HOMENAGEM PARA DONA FRANCISCA (25/03/1955 - 21/11/2010)


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Francisca da Silva Caldas. Quem não conheceu a “tia Chica”? Para alguns “Dona Chica”, para os familiares e amigos, Chiquinha. Para os netos Johann e Pedro, vovó Chica. E assim também será para sua neta, Helena, que apenas à conhecerá nesta vida pelas lembranças que serão contadas pelos dois primeiros. Mas a questão aqui, caríssimos, não é o como lembrar, mas sim, a impossibilidade de esquecê-la, de deixar no baú do ontem uma pessoa tão doce e amorosa como ela. Não mesmo. O seu lugar é em nosso coração e assim será.

Mas a memória humana é traiçoeira e muitas das vezes nos golpeia de maneira sutil e desleal através das armadilhas que o dia à dia nos arma para nos levar a cair na cova atroz do esquecimento. Isso é uma grande verdade e não podemos negar. Do mesmo modo que é verdade e não temos o direito de negar que o amor é muito maior e mais forte que a soma de todos os dias em que passamos por esse vale de lágrimas. O amor é a força que nos faz sorrir com aqueles que, em si, são o júbilo de nossa vida e é a mesma força que leva nossos olhos a marejar em um dilúvio de lágrimas que cantam em nossa face a saudade que não quer calar.

E em nome deste mesmo amor, queremos que Dona Francisca seja lembrada do jeitinho que ela sempre viveu. Como aquela que, silenciosa, sempre estava aqui e acolá auxiliando a todos sem nunca manifestar-se, sem nunca requisitar glórias, tal qual ensina-nos Santa Terezinha do Menino Jesus. Fazendo-se pequena ela tornou-se grande engrandecendo nossas vidas com sua bondade e mansidão.

Mansa e humildade de coração. Eis as virtudes que definem esta bem-aventurada alma que hoje nos deixa para ir ao encontro do Pai Eterno para que assim ela possa sentar-se junto ao banquete dos justos e beber, alegremente, uma boa xícara de café passado na hora pelas mais suaves mãos.

É isso! Lembremo-nos do café. O café que sempre acompanhava as nossas conversas com ela. Fosse pela manhã, ao cair da tarde, ou mesmo à noite, lá estava Tia Chica com sua xícara na mão e um sorriso singelo no rosto. Lembremo-nos sempre que o aroma agreste desta efusão é a clara imagem de sua alegria. Lembremo-nos que a energia estimulante desta bebida é um retrato fiel da força de vontade e da perseverança desta mulher. E não nos esqueçamos, jamais, que o calor que emana de uma xícara de café é a compleição viva de seu amor e de seu carinho por cada um de nós que aqui estamos para dela nos despedir.

Nosso coração está apertado. Sim, é verdade. Mas em meio às lágrimas ele sorri entre as palpitações que bailam em nosso peito porque sabemos que, agora mesmo, suas franzinas mãos franciscanas estão a cultivar flores, brancas e vermelhas, no celeste jardim, sorrindo, falando-nos parafraseando as pias palavras de Santo Antônio de Pádua: “não temam, porque tudo, não acaba aí...”. Não acaba aqui, não acaba...

Redigido em 21 de novembro de 2010, dia de São Gelásio, solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.
Pax et bonum

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