MUITAS PALAVRAS SOBRE COISA NENHUMA

Escrevinhação n. 861, redigido em 24 de novembro de 2010, Santo André Dung-Lac e companheiros.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Foge por um instante do homem irado, mas foge sempre do hipócrita".
(Confúcio)

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Já estamos chegando na reta final de mais um ano letivo e com o seu término temos mais uma safra dos frutos desta lavoura de [des]ilusões. Produzimos e vivemos em uma ilusão que chamamos pela alcunha de “educação crítica” ao mesmo tempo em que nos desiludimos com a cepa desta que, de fato, tem apenas como crítico os seus resultados que estatisticamente e qualitativamente são os piores do mundo, conforme os resultados consecutivos dos exames do PISA e constatáveis através de uma observação direta.

Mas poucos querem realmente enxergar a realidade e muito menos tomar a atitude necessária. Estamos tão imersos e tomados pelo fingimento que não mais somos capazes de enxergar os problemas tais e quais eles se apresentam às nossas vistas e muito menos de atuar de maneira ativa em relação aos mesmos. Apegamo-nos teimosamente a inúmeras ilusões literalmente diabólicas que nos impelem a crer que nosso universo subjetivo, ideológico, é mais importante que a realidade da pessoa humana.

Sei que o tacho deste angu é grande e que os caroços não são poucos. Por essa razão que nos detemos apenas neste que, em si, é o ponto nevrálgico da contenda, que é o fingimento histriônico diante da realidade patente que se apresenta diante de nossas vistas.

No fundo, o que a maioria das pessoas deseja não é educar os mancebos, mas sim, posar de bons moços politicamente corretos como paizões e mãezonas caricatos. No fundo, não deseja-se corrigir os erros, mas apenas justificá-los vendo no desleixo e na desídia a presença da mão invisível do sistema jogando-se na lata de lixo o fator volitivo que determina as ações humanas perante si mesmo, diante da sociedade, frente ao sistema ou estando diante do raio que o parta.

Lembro-me aqui de uma passagem de minha vida onde em meio a uma acalorada discussão foi-se indagado: Qual é a função da escola? A resposta, simples e direta: transmitir para a geração atual o legado civilizacional (cultural, moral, espiritual, técnico e científico) que foi edificado e preservado pelas gerações (inumeráveis gerações) que nos antecederam para que assim possam, ativamente, agir no mundo. Bem, mas é agora que a porca torce o rabo porque tivemos uma contra-resposta no seguinte tom: “sim, mas antes disso é fundamental que tornemos os nossos alunos críticos, capazes de mudar esse sistema...” e o resto da patacoada todos nós já conhecemos bem.

Indo direto ao ponto do conto, para este e bem como para muitos, mais importante que munir a tenra geração com os instrumentos básicos para que ela possa agir de maneira relativamente independente e ativa é doutriná-lo de acordo com os ditames de uma ideologia materialista e alienante que o faz sentir-se desvencilhado da responsabilidade pela sua vida passando e desprezar e mesmo odiar a realidade desejando apenas transformá-la de acordo com a sua imagem e semelhança, mesmo que não saiba o quão torpe é a sua imagem e substância.

Trocando por miúdos, é esse o objetivo de toda a dita educação crítica que em sua ânsia de tudo transformar sem nada compreender acaba por destruir a alma que se aferra pela via da crítica vazia que a ela mesma esvazia, tornando-a impaciente, prepotente e inoperante diante da vida. Nos dias de hoje, desde muito cedo se aprende a apontar para todos os erros presentes no mundo e a gritar contra eles ao mesmo tempo em que somos adestrados a fechar as portas de nossa consciência para os nossos erros e faltas projetando sempre a responsabilidade por esses em algum elemento externo.

Neste ínterim, vem-me a mente uma sentença do professor Confúcio que nos diz que quem diz a verdade perde amizades. Mas, e quem disse que alguém realmente deseja encarar a verdade e agir a partir dela? Quem? Quem realmente está disposto a enfrentar os dissabores de desagradar os tolos no esforço de corrigi-los? Quem? Não é à toa que nossa educação em suas safras tem apresentado os frutos que colhemos, visto que, não estamos plantando algo diverso disso.

Pax et bonum
Site: http://dartagnanzanela.k6.com.br
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