sanha por destruir os alicerces de toda a sociedade justificada no intento de melhorá-la.

Quanto, por exemplo, reforma-se uma casa, procura-se apenas reparar os danos que se fazem presentes nela e/ou ampliar-se aqui ou acolá. Todavia, quando se procura trocar os alicerces dessa, o que se têm, antes de qualquer coisa, é um ato insensato. Isso mesmo! Se mexermos nesses a casa cai. Todos sabem disso, menos os ditos reformadores forever do sistema educacional.

Literalmente, os pontos fundamentais de nosso sistema educacional foram totalmente demolidos pelo espírito suíno disfarçado de bom-mocismo que hoje se faz hegemônico em nossa sociedade. A casa caiu sobre as cabeças dos professores, alunos, funcionários e famílias, todos estão vendo os escombros diante de seus olhos e sentindo-os sobre suas cabeças. E, diante disso, o que fazemos? Fechamos as janelas de nossa alma para essa ululante realidade que é o fato de que as melhores intenções nesta seara renderam pútridos frutos que, hoje, estamos colhendo.

Sim, não são poucos os que decoram a tragédia educacional de nosso país, apontando para progressos fictícios e para a necessidade de um maior aprofundamento das mudanças que nos condenaram ao estado em que nos encontramos. Todavia, se a casa já está no chão, o que, ora bolas, pretende-se agora demolir? Não é por menos que a Sacra Escritura nos ensina que o pior cego é aquele teimoso que vendo, recusa-se a enxergar.

Creio que, tal impostura, deva-se a uma necessidade voraz em não admitir que nossa geração errou e errou feio. Ninguém, praticamente, quer admitir que nossos antepassados é que sabiam educar, pois muitos teriam que reconhecer que construímos toda a sua carreira sobre um flácido lamaçal e, salve engano, reconhecer os próprios erros e corrigi-los, assumindo plenamente a responsabilidade pelos seus atos é algo que exige uma maturidade moral e intelectual de grande envergadura. Mas, como gente dessa envergadura é um tipo raro nestas paragens, creio que continuaremos de vento em popa nesta épica marcha para o brejo ritmada ao batuque politicamente correto da gamela furada.

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

ENTREVISTA COM ROBERTO CAMPOS - RODA VIVA

O silêncio não vai ajudar a Igreja”, diz padre Paulo Ricardo

Paulo Ricardo de Azevedo Júnior é um padre no sentido pleno da palavra. E não apenas por usar batina. Eis um padre que segue o catecismo, o missal e a doutrina católica. Um padre que defende a Igreja e o papa. Um padre estudioso e com grande domínio da palavra. Um padre que conhece profundamente as questões canônicas. Um padre que fala de vida espiritual. Um padre que não ignora este mundo, mas sem jamais esquecer o outro. Um padre que não se furta a criticar outros sacerdotes, sobretudo o chamado “clero progressista”, ligado à teologia da libertação. Um padre à maneira antiga – tão antiga quanto os 2 mil anos da Igreja Católica.

Com todas essas qualidades, o padre Paulo Ricardo está fazendo um grande sucesso com seu trabalho de evangelização na internet. Através do site padrepauloricardo.org, ele diz o que pensa para um público cada vez mais amplo – e constituído em grande parte por jovens.

Nascido em novembro de 1967, o padre Paulo Ricardo foi ordenado em 1992, pelo papa João Paulo II. É bacharel em Teologia e mestre em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Membro do Conselho Internacional de Catequese, nomeado pela Santa Sé, pertence à Arquidiocese de Cuiabá (Mato Grosso). É autor de diversos livros e apresenta o programa semanal “Oitavo Dia”, pela Rede Canção Nova de Televisão.

Durante uma visita do padre Paulo Ricardo por Londrina e região, em setembro, o JL realizou a seguinte entrevista. Entre os assuntos abordados, o papel dos cristãos na sociedade contemporânea e uma relação especial com a cidade de Londrina.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Novena pelas Almas do Purgatório

Novena pelas Almas do Purgatório

[pdf] AS DORES DA VIRGEM SANTÍSSIMA

AS DORES DA VIRGEM SANTÍSSIMA

AS DORES DA VIRGEM SANTÍSSIMA

Escrevinhação n. 916 redigido em 24 de outubro de 2011, dia de Santo Antônio Maria Claret e do Bem-aventurado Luis Guanella.

Por Dartagnan da Silva Zanela

O quarto mistério gozoso do Santo Rosário, como todos nós sabemos, é a apresentação do menino Jesus no Templo (Lucas II, 22-39). Neste, temos a presença do profeta São Simeão que declara que o coração da Virgem Santíssima seria transpassado por uma espada. Estava, deste modo, anunciada a dolorosa paixão de Nosso Senhor e a de Sua Santíssima Mãe.

Bem, diante disso, ouso indagar, mesmo que não seja ouvido: simbolicamente, o que seria essa espada que transpassa o coração de Maria Santíssima? Sim, literalmente falando, o gládio representa a dor de Nossa Senhora diante da Crucificação de seu Bendito Filho, mas, em termos simbólicos, o que esse vil instrumento representa? O que essa passagem do Evangelho está nos ensinando?

A espada somos nós que desprezamos o santo sacrifício realizado por seu divino Filho e por ela que, por amor a Deus e a nós, ingratas criaturas, disse sim ao Altíssimo. Fazemos pouco caso dos ensinos espirituais, minimizamos nossa miséria moral, cultuamos as potestades e bens deste mundo como se fossem a razão última de nossa existência, entregando-nos a mais tosca idolatria.

E, penso eu, tudo isso dói no coração de Maria como um duro golpe de espada ao ver que pelos séculos dos séculos, inúmeros foram, e inúmeros somos, os que cospem à sua face marejada de lágrimas junto ao calvário.

Talvez possamos afirmar que não somos esse tipo de biltre, inclusive podemos afirmar, publicamente, que somos devotos de Nossa Senhora. Todavia, não estamos nos referindo à palavras vazias e a encenações hipócritas que tanto se fazem presentes nestes plúmbeos dias. A pergunta é: nós realmente atendemos aos apelos de nossa Mãe espiritual ou apenas posamos de “bons filhos”?

Em todas as aparições, ela nos pede para que nos convertamos, rezemos diariamente (o Terço, de modo especial) e façamos penitência. Apenas isso e nada mais. Porém, o que temos feito? Basta que volvamos nossa atenção para o estilo de vida que cultivamos e veremos que em nosso horizonte o que há é algo de uma miséria moral e espiritual, no mínimo, vergonhosa.

E pior! Quanto mais diplomadas as almas se fazem, mais cegas tornam-se para as realidades superiores. Não apenas cegos, mas também, orgulhosos de sua estultice inflada de vanglória mundana inflamada que os coloca montados sob suas vãs e confusas impressões da realidade. E, essas nossas imposturas, meu caro, enxerguemo-las ou não, ferem a Dignidade que habita o coração daquela que tanto fez para que nós pudéssemos ter a visão do Verbo Divino Encarnado, da Verdade que se fez homem para que nos conhecêssemos através da humanidade revelada Nele e que nós, em nossa presunção, tanto insistimos em desviar os olhos.

Pax et Bonum
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

[pdf] É DISSO QUE A BRASILIDADE PRECISA

É DISSO QUE A BRASILIDADE PRECISA

É DISSO QUE A BRASILIDADE PRECISA

Escrevinhação n. 915, redigido em 21 de outubro de 2011, dia de Santa Úrsula e Companheiras e de São Hilarião.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Em sua pregação, por ocasião da Celebração em honra de Nossa Senhora Aparecida, o padre Paulo Ricardo havia afirmado que tem vergonha de ser brasileiro porque ama o Brasil. Ao dizer isso, o preclaro sacerdote fora muitíssimo feliz e, é claro, assino embaixo.

Amar alguém não significa que devemos aceitar e apoiar todas as sandices que este pratique. Amar é colaborar para que o amado cresça, melhore, eleve-se. Por isso, olhar para o estado em que se encontra o nosso País e dizer que se tem orgulho desta tragédia não é sinônimo de amor não, mas sim, de cinismo, de indiferença, de superficialidade tosca e de uma pusilanimidade cabal.

Ora, não dá para afirmar que um pai ama verdadeiramente seu filho quando este aplaude a autodestruição do jovem que mergulha no mundo das drogas, do desregramento, da desídia e da irresponsabilidade. Agir assim, orgulhar-se do que é ignóbil, é uma atitude cruel e covarde, similar a tomada por Pilatos quando este lavou as mãos diante da condenação de Nosso Senhor achando que, com esse gesto, teria feito grande coisa.

Infelizmente, no Brasil contemporâneo, o fracasso não só subiu à cabeça como tornou-se meta a ser alcançada. Literalmente, não vê-se mais em nossa cultura, e de modo especial em nosso sistema educacional, manifestações que deixem claro o desejo de realmente fazer algo de bom. Vê-se apenas poses de bom-mocismo e, com atos desta monta, nos contentamos. Contentamo-nos em parecermos bons e, consequentemente, acabamos por detestar a mera cogitação da necessidade de agir para sermos melhores do que somos.

Deste modo, compreende-se claramente porque nossa sociedade a cada dia que passa afunda-se mais e mais nesta amoralidade canalha que uns chamam de ética e, outros tantos de cidadania ou de criticidade. Essas expressões são sim, bonitinhas, porém, fundamentalmente ordinárias, como seus usuários. Palavras bonitas que bem camuflam a pequenez moral da alma brasileira, especialmente das camadas que se autointitulam instruídas por possuírem um pedaço de papel pintado que atesta qualquer coisa, mas que não prova, ou convence, que seus detentores tenham amado na vida algo maior que o seu universo umbilical.

E, como o fingimento nesta paragens é geral e irrestrito, ninguém envergonha-se do vexame nacional, ninguém cora em colaborar, ativamente ou não, para a destruição de nossa cultura. Aliás, ficamos bravos quando um Zé mané resolve falar o óbvio ululante, não é mesmo? Bravos ou não, uma boa dose de vergonha na cara seria muitíssimo salutar para nossa sociedade e em nossa educação.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

[pdf] NEM UMA COISA, NEM OUTRA

NEM UMA COISA, NEM OUTRA

NEM UMA COISA, NEM OUTRA

Escrevinhação n. 913, redigido em 28 de setembro de 2011, dia de São Wenceslau.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Confesso que durante algum tempo de minha parva vidinha, aquela velha querela sobre benevolência ou a malevolência da natureza humana ocupou uma boa parcela de minha atenção. Hobbes e Maquiavel de um lado, Rousseau e Montaigne do outro, sem contar as inúmeras outras almas que inclinavam sua pena para uma ou outra coluna desta peleja. Todavia, sejamos francos: não estamos com essa bola toda.

A questão está muito elevada meu caro Watson. O ponto não é sabermos se somos bons ou maus por natureza, porque não somos uma coisa nem outra. Na verdade, somos fundamentalmente mesquinhos e medíocres. Estamos muitíssimo distante da grandeza de um Santo ou da imagem titânica de um monstro. Poucos são os que se elevam a essas altitudes. A maioria dos reles mortais como eu e você não passam de seres diminutos com preocupações e intenções mesquinhas.

Sim, somos isso mesmo meu caro. Mesquinhos. Nos julgamos seres muito justos mesmo que não o sejamos, mesmo que nunca tenhamos tido a coragem necessária para agirmos de modo reto. Na maioria das vezes apenas nos comportamos de acordo com os clichês de bonzinho e mauzinho que nos são apresentados pela sociedade e agindo assim nos sentimos confortáveis, seguros em nossa pequenez moral. No fundo, no fundo, não queremos agir de modo justo, mas apenas que as pessoas superficiais, como nós, aceitem-nos em nossa pacoviedade.

A grandeza, entre nosso meio, é apenas um disfarce momentâneo nas ocasiões onde a mediocridade se torna tamanha que ficamos envergonhados de nossa similaridade com a imagem que nos faz corar. Aí posamos de bons cidadãos, de bons pagadores de impostos injustiçados pelo tal sistema, vexados pela endêmica corrupção que assola o país e todo aquele blablablá, todo aquele velho clichê que nos faz rapidamente parecer uma pessoa boazinha angustiada em meio a tantos seres malvados.

Todavia, sabemos bem que não é nada disso. Apenas não queremos admitir que parte do lamaçal que infecta a sociedade é parido por nossas entranhas e, por isso, mais do que depressa, agimos de modo similar a um garotinho que brincava com os coleguinhas na lama e que, dissimuladamente, aponta o dedo para os pares dizendo: “a idéia não foi minha! A Culpa é do Fulado e do Beltrano!”

Sem mais delongas, para elevarmo-nos deste escroto estado, seria de fundamental importância que agissemos como pessoas maduras, assumindo a responsabilidade por nossas vidas sem ficar à procura de bodes expiatórios para depositar nossas culpas. Todavia, como bem sabemos, é mais cômodo colocarmos a culpa em outros que, como nós, também não se vêem como culpados de nada, nem mesmo pelo que somos neste turvo império da mediocracia.

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

REFLETINDO COM THOMAS MERTON

"O ‘deserto’ do espírito humano ainda não é totalmente hostil à vida espiritual. Ao contrário, seu silêncio ainda é um silêncio restaurador. Quem tenta escapar da solidão e do confronto com o Deus desconhecido pode acabar sendo destruído na solidão atomizada, caótica e sem sentido da sociedade de massas."

Gravação da aula ao vivo: "Tratado da Verdadeira Devoção..." Parte 1 (27/09/2011)

True Outspeak - 12 de outubro de 2011

Leituras indispensáveis

Democracia normal e patológica - I
Por Olavo de Carvalho

A extrema esquerda se distingue da esquerda por uma questão de grau. Já a extrema direita e a direita acabam se revelando incompatíveis em essência. [leia mais]

Democracia normal e patológica - II
Por Olavo de Carvalho

A farsa existencial com que a esquerda governante inventa inimigos para camuflar seu controle hegemônico tornou-se a norma e padrão para o país inteiro, invadindo as consciências e expelindo cada pensamento para longe da realidade. [leia mais]

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

[pdf] A SOBERBA NA EDUCAÇÃO

A SOBERBA NA EDUCAÇÃO

A SOBERBA NA EDUCAÇÃO

Escrevinhação n. 912, redigido em 18 de setembro de 2011, dia de São José Copertino.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Há uma passagem do Santo Evangelho que todos conhecem, porém, raramente reflete-se sobre a sua gravidade. É a que versa sobre a parábola do fariseu e do publicano (Lucas XVIII 9-14). Como nos lembra Santo Afonso de Ligório, no primeiro personagem temos a imagem transparente de uma alma convencida de sua pureza, se colocando a lisonjear-se perante Deus em suas preces. No segundo, temos a imagem de um penitente convicto de que sua alma apenas poderá encontrar algum consolo junto aos méritos Daquele que é e não na pequenez de sua vida.

Nelas, temos a imagem da soberba e da humildade que se fazem presentes em nosso coração, em nosso íntimo, em uma constante tensão dialética. Cada um de nós tem que conviver com esse conflito, reconhecer e aceitar a sua presença para que, a duras penas, possamos enfrentá-lo e superá-lo no correr de nossos dias por esse vale de lágrimas e, quem sabe, deste modo, possamos ouvir de Nosso Senhor a mesma afirmação que o bom ladrão ouviu junto ao calvário.

Entretanto, no que tange a essa dialética tensão que habita em nós, não podemos esquecer-nos que a força do publicano (humildade) está no exercício do autoconhecimento obtido através do exame de consciência diário e, do fariseu (soberba), no envaidecimento advindo do engrancimento que atribuímos a nossos simulacros de virtudes e da projeção de nossas faltas sobre a sociedade. Ou, como nos lembra Fernando Pessoa em seu poema em linha reta, o mundo está repleto de semideuses, de pessoas que são incapazes de confessar, não os seus pecados infames, mas o seu ridículo fundamental.

E quando o assunto é educação, o trêm fica feio por demais, porque poucas são as almas que procuram reconhecer as suas limitações, as incoerências e contradições e, a partir delas, labutar para que se possa elevar e libertar-se dos plúmbeos ares da massa ignara reinante.

É muito mais fácil cultivar e ensinar a colocar a culpa no sistema, no “capetalismo”, na sociedade, nas estruturas e tutti quanti. É bem mais tranquilo repetirmos frases prontas que nos eximem de nossa respontabilidade existencial do que assumirmos a nossa culpa fundamental pelas escolhas que nos tornam o que somos. Aliás, é muito mais cômodo decorar frases de efeito e palavras de ordem que nos permitam ser reconhecidos como cidadãos críticos do que agirmos severamente contra nossas dissimulações estupidificantes.

Por fim, o fariseu impera em nosso sistema educacional e em nós. Ele, em nós, muito bem tem ensinado e cultivado o rancor e a discordia, instigando a condenação dos desafetos, sem ao menos termos aprendido a reconhecer a nossa pequenez.

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

[pdf] UMA HISTÓRIA ENTRE TANTAS OUTRAS

UMA HISTÓRIA ENTRE TANTAS OUTRAS

UMA HISTÓRIA ENTRE TANTAS OUTRAS

Escrevinhação n. 911, redigido em 18 de setembro de 2011, dia de São José Copertino.

Por Dartagnan da Silva Zanela


"Não fujas, não fujas: se foges, para onde vais"? Eis a questão inquietante que nos levanta Willian Blake. Sim, vivemos fugindo. Fugimos de nossos deveres, de nossas culpas, de nossas vergonhas e vexames, da vocação a que fomos chamados, enfim, fugimos incansavelmente de nós mesmos e varremos para debaixo do tapete do esquecimento as consequências de nossa irresponsabilidade, mesmo que essas se tornem a cada dia que passa uma força maior a pesar sobre nossa vida.

Muitas são as histórias tristes que conhecemos, direta e indiretamente, sobre essa problemática. Algumas tocam nosso íntimo, já outras apenas reforçam nossa insensibilidade, porém, nenhuma, praticamente, nos desperta para a Verdade sobre nossa pacoviedade existencial porque, literalmente, não queremos despertar de nossa letargia umbilical. Preferimos fugir a enfrentar a fera que nos mantém reclusos em nossa fétida caverna.

"Não fujas, não fujas: se foges, para onde vais"? Sim, vivemos em fuga, movidos pelo medo de sei lá o que. Mitificamos de tal forma certas situações, determinados problemas em nossa vida, que acabamos por nos esquecer de, virilmente, perguntar: mas, exatamente de que estou fugindo? De que tenho tanto medo? Somente levantando essa indagação, rapidamente, perceberiamos o quão pusilâmines nos tornamos, o quão desfibrada é nossa geração.

Ao mesmo tempo, também seria de grande valia que perguntássemos para onde estamos indo nessa fuga sem fim. Sim, fugimos, como baratas tontas, corremos de nossos medos bobos, entretanto, para onde estamos indo? É claro que não sabemos claramente para onde vamos porque as sombras nefandas de nossos medos imaginários arrebataram nosso ser para o mais lúgubre foço de nossa alma e, deste modo, como uma vítima inerme perdida nos descaminhos do labirinto de Cnossos, fingimos saber onde estamos.

Se mais delongas e sem aquele trololó de ficar fazendo-se de vítimas, de coitadinhos, assumamos a responsabilidade por nossa existência e passemos a fazer o que nos cabe como dever. Paremos, imediatamente, com as lamúrias advindas dos quereres frustrados. Não sei se te contaram, mas a vida humana é isso. É luta, são desafios, uma batalha travada diariamente nas pradarias do mundo e, principalmente, nas serras e colinas de nossa alma. Fugir disso é negar a própria humanidade, reduzindo-se a um nível bestial, de um animalzinho que apenas anseia por estar seguro.

Por isso, meu caro, não fuja. Viva. Não camufle as contradições que existem em seu coração. Reconheça-as e enfrente-as para que, nesta peleja, elevemo-nos para o horizonte a que fomos chamados, não nos reduzindo a mesquinharia que volitivamente, hoje, estamos entregues.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

[pdf] A LUZ DA RAZÃO NA IDADE DAS TREVAS

A LUZ DA RAZÃO NA IDADE DAS TREVAS

A LUZ DA RAZÃO NA IDADE DAS TREVAS

Escrevinhação n. 910, redigido em 14 de setembro de 2011, dia de São Materno de Colônia.

Por Dartagnan da Silva Zanela

É impressionante o quanto que os sabidinhos orgulham-se de sua apoteótica ignorância sobre os assuntos que eles discutem com ares doutorais. Criticam de maneira tão ávida as tais decorebas sem flagrar que tudo o que eles sabem sobre determinados assuntos não passa de um reles decorar mecânico de um amontoado de lugares comuns que aprenderam na mocidade, raciocinando a partir de um amontoado de esteriótipos toscos que lhes serve de medalhão de auto-afirmação frente a seus pares que, por sua deixa, vêem-se imersos na mesma atmosfera delirante reafirmando assim a sua estulta alienação.

Caso deveras ilustrativo deste estado de espírito são os esteriótipos que os sabidos edificam e propagam sobre a Idade Média como sendo uma época de obscurantismo e supertição. E Pior! Falam sobre o Santo Ofício e sobre estes idos com aquele olhar de profundo conhecedor do assunto, como se tivessem lido alguns pares de livros sobre o referido período histórico, coisa que, diga-se de passagem, eles não tem a menor diposição de fazer. Na maioria dos casos, viram um e outro filme e isso lhes basta.

Não fiquemos bravinhos não, que isso não resolve o problema. Todavia, reflitamos, através destas parvas linhas sobre a seguinte questão: donde veio essa imagem da Idade Média como sendo uma época de trevas? Quando essa imagem funesta do Santo Ofício foi edificada? Hum! Será que já pararamos pra pensar que muito disso que temos reproduzido sobre o período citado e sobre a instituição em pauta não passa de um pérfido constructo histórico?

Pois é, a idéia de idade das trevas é produto dos preconceitos renascentistas em relação à cultura européia deste período. Aliás, a própria nominação desta época com idade média é uma criação renascentista. Estes idos seriam apenas um período médio entre a antiguidade clássica e a modernidade (vide: Hilário Franco Jr. A Idade Média – O nascimento do Ocidente).

Quanto ao Santo Ofício, sua enchovalhação é fortalecida após a revolução Francesa que procurava projetar sobre a Igreja a imagem de retrograda e cruel (vide: Bernardino Llorca S. J. La inquisición en España). Se o amigo tem essa imagem turva tão bem cimentada em seu imaginário, procure comparar a Inquisição com a justiça praticada pelos reinos deste período e verá que o Santo Ofício era significativamente mais brando (vide: João Bernardino Gonzaga. A inquisição em seu mundo).

Também, se achar apropriado (e creio que o é), compare as práticas da Inquisição com as práticas dos revolucionários franceses e demais revolucionários do século XX para vermos onde, de fato, mora e procria-se fartamente a crueldade. Isso se realmente quisermos ver o mundo que existe para além da criticidade, é claro.

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

CIDADES E SANTOS

"País de tradição católica desde seus primórdios, mais de 2.500 cidades brasileiras homenageiam santos em seus nomes.

Destas, 236 fazem referência a Santo Antônio, como Santo Antônio das Missões (RS), Novo Santo Antônio (MT) e Barra de Santo Antônio (AL).

Outras 220 homenageiam São João, como São João Nepomuceno (MG), São João do Araguaia (PA) e São João do Sul (SC).

São Francisco batiza 127 cidades, como Amparo de São Francisco (SE), São Francisco do Conde (BA) e Barra de São Francisco (ES).

Além destas, são 118 referências a Santa Maria. É o caso de Santa Maria do Oeste (PR), Santa Maria da Boa Vista (PE) e Santa Maria da Vitória (BA). "

Fonte: Banco de Nomes Geográficos do Brasil/ IBGE
http://www.bngb.ibge.gov.br/bngb.php

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1983&id_pagina=1

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

[pdf] QUANDO O GALO CANTAR...

QUANDO O GALO CANTAR...

QUANDO O GALO CANTAR...

Escrevinhação n. 909, redigido em 13 de setembro de 2011, dia de São João Crisóstomo e de São Maurílio de Angers.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Nadar contra a maré nunca é fácil, mas, muitas vezes, é o único caminho sensato. Penso que na atualidade esse seja o caminho a ser trilhado no que tange o que canhestramente convencionou-se chamar de educação.

Quando apontamos isso, não estamos, de jeito algum, afirmando que temos uma proposta inovadora a ser implementada em larga escala junto ao sistema atual, por duas razões: (i) todo aquele que afirma isso não sabe o que é educação, nunca foi educado e muito menos se educou; (ii) não é possível tornar uma farsa burlesca em algo verdadeiro (ou esperar que algo legítimo faça-se a partir do engodo).

Nadar contra maré, nesta seara, é recusar-se a assimilar os preceitos materialistas estupidificantes que hoje fundamentam nosso sistema educacional. E o caminho é este. Não há outro. E basta de dedos acusadores, pois estes não evocam a justiça. Eles apenas afirmam nossa covardia em assumirmos a responsabilidade pela vida.

Caso exemplar dessa covardia é a tristeza que toma conta da alma de muitos professores quando ouvem de seus mancebos a afirmação atávica de que eles não gostam de poesia e muito menos de literatura. Sim, tal afirmação é uma estultice descomunal, todavia, quantos professores realmente gostam de literatura? Quantos edificaram, em seu íntimo, uma biblioteca imaginária das obras que pretende ler em sua vida? Aliás, quantos compreendem a importância basilar da literatura na formação do caráter de um indivíduo? Quantos?

Do lado dos infantes, temos a estultice soberba, da parte dos educadores a pusilanimidade em reconhecer no seu íntimo as falhas que devem ser supridas e, no que tange a sociedade como um todo, creio que as palavras próprias para descrever o estado de espírito reinante seriam impróprias para a publicidade deste libelo.

Por fim, como muitíssimo bem nos aponta o filósofo Olavo de Carvalho (Educação ao contrário, 27/01/2009): “Se há uma coisa óbvia na cultura brasileira, é o desprezo pelo conhecimento e a concomitante veneração pelos títulos e diplomas que dão acesso aos bons empregos. [...] campanhas publicitárias que enfatizem a educação como um direito a ser cobrado e não como uma obrigação a ser cumprida pelo próprio destinatário da campanha têm um efeito corruptor quase tão grave quanto o do tráfico de drogas. Elas incitam as pessoas a esperar que o governo lhes dê a ferramenta mágica para subir na vida sem que isto implique, da parte delas, nenhum amor aos estudos, e sim apenas o desejo do diploma”.

É, meu caro, a verdade é essa e ela continuará sendo ela mesmo que a massa ignara torça o nariz.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

NÚMEROS, NO MÍNIMO, CURIOSOS

1 - Poucos sabem, certa imprensa não diz, mas o fato é que a taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais entre 1995 e 2002 (governo FHC) foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 - seis anos de mandato de Lula;

2 - Só no segundo mandato de FHC, entre 1998 e 2003, houve 158.461 novas matrículas nas universidades federais, contra 76.000 em seis anos de governo Lula (2003 a 2008);

3 - Nos oito anos de governo FHC, as vagas em cursos noturnos, nas federais, cresceram 100%; entre 2003 e 2008, 15%;

4 - Sabem o que cresceu para valer no governo Lula? As vagas ociosas em razão de um planejamento porco. Eu provo: em 2003, as federais tiveram 84.341 formandos; em 2008, 84.036;

5 - O que aumentou brutalmente no governo Lula foi a evasão: as vagas ociosas passaram de 0,73% em 2003 para 4,35% em 2008. As matrículas trancadas, desligamentos e afastamentos saltaram de 44.023 em 2003 para 57.802 em 2008.

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

[pdf] INDO DE ENCONTRO AO PONTO DO CONTO

INDO DE ENCONTRO AO PONTO DO CONTO

INDO DE ENCONTRO AO PONTO DO CONTO

Escrevinhação n. 908, redigido em 06 de setembro de 2011, dia de São Liberato de Loro.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Sei que não são poucos os olhares tortos que surgem, seguidos dos necessários narizinhos empinados, quando um caipira como este que vos escreve afirma que um dos grandes males que assola as almas juvenis é a dita criticidade que tanto empolga as almas sebosas que imaginam educar o mundo sem antes terem completado a sua educação pessoal. Que fazer? Durmo na pia da cozinha.

Dito isso, indo ao ponto do conto: por que percebo a educação hodierna deste modo? Pela simples razão de que de tanto pensar morreu um burro. Explico-me: antes de ousarmos criticar qualquer coisa é de fundamental importância que a percebamos e a assimilemos tal qual ela é para apenas mais tarde fiarmos pela trilha da apreciação crítica.

Um exemplo que julgamos extremamente didático são as artes marciais. Quando um mestre ensina um aluno para que ele torne-se um bom lutador, o que ele faz? Ele ensina criticamente ou convida o aprendiz a conhecer e assimilar toda a herança acumulada por gerações de sua escola (ou estilo) marcial? Quem em algum momento de sua vida teve contato com uma arte deste gênero sabe muito bem do que estou falando. A imitação gera a assimilação que, por sua deixa, oferta ao iniciado o arcabouço necessário para que ele crie, há seu tempo, o seu modo pessoal de praticá-la.

Saltando desta para outras modalidades de ação humana, a regra não é diversa. Música, pintura, escrever, cozinhar, plantar, consertar ou fabricar algo, seja o que for, qualquer ser humano normal vê, com atenção, o que deve realizar, imita, realiza e, com o tempo, colecionando em seu íntimo vários modelos possíveis de realização destas ações e, deste modo, habilita-se a contribuir, quem sabe, com o seu toque de originalidade.

Se as almas sebosas fossem sinceras, só um pouquinho, consigo mesmas, perceberiam que até mesmo toda essa lengalenga de criticidade também (e inclusive) é aprendida através de imitação. Imitação essa, que se dá de maneira insincera e degradante, visto o fato de que a assimilação de seus procedimentos se dá com vistas a ilhar o indivíduo em seu mundinho, erguendo um muro colossal entre sua vista e o mundo real que eles julgam tão bem conhecer através de suas observações de apreço ou desapreço aos objetos de suas críticas.

Por isso, sem pestanejar, digo e repito: não queira ser crítico. Almeje e labute para ser bom. Admire aqueles que no correr dos séculos fizeram-se por essa via, conheça suas vidas, aprenda o modo como eles enfrentaram os problemas que os afligiram. Problemas que, acreditem ou não, são tão interessantes quanto às soluções que eles encontraram. Por fim, cultive intensamente um agudo senso de gratidão, pois, sem este, não há educação.

Pax et bonum
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

A MORTE NO CALVÁRIO - MACHADO DE ASSIS

A MORTE NO CALVÁRIO - MACHADO DE ASSIS

O burguês segundo Marx

por Olavo de Carvalho

Um dos mais queridos entretenimentos dos marxistas, desde há um século e meio, tem sido defender Karl Marx da acusação de economicismo.

Longe de reduzir tudo às causas econômicas, dizem eles, o autor de O Capital enxergava no processo histórico a ação simultânea de um complexo de fatores, incluindo o cultural e o religioso, onde a economia só viria a predominar "em última instância", cedendo frequentemente o passo às demais forças. A imagem de um Karl Marx obsediado pela onipotência da economia é, alegam, uma redução pejorativa, criada para fins de propaganda pelos críticos burgueses. Há alguma verdade nisso.

Marx não era nenhum simplório, sujeito a deixar-se embriagar pela obsessão da causa única, mágica, universalmente explicativa.

Acontece, no entanto, que toda a engenhoca explicativa do marxismo não foi concebida como pura filosofia, e sim como instrumento prático de destruição da sociedade burguesa, e há nela uma nítida defasagem entre a teoria geral da História e a sua aplicação ao capitalismo em especial. [leia mais]

domingo, 11 de setembro de 2011

Inaceitáveis obviedades!

Por Percival Puggina

Quer ser impopular? Diga que há um desastre civilizacional em curso, motivado pela corrosão dos valores da tradição judaico-cristã. Quer desagradar a muitos? Proclame ser escandalosa a conduta de uma sociedade inteira que joga sua cultura e moralidade nos cínicos labirintos do relativismo até se extraviar totalmente de uma e de outra. E, depois, se queixa das consequências. [leia mais]

Acesse o site do autor: http://www.puggina.org

37 - Parresía: "Gigante Adormecido"

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

[pdf] NÃO TEMAIS ÍMPIAS FALANGES...

NÃO TEMAIS ÍMPIAS FALANGES...

NÃO TEMAIS ÍMPIAS FALANGES...

Escrevinhação n. 907, redigido em 06 de setembro de 2011, dia de São Liberato de Loro.

Por Dartagnan da Silva Zanela

A quem devemos o que temos? A quem devemos a existência do país que hoje nos abriga? Quais são os artífices desta obra que hoje chamamos nossa Pátria? Sim, as pífias almas gritam que tudo isso é obra da tal da “zelite”. É, todo estulto que não sabe apresentar uma resposta justa inventa, com alguns cacoetes mentais e um bom tanto de bobagens abstratas, uma indigna justificativa para sua tolice.

De mais a mais, ousaria levantar outra pergunta, versando de forma diversa sobre o mesmo tema. Seríamos nós capazes de realizar essa obra, a independência do Brasil, de uma forma melhor? Seríamos nós melhores que os mentores dessa nação? Somos tão melhores, meu caro Horácio, que os condenamos e cobrimos suas memórias com insídias sem ao menos conhecê-los. E mesmo assim, afogados em nossa soberba (depre)cívica, imaginamos, de maneira doentia, que o que o Brasil tem de melhor somos nós.

Sim, não precisa me dizer que os nossos Founding Fathers tinham defeitos e vícios. Eles eram humanos e não seres angelicais. Mas pergunto, mais uma vez, quem de nós possuía as virtudes destes? Quem? Mais uma vez, se formos francos, o silêncio recairá sobre nosso semblante, frente à vergonha de termos tantos juízos sobre pessoas que desconhecemos e, em grande medida, desprezamos.

Caretice? Talvez. Entretanto, o curioso é que toda a brasilidade conhece minúcias, cômicas ou fúteis, sobre celebridades midiáticas, bandinhas furibundas, políticos carcamanos e tutti quanti. Figuras estas, tão conhecidas quanto inócuas. Já aqueles que realmente dedicaram-se ao nosso país de maneira abnegada permanecem como ilustres desconhecidos, ocupando, atualmente, um empoeirado canto no mausoléu das aquilatadas almas que, por seus méritos, são desprezadas pela mediocracia reinante.

Olhar para os dias que não mais voltam e empinar o narizinho para a obra de almas como José Bonifácio e Luis Alves de Lima é fácil. Outra coisa é colocar-se, imaginativamente, no lugar deles, revivendo interiormente toda a tensão que havia naqueles dias, o peso das responsabilidades que estava sobre os ombros destes e perguntar-se o que, realmente, teríamos feito no lugar deles. É, meu caro, a vida é bem mais complexa do que nossa vã criticidade.

Por essas e outras que para todo aquele que vê a realidade com os olhos limpos com uma boa dose de vergonha na cara percebe o quanto que na atualidade se estimula nas tenras almas o sentimento de rancor em detrimento da gratidão e da reverência. Bem ou mal, recebemos este Brasil, mas, qual será o Brasil que deixaremos? Qual?

Vai saber! Porém, uma coisa é certa: ele terá a nossa cara. Não se assustem.

Pax et bonum
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Hino da Independência do Brasil

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

[pdf] DA (DEPRE)CÍVICA INDIGNAÇÃO

DA (DEPRE)CÍVICA INDIGNAÇÃO

DA (DEPRE)CÍVICA INDIGNAÇÃO

Escrevinhação n. 906 redigido em 30 de agosto de 2011, dia de São Félix e Santo Adauto.

Por Dartagnan da Silva Zanela


A imagem de um marmanjo entregando-se a um teatrinho bufo de auto-piedade é algo que, a cada dia que passa, faz-se mais freqüente nesta terra de desterrados. E o pior de tudo é que os ditos e escarrados sujeitinhos não se flagram do quão ridículo eles se tornam portando-se assim, principalmente por cobrirem-se com o infame manto de cidadanite.

É aquele trololó de meu direito a isso pra cá, é o blábláblá de meu direito a aquele outro pra lá, batem o pé, esperneiam, até choram e reclamam, sorrateiramente, pelas vielas impudicas do anonimato sobre as grandes injustiças do mundo. Mas, me diga uma coisa cara pálida: o que você fez pelos outros para ser merecedor de tamanha distinção? O que você fez por você mesmo para que as pessoas passem a olhá-lo e ouvi-lo com tanta essa atenção?

Por favor, não chore e nem fique bravinho, porque as questões que realmente interessam são essas. O resto é colóquio flácido.

Gostemos ou não, nossa persona não é assim tão grande quanto à mensuração feita por nossa umbilical medida. Aliás, se formos francos, facilmente constataremos que a atenção e zelo que exigimos dos outros é algo imensamente maior que a atenção e zelo que dedicamos à tarefa de compreender e aprimorar esse sujeitinho que somos. Trocando por miúdos, queremos ser o centro das atenções do mundo sem nunca termos sido o centro de nossa atenção.

E o pior de tudo meu caro é que essa impostura, compreensível, não aceitável, em uma criança, faz-se cada vez mais típica no comportamento de pessoas adultas que se sentem impotentes, incapazes de tomar uma decisão que reverta o quadro que a faz mergulhar neste estado.

Quando falamos em tomada de decisão, não estamos sugerindo que agitemos faixas, cartazes e bandeiras, saindo para as ruas protestar. Uma ação desta monta nada mais é do que um sintoma do problema acima apontado, não a solução. De mais a mais, a diferença que há entre um protesto, em si, e um choro infantil, é que o segundo, dá dó, e o primeiro dá nojo.

Uma decisão madura consiste em assumirmos responsavelmente as rédeas de nossa vida, traçando planos de médio e longo prazo que exigirão de nós (não dos outros) sacrifícios para a sua concretização.

Para fazer isso não à precisão de pose e nem mesmo de aplausos. Mas exigirá abnegação e perseverança na realização de algo que apenas nós, e ninguém mais, pode fazer. E aí, por fim, pergunto eu: quem realmente está disposto a seguir por essa pedregosa via, quem? Pois é, repetir o chororó é bem mais fácil.

Pax et bonum
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Quem é que manda no pedaço

por Percival Puggina

Professores, diretores de escola, bons alunos e bons pais sabem, todos, que o Estatuto da Criança e do Adolescente, ainda que concebido sob as melhores intenções, muito contribuiu para a irresponsabilidade dos menores num sentido geral e dos estudantes num sentido muito particular. Digam o que disserem quantos desejem canonizar o ECA pela santidade de seus objetivos, o fato é que na ausência de autoridade, normas e sanções as condutas se desregram. E foi exatamente isso que passou a acontecer nas escolas a partir do momento em que foi fragilizada a autoridade de professores e diretores e consagrada a supremacia infanto-juvenil. Não bastasse isso, no Rio Grande do Sul ao menos, quem quiser ser diretor de escola pública tem que fazer campanha e angariar votos entre os alunos... Depois, quando o colégio vira um sanatório, todos dizem - "Oh, que horror!". [leia mais]

36 - Parresía: "Legalização do aborto no Brasil"