AO CANTAR DO GALO

Escrevinhação n. 849, redigido em 14 de setembro de 2010, dia de São Materno.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Confesso francamente que não tenho o menor interesse em discutir uma vírgula que seja neste pleito eleitoreiro macabro, não mesmo. Não que eu julgue ser descabida uma discussão sobre o tema, mas sim, porque consideramos apenas producente uma discussão onde os envolvidos no diálogo tenham o franco interesse em compreender a complexidade do que está em jogo. Infelizmente, o que vemos de um modo geral é apenas um amontoado de conversas miúdas onde apenas se discute as burlescas e supostas virtudes do candidato “A”, ou da candidata “B”, ou o quão belo é “o mundo melhor possível” e assim por diante.

Contrariando a corrente reinante, fico cá eu com meus botões a perguntar: será que os doutos debatedores que ficam trocando farpas vazias pararam por um instante para refletir sobre o que realmente está em jogo em nosso país? Obviamente que não. Não estou me referindo aos candidatos não, que são sicofantas confessos. Referimo-nos aqui, nesta missiva, aos eleitores que se auto-proclamam críticos, esclarecidos, com todo aquele trololó que tão só a lembrança nos cansa. Digo isso por um ponto muito simples: quando mais um indivíduo se auto-declara crítico, menos ele estuda e mais ele decora um amontoado de frases feitas de relativo efeito retórico. Aí, meu caro Watson, fica difícil, para não dizer impossível, qualquer diálogo que seja merecedor deste epíteto.

Quando se pergunta o que está em jogo neste entrevero todo, estamos inquirindo sobre os valores que estão sendo colocados em cheque em nossa sociedade. Isso mesmo! Quais são os valores que estão sendo preteridos? Quais valores estão passando a imperar e a reger a vida em sociedade nesta terra de desterrados chamada Brasil? Essa deveria ser a pergunta número um para sufragarmos o nosso voto em um determinado candidato ou em nenhum deles. Todavia, essa pergunta é praticamente uma carta fora deste baralho viciado.

A única pauta que toma conta das conversas dos que amam falar em política é saber quem irá apresenta a proposta com mais regalos materiais e tudo mais que tenha haver com esse tom. Com este dito não estamos afirmando que tais questões não tenham a sua devida importância, entretanto, em uma sã escala de valores, noeticamente ordenada, estes pontos de modo algum ocupariam a escala suprema e absoluta como vem ocupando em nossa sociedade, em nosso horizonte de pseudo-consciência.

Não está claro? Então troquemos por miúdos. O ponto mais elevado em uma vida humana deve ser aquele que tenha maior permanência na alma. Neste sentido, o elemento central em uma pessoa é a religião. Aliás, como nos ensina o Pe. Negromonte, em uma doutrina religiosa seu centro irradiante é a vida. A religião, neste sentido, não é apenas um conjunto de ritos, normas e observâncias que servem apenas de adorno na vida das pessoas como uma espécie de curiosidade patética, mas sim, algo que deve, necessariamente, envolver toda a nossa personalidade, orientando as nossas ações. Isso, meu caro Horário, é religião e por isso, tal dimensão da existência deveria receber uma maior atenção de nossa parte devida a sua complexidade e profundidade.

Complexidade esta legada ao um enésimo plano por seus praticantes e, mais do que naturalmente, pelos seus algozes, que as conhecem superficialmente e se julgam doutos sabedores do que eles imaginam que ela seja. A esta altura, o amigo leitor deve estar se perguntando o que isso tem haver com o pleito eleitoral. Bem, se tal indagação passou a parlar em seu íntimo, você tem, no âmago de seu ser, claramente um sinal deste combate que hoje existe em que se move mundos e fundos para se destruir todos os alicerces Cristãos de nossa sociedade e, conseqüentemente, de nossa alma e que, olimpicamente, desdenhamos.

Por exemplo: desde a Encíclica RERUM NOVARUM, do Papa Leão XIII até a encíclica CARITAS IN VERITATIS do Papa Bento XVI, passando pelo DECRETUM CONTRA COMMUNISMUM (proclamado pelo Papa Pio XII e ratificado pelo Papa João XXIII) e pela Constituição Pastoral GAUDIUM ET SPES do Concílio Vaticano II, o Socialismo e todas as suas hostes são condenados pela Santa Madre Igreja. Aliás, como nos ensina o Papa Pio IX em sua Encíclica QUADRAGESIMO ANNO, "Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos contraditórios: ninguém pode ao mesmo tempo ser bom católico e socialista verdadeiro".

Todavia, qual Cristão Católico leva essa orientação a sério? Naturalmente que as almas pusilânimes antes mesmo de conhecerem o conteúdo destes documentos já os recusam, todavia, em nenhum momento param e se perguntam por que tantos papas (todos os papas desde o século XIX) condenam expressamente essa doutrina genocida. Aliás, você já se fez essa pergunta e procurou encará-la com a devida seriedade? Bem, para tanto é necessário estudar os documentos citados (disponíveis na internet no site do Vaticano e em português), porém, isso dá trabalho, não é mesmo?

Penso eu que seria de grande importância que eleitor Cristão Católico ponderar sobre esses pontos, visto a atmosfera marxista que se desenha nos ares de nossa sociedade hodierna. Não apenas na seara dos palanques, mas em todas as dimensões de nossa vida aonde essa doutrina espúria vem tomando dia após dia um status quase que sacrossanto, sem ao menos nos questionarmos sobre os frutos que ela mesma pariu no mundo no correr da última centúria.

Se o galo já cantou ou não após tantas hesitações e negações de nossa parte, eu não sei. Sei apenas que não é de bom alvitre desdenhar ou mesmo tratar de maneira leviana questões desta magnitude na hora de decidirmos nosso voto.

Pax et bonum
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