quarta-feira, 29 de setembro de 2010

[pdf] O OLHAR PERDIDO DA CORUJA SOBERBA – parte II

O OLHAR PERDIDO DA CORUJA SOBERBA – parte II

O OLHAR PERDIDO DA CORUJA SOBERBA – parte II

Escrevinhação n. 851, redigido em 25 de setembro de 2010, dia de Santa Aurélia, Santa Neomísia, Santo Alberto, São Firmino e São Cléofas.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Necessitamos de um grande conhecimento só para nos apercebermos da enormidade da nossa ignorância". (Thomas Sowell)

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O quanto conhecemos realmente a nossa ignorância? O quanto, realmente, conhecemos o que supostamente julgamos saber? Estas são duas perguntas capitais para todos aqueles que pretendem realmente crescer em espírito e verdade. Aliás, são com essas pequenas perguntas que se deve começar qualquer investigação, em especial, aquelas em que iremos devotar um grande interesse pessoal no que estará sendo investigado.

Para ilustrar o que pretendemos apresentar nesta parva missiva, pedimos licença às vistas do amigo leitor para que possamos recorrer a um pequeno exemplo. Um exemplo não apenas didático e de fácil empatia para aqueles que têm ao menos um pingo de sinceridade na têmpera do aço de sua alma. É sobre nossas escolhas a serem feitas neste pleito eleitoral.

Para tanto, não pretendemos levá-lo a inclinar-se a aderir ao candidato “x” ou “y”. Nosso intento é outro. É justamente chamar a sua atenção, meu caro Watson, para que volva suas vistas à urgência da evocação destas duas perguntas no âmago de seu ser. Dito isso, partamos diretamente para o ponto do conto: pense, melhor, anote em uma folha de papel o nome de seus candidatos para os cargos que estão sendo disputados neste pleito. Feito isso, pergunte a si mesmo e, se possível, anote, o que você realmente sabe a respeito dos poltrões listados? Indague-se sobre o que você ignora a respeito dos figurões que estão, nos últimos dias, sendo o pomo de discórdia em seu coração? Provavelmente sabemos muito pouco, apesar de posarmos como um profundo conhecedor da vida dos mesmos, da intenção deles e das plataformas defendidas. Aliás, apesar de todos estes pesares, julgarmo-nos grandes entendidos sobre a atual conjuntura política de nosso país mesmo sem ter dedicado o merecido tempo para realizar uma reles análise.

Mesmo assim, decoramos algumas frases de efeito sobre um e outro assunto. Repetimos um slogan aqui e outro acolá sobre determinados temas e, é claro, papagaiamos um amontoado de fofocas e factóides miúdos como tudo o mais que paira nesta nação em que os “cidadãos” tomam quase que todo o tempo de suas conversas para parlar sobre assuntos que dizem amar de coração e que, ao mesmo tempo, desdenham, sem dar a atenção mínima para que a decisão a ser tomada seja, como se diz por aí, “consciente”.

Mais patético que isso tudo é o que há em nós que ignoramos na hora em que fazemos nossas escolhas. Que ignoramos e que, como de costume, fingimos não ignorar. Todos apresentam as justificativas mais nobres possíveis e imagináveis para justificar as suas escolhas, porém, ocultam de si mesmos e dissimulam dos demais, que em seu gesto de preterição existem claros interesses de ordem pessoal, grupal, corporativo, em fim, que há uma ordem de interesses não tão nobre quanto pretendemos aparentar.

As intenções humanas são encobertas por inúmeras camadas que na maioria das vezes desconhecemos simplesmente porque ignoramos o exercício do auto-conhecimento e, em outros casos, por pura canalhice congênita advinda de nosso desconhecimento sobre as sombras que habitam o nosso ser e que, por isso mesmo, se assenhoram de nossa alma, corrompendo o nosso caráter com a conivência de nossa pífia e anêmica vontade viciado pelo nosso péssimo habito de auto-engrandecimento.

Há uma frase sempre repetida pelo Dr. Gregori House que é a chave de todos os episódios da série que leva o seu nome e que, no mundo real, seja em um ano eleitoral ou não, está sempre impressa nas meninas de qualquer olhar humano: “todo mundo mente”. Mentimos para os outros, mas, principalmente, mentimos para nós mesmos para que não nos assustemos com quem realmente somos.

Não entenda isso como sendo um insulto, pois insultuoso é o estado em que se encontra a nossa sociedade e, conseqüentemente, os caminhos que os indivíduos estão trilhando. Estamos tão preocupados em parecer bons moços que nos esquecemos por completo do que realmente importa, do que necessariamente deve ser levado a sério por nós. Tememos tanto desagradar nossos pares que preferimos abdicar da verdade para simplesmente nos sentirmos seguros e aceitos por aqueles que, tanto quanto nós, ignoram a si mesmos e necessitam de alguém semelhante para que aperte a sua mão e diga, em seus ouvidos, que têm razão em seu devaneio para que, deste modo, essa aprovação lhes substitua a consciência ferida.

Por fim, estamos todos em um teatrinho de sombras onde os vultos andam de lá para cá como baratas tontas a procura das migalhas que podem, por ventura, cair do palco onde toda a palhaçada está sendo encenada. Obviamente que nenhum de nós se reconhece como sendo o grande palhaço desta história, visto que, todos nós, somos “cidadão críticos”, não é? Críticos que pouco sabem sobre os motivos que nos levam a agir de maneira tão leviana sobre as nossas (i)reais intenções. Se essas são realmente nossas.

Pax et bonum
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COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA


Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 20 e 24 de setembro de 2010.

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

[pdf] ENTRE RENÚNCIAS E DISPOSIÇÕES

ENTRE RENÚNCIAS E DISPOSIÇÕES

ENTRE RENÚNCIAS E DISPOSIÇÕES

Escrevinhação n. 850, redigido em 20 de setembro de 2010, dia de Santa Cândida e de Santo André Kim Taegon e companheiros.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas”.
(Johann Goethe)

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Lemos na Regra de São Bento, especificamente em seu capítulo XLVIII, que: “A ociosidade é inimiga da alma; por isso, em certas horas devem ocupar-se os irmãos com o trabalho manual, e em outras horas com a leitura espiritual”. É por essas e outras que minha vista encontra verdadeiro deleite nas obras pretéritas de nossa civilização.

São Bento de Núncia quando ministrava este ensino de sua regra para seus monges, nos lembra, hoje, um ponto basilar que acaba por definir o sentido da vida humana. O que fazemos em nossas horas de “tempo livre”? Isso mesmo! É comum vermos e muitas das vezes nos flagrarmos com queixumes do tipo: “Ah! Eu não tenho tempo pra nada! Por isso nada da certo em minha vida..e blá blá blá”. Ledo engano, digo, auto-engano.

Tempo livre, todos temos, porém, cada um de nós o preenche com aquilo que julga ser prioridade em sua vida que, infelizmente, na maioria absoluta das vezes, não é nenhuma atividade edificante que mereça alguma dose de respeito.

Na verdade temos uma grande quantidade de tempo livre que na maioria das vezes é desperdiçada com atividades vulgares ou mesmo com um ócio nada criativo. Para aqueles que estão familiarizados com a obra de Domenico De Masi, devem conhecer o cálculo aterrador que o mesmo nos apresenta sobre a quantidade de tempo livre que dispomos. Se não, então vejamos: dos 20 aos 60 anos de idade cada um de nós irá viver 350.640 horas. De todo esse tempo, iremos trabalhar, aproximadamente 76.480 (sem contar os possíveis feriados). Some a isso, aproximadamente, 116.880 horas de sono (se dormirmos 8 horas por dia). Mais 29.220 horas que utilizados nos cuidados pessoais (duas horas diárias todo santo dia). Bem de todo esse tempo, entre os 20 e 60 anos de idade nós temos, em um cálculo pessimista, 128.060 de tempo livre muitíssimo mal utilizado e parvamente administrado. Digo pessimista, por que o do sociólogo citado é bem mais otimista do que eu. Isso que não estamos colocando no cálculo o tempo que teremos após a aposentadoria que, se basearmos nossa conta na expectativa de vida do homem moderno teremos mais 81.760 horas livres para ocuparmos com algo. Mas, com o quê?

Desde modo, se refletirmos sobre estes números à luz dos ensinamentos presentes na regra de São Bento iremos ver o quanto nos encontramos perdidos e confusos no uso e desuso que fazemos de nossos dias. Quando estamos entregues aos nossos afazeres profissionais sabemos o que devemos fazer durante àquelas horas. Estas têm um claro significado em nossa vida. Todavia, quando estamos livres destas obrigações, o que fazemos com o tempo que está a nossa disposição? Ocupamos, como dizem os populares, com “qualquer coisa”, pois estas horas não tem uma clara significação em nossa vida.

Bem, a resposta para esse problema (o que fazer com o tempo livre?) está intimamente ligado a uma pergunta simples e, por isso mesmo, fundamental: qual é o sentido, o propósito, de minha vida? Como tal pergunta é literalmente desdenhada, colocada para escanteio, acabamos por preencher o nosso ócio com qualquer pacova chinfrim. Putz! Confesso que chega ser deprimente vermos o trem fuçado que a sociedade atual se tornou e, conseqüentemente, no que nos tornamos por simplesmente esvaziarmos nossa vida de sentido.

Olha, e o que estamos falando aqui não é em procurarmos ocupar o nosso tempo em alguma nova qualificação profissional (que, em si, não é ruim), mas sim, em aprendermos que existe um universo inteiro a ser explorado e aprendido por nós que não está ligado umbilicalmente com o nosso trabalho. Um exemplo muito simples: dedicar uma hora por dia ao estudo dos ensinos de sua confissão religiosa. Isso realmente seria algo que daria uma dimensão significativamente nova em sua vida. Ou então, dedicar-se a leitura da literatura clássica, ou nacional, ou poesia. Se preferir, listar e assistir filmes e, porque não, estudar um pouco sobre a sétima arte. Aprender uma arte marcial, ou entalhe, quem sabe pintura, uma língua estrangeira talvez e, imaginem, na mais magnífica das hipóteses, fazer tudo isso com as pessoas que você ama (com seus amigos e com sua família).

Em fim, tudo isso depende com qual sentido você pretende moldar a sua vida, qual sentido você quer dar a sua existência. Quanto ao tempo, tanto eu como você temos de sobra, acreditemos ou não nisso. Tudo depende ao que você irá renunciar e o que você irá fazer e viver no tempo que é só seu e de ninguém mais, se você o quiser.

E é só.

Pax et bonum
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA



Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 13 e 17 de setembro de 2010.

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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

PROGRAMA AVE MARIA, 16 de setembro de 2010.


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA


Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 08 e 10 de setembro de 2010.

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

[pdf] AO CANTAR DO GALO

AO CANTAR DO GALO

AO CANTAR DO GALO

Escrevinhação n. 849, redigido em 14 de setembro de 2010, dia de São Materno.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Confesso francamente que não tenho o menor interesse em discutir uma vírgula que seja neste pleito eleitoreiro macabro, não mesmo. Não que eu julgue ser descabida uma discussão sobre o tema, mas sim, porque consideramos apenas producente uma discussão onde os envolvidos no diálogo tenham o franco interesse em compreender a complexidade do que está em jogo. Infelizmente, o que vemos de um modo geral é apenas um amontoado de conversas miúdas onde apenas se discute as burlescas e supostas virtudes do candidato “A”, ou da candidata “B”, ou o quão belo é “o mundo melhor possível” e assim por diante.

Contrariando a corrente reinante, fico cá eu com meus botões a perguntar: será que os doutos debatedores que ficam trocando farpas vazias pararam por um instante para refletir sobre o que realmente está em jogo em nosso país? Obviamente que não. Não estou me referindo aos candidatos não, que são sicofantas confessos. Referimo-nos aqui, nesta missiva, aos eleitores que se auto-proclamam críticos, esclarecidos, com todo aquele trololó que tão só a lembrança nos cansa. Digo isso por um ponto muito simples: quando mais um indivíduo se auto-declara crítico, menos ele estuda e mais ele decora um amontoado de frases feitas de relativo efeito retórico. Aí, meu caro Watson, fica difícil, para não dizer impossível, qualquer diálogo que seja merecedor deste epíteto.

Quando se pergunta o que está em jogo neste entrevero todo, estamos inquirindo sobre os valores que estão sendo colocados em cheque em nossa sociedade. Isso mesmo! Quais são os valores que estão sendo preteridos? Quais valores estão passando a imperar e a reger a vida em sociedade nesta terra de desterrados chamada Brasil? Essa deveria ser a pergunta número um para sufragarmos o nosso voto em um determinado candidato ou em nenhum deles. Todavia, essa pergunta é praticamente uma carta fora deste baralho viciado.

A única pauta que toma conta das conversas dos que amam falar em política é saber quem irá apresenta a proposta com mais regalos materiais e tudo mais que tenha haver com esse tom. Com este dito não estamos afirmando que tais questões não tenham a sua devida importância, entretanto, em uma sã escala de valores, noeticamente ordenada, estes pontos de modo algum ocupariam a escala suprema e absoluta como vem ocupando em nossa sociedade, em nosso horizonte de pseudo-consciência.

Não está claro? Então troquemos por miúdos. O ponto mais elevado em uma vida humana deve ser aquele que tenha maior permanência na alma. Neste sentido, o elemento central em uma pessoa é a religião. Aliás, como nos ensina o Pe. Negromonte, em uma doutrina religiosa seu centro irradiante é a vida. A religião, neste sentido, não é apenas um conjunto de ritos, normas e observâncias que servem apenas de adorno na vida das pessoas como uma espécie de curiosidade patética, mas sim, algo que deve, necessariamente, envolver toda a nossa personalidade, orientando as nossas ações. Isso, meu caro Horário, é religião e por isso, tal dimensão da existência deveria receber uma maior atenção de nossa parte devida a sua complexidade e profundidade.

Complexidade esta legada ao um enésimo plano por seus praticantes e, mais do que naturalmente, pelos seus algozes, que as conhecem superficialmente e se julgam doutos sabedores do que eles imaginam que ela seja. A esta altura, o amigo leitor deve estar se perguntando o que isso tem haver com o pleito eleitoral. Bem, se tal indagação passou a parlar em seu íntimo, você tem, no âmago de seu ser, claramente um sinal deste combate que hoje existe em que se move mundos e fundos para se destruir todos os alicerces Cristãos de nossa sociedade e, conseqüentemente, de nossa alma e que, olimpicamente, desdenhamos.

Por exemplo: desde a Encíclica RERUM NOVARUM, do Papa Leão XIII até a encíclica CARITAS IN VERITATIS do Papa Bento XVI, passando pelo DECRETUM CONTRA COMMUNISMUM (proclamado pelo Papa Pio XII e ratificado pelo Papa João XXIII) e pela Constituição Pastoral GAUDIUM ET SPES do Concílio Vaticano II, o Socialismo e todas as suas hostes são condenados pela Santa Madre Igreja. Aliás, como nos ensina o Papa Pio IX em sua Encíclica QUADRAGESIMO ANNO, "Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos contraditórios: ninguém pode ao mesmo tempo ser bom católico e socialista verdadeiro".

Todavia, qual Cristão Católico leva essa orientação a sério? Naturalmente que as almas pusilânimes antes mesmo de conhecerem o conteúdo destes documentos já os recusam, todavia, em nenhum momento param e se perguntam por que tantos papas (todos os papas desde o século XIX) condenam expressamente essa doutrina genocida. Aliás, você já se fez essa pergunta e procurou encará-la com a devida seriedade? Bem, para tanto é necessário estudar os documentos citados (disponíveis na internet no site do Vaticano e em português), porém, isso dá trabalho, não é mesmo?

Penso eu que seria de grande importância que eleitor Cristão Católico ponderar sobre esses pontos, visto a atmosfera marxista que se desenha nos ares de nossa sociedade hodierna. Não apenas na seara dos palanques, mas em todas as dimensões de nossa vida aonde essa doutrina espúria vem tomando dia após dia um status quase que sacrossanto, sem ao menos nos questionarmos sobre os frutos que ela mesma pariu no mundo no correr da última centúria.

Se o galo já cantou ou não após tantas hesitações e negações de nossa parte, eu não sei. Sei apenas que não é de bom alvitre desdenhar ou mesmo tratar de maneira leviana questões desta magnitude na hora de decidirmos nosso voto.

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

[pdf] O OLHAR PERDIDO DA CORUJA SOBERBA

O OLHAR PERDIDO DA CORUJA SOBERBA

O OLHAR PERDIDO DA CORUJA SOBERBA

Escrevinhação n. 848, redigido em 07 de setembro de 2010, dia de Santa Regina e de Eugênia Picco - irmã religiosa.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Todo santo dia quando volvemos nossas vistas e afinamos nossos ouvidos para prestar atenção no que hoje se convencionou, por um sério problema de mau gosto, chamar de educação, confesso que uma torrente de sentimentos abate meu coração em um misto de tristeza e fúria, de desgosto e impotência. Naturalmente que externar tal turbulência em nada contribuiria para resolução do cenário que testemunhamos, do mesmo modo que cultivá-los no âmago do pulsar do peito. Aliás, são em momentos como este que Goethe nos ensina que é urgente ter paciência. Paciência e tranqüilidade de espírito para sermos capazes de não nos contaminarmos com os fétidos ares que nos repugnam.

Falar sobre isso em um único artigo seria literalmente um trabalho impossível, visto a quantidade ululante de dejetos que compõem o drama. Entretanto, similar a um bom laboratorista, podemos separar as fezes epistêmicas em inúmeros tubos de ensaio devidamente etiquetados e analisá-los um a um.

Dito isso, vejamos a primeira amostra. A mais grave, penso eu. É muito comum testemunharmos entre educadores um forte tom de leviandade quando estes falam a respeito de assuntos religiosos, em especial no que se refere a história do Cristianismo e com relação a Santa Madre Igreja. Detalhe, meu caro: esses educadores que levianamente emitem suas pútridas opiniões sobre essa Confissão em especial, e sobre as demais de um modo geral, o fazem com aquele ar de douto fingimento.

Certa feita, perguntei a um amigo que atua na mesma seara se ele já havia lido e estudado o Catecismo Romano. A resposta foi negativa. Perguntei também se ele estudava regularmente o texto da Sagrada Escritura. Naturalmente, a resposta também foi negativa. Porém, mesmo assim, ele estava cheio de opiniões sobre a doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana. Da mesma forma que a maioria absoluta dos professores da área de humanas, inclusive e principalmente os que se apresentam como supostos Católicos.

E é claro que esses indivíduos sentem-se sumamente ofendidos quando são lembrados disso por essas inquirições. Eu de minha parte, sentir-me-ia apenas envergonhado. Como de fato sinto-me até os dias atuais, visto que, em minha porca juventude eu era um desses professores incultos e arrogantes. Todavia, ainda nestes idos pretéritos, defrontei-me com essa inquietação quando adquiri o Catecismo e flagrei-me que havia ali um universo inteiro que eu desconhecia e que soberbamente opinava como se fosse um grande conhecedor. Envergonhei-me em minhas indagações solitárias diante do tribunal de minha consciência.

De mais a mais, o problema não é ofender alguém ou algum grupo falando a verdade. O problema capital é o quanto que a Verdade é ofendida por nós, insultada por nosso fingimento e por nosso respeito descomunal pelos simulacros de civilidade edificados a partir da mentira deliberada construída na base de uma superficialidade atroz que apenas tem credibilidade nos dias hodiernos porque praticamente todos têm sua existência de papelão firmada neste nível pífio de profundidade.

Isso mesmo! Se você é um desses que se sente ofendido com as missivas deste anódino escrevinhador, largue mão de frescura e encare a si mesmo com a necessária coragem e decência e apenas pergunte a si mesmo se você conhece minimamente as 744 páginas que compõem o referido Catecismo (que não é o de Trento e nem o de São Pio X). Tenha coragem e pergunte-se ainda se você realmente estuda devidamente as Páginas Sagradas. Se as respostas para estas perguntas forem sinceras e negativas sinta-se mais envergonhado que insultado, porque os insultos que você proferiu frente a sua consciência e perante Deus são bem mais sérios.

Lembramos que essas leituras indicadas não são o supra-sumo sobre essa confissão religiosa em especial, mas sim, o mínimo que uma pessoa deve conhecer para começar a construir um ponto de vista sobre o tema que mereça ser levado em consideração. Mínimo este que se faz ausente entre os críticos dos dois mil anos de tradição.

Diante de uma situação como esta, podemos tomar dois caminhos. O primeiro é simples: começar a estudar aquilo que até então fora desdenhado por nós. O segundo, mais simples ainda: continuarmos a fingir que nada do que foi dito e ecoado nos átrios de nosso íntimo tenha alguma coisa haver conosco. Ou seja: basta apenas continuarmos a agir como uma criança cheia de mimos.

Sim, é difícil nos desmentirmos para nós mesmos, mas é somente assim que podemos nos libertar de nossa ignorância. Por um ato de vontade crescemos em espírito e verdade. Através de um ato de vontade, nos fechamos em nossa alcova putrefaz e sombria. Você é que sabe. Ah! E se o fingimento é sua regra existencial não se preocupe. Essa é a regra da sociedade brasileira. Todos irão, como sempre, fingir acreditar em sua pessoa da mesma forma que você finge acreditar em si.

[continua]

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sábado, 4 de setembro de 2010

COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA


Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 30 de agosto e 03 de setembro de 2010.

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

COMUNICADO


Em breve estará na rede o podcast NO AREÓPAGO. Um sucinto comentário semanal voltado especialmente para os meus alunos, amigos e a todo aquele que tiver interesse em ouvir este bufo escrevinhador.

[pdf] PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte III

PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte III

PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte III

Escrevinhação n. 847, redigido em 29 de agosto de 2010, dia da Bem-aventurada Joana Maira da Cruz e do Martírio de São João Batista.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“A verdade é o alimento da alma”.
(Sto. Agostinho)

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“Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, toma a sua cruz de cada dia, e então me siga” (Lucas IX; 23). Muita coisa pode ser dita a partir deste pequeno e luminoso versículo das Sagradas Páginas, principalmente se refletirmos sobre o guiamento que este apresenta aos homens de todos os tempos e, principalmente, para nós que vivemos nestes degenerados dias.

Um ponto bem simples e que é sumamente desdenhado pelos relativistas que em suas comparações irresponsáveis e levianas costumam comparar uma religião com outra como se fossem realmente idênticas, tipos do mesmo gênero, sem se perguntar quem é Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele não é um líder, nem um profeta ou um simples sábio. Ele é o Verbo divino encarnado. É Deus que se fez homem para nos lavar de nossas pustulentas chagas e nos reavivar no real sentido da vida humana.

Por isso, seguir o Cristo é seguir a Verdade divina que se fez carne e sangue entre nós. Cotidianamente, seguir ao Cristo é literalmente procurar fazer da procura pela Verdade o caminho de sua vida. Aliás, viver verdadeiramente significa procurar ser humanamente verdadeiro em cada gesto de nossa vida, convertendo nossa vida em uma grande prece que seja recitada em espírito e verdade (João IV, 23) permitindo, deste modo, que sejamos elevados com ela transfigurando-nos na medida em que somos capazes de amar sinceramente a verdade e, principalmente, a procura por ela.

De mais a mais, como nos ensina São Dionísio Areopagita, o tende sempre à união como o objeto amado. E aí vem a nossa mente a primeira inquirição: em que medida realmente amamos a verdade? Em que medida realmente a procuramos? O dito popular que afirma que a verdade deve ser dita doa a quem doer é facilmente de ser entoado, porém dificilmente vivido e praticado.

Opa! Sem delongas, lembramos que não nos referimos a aplicação deste dito no anunciar verdades em público, não mesmo. Referimo-nos a condição fundamental de sermos capazes de fazer isso intimamente, de confessarmos francamente perante o tribuno da consciência quem nós somos. Quem realmente somos.

E o Verbo divino que Se fez carne sabe desta dificuldade que há em nosso coração, sabe claramente do quão pedregoso é o terreno do jardim de nosso mundo interior que já nos advertia que se formos seguir a Verdade em seu caminho para termos vida real nós temos que, primeiramente, renunciar as nossas verdades, as nossas pseudo-verdades, esvaziando e limpando nossa alma do entulho mundano para que esta possa ser habitada pela Sabedoria.

Muito bem, mas o que significa isso? Significa que devemos ser realista para conosco mesmo. Significa que devemos ser humildes e curvar nossa inteligência diante do Real para que esse possa nos elevar e nos iluminar interiormente. Podemos comparar nossas pseudo-verdades (opiniões) com uma porção de água infecta que está em um copo (nossa alma). Todo dia recebemos uma boa dose de água cristalina da Verdade. Todavia, misturamos esta com a nossa água sórdida. Trocando por miúdos, não é que a Verdade complementa nossas opiniões. A Verdade nos liberta delas (João VIII; 32).

Naturalmente, meu caro, que tal tarefa não é fácil. Por isso, abraça a sua cruz, dia após dia, e siga aquele que É o Caminho, a Verdade e a Vida. Nós não nos tornamo dignos da noite para o dia, não nos encontramos com a Verdade em um reles estalar de dedos, não mesmo. Leva-se literalmente uma vida inteira de dedicação e zelo, disciplinando-nos nesta via para que Ela nos discipline.

Esse é a senda para formação de uma pessoa digna, prestativa e boa. E o que marca essa vereda é o sacrifício. A formação de uma pessoa que seja cônscia da necessidade de se realizar gestos de auto-sacrifício na consagração de nossa vida a algo que seja Vida.

Falando em português bem claro, uma boa educação não se mensura por dados estatísticos ou pela quantidade de disciplinas que integrem o currículo. Ela se avalia pelo senso de responsabilidade que se cultiva na alma do mancebo levando-o a compreender uma lição muitíssimo simples: se desejamos realmente realizar algo de significativo em nossa vida, teremos de sacrificar um prazer momentâneo em nome da pessoa ideal que pretendemos ser.

Mas, como hoje poucos desejam conhecer e abraçar a sua cruz e seguir o Caminho que pode nos levar a transfigurar-se é que temos uma sociedade onde vergonhosamente os indivíduos se orgulham de sua ignorância, onde se considera uma vida bem vivida quando esta é entregue a corrupção. Uma vida assim vivida, não é vida humana e muito menos animal. É infra-humana. Compreender isso, em nosso ver, é capital para que de maneira sadia possamo-nos realizar como pessoa.

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COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA


Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 23 e 27 de agosto de 2010.

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[pdf] DA PÁTRIA CELESTE

DA PATRIA CELESTE

DA PÁTRIA CELESTE

Escrevinhação n. 846, redigido em 16 de agosto de 2010, dia de São Roque, Santo Estevão da Hungria e São João Francisco Régis.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Uma só coisa importa: comportar-vos como cidadãos de maneira digna do Evangelho de Cristo". (Filipenses I; 27)

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Frithjof Schuon, grande sábio islâmico, nos lembra que a função essencial da inteligência humana é o discernimento entre o real e o ilusório; e a função da vontade é apegar-se ao que é permanente e real. Segundo o mesmo, esse apego e esse discernimento são a quintessência da sabedoria. Tais considerações vão de encontro ao que nos diz o Verbo Encarnado quando proclama que “não é apenas de pão que viverá o homem”. Cada um de nós não nasceu para perecermos e desaparecer na decomposição das moléculas que compõem o nosso corpo. Cada um de nós é um ser imortal, criado para glória celeste, apesar de decaídos pelo pecado e tendo nosso discernimento turvado, nossa vontade viciada por medirmos a realidade unicamente pela dimensão terrena, desdenhando a realidade celestial que é permanente.

Todos nós, Cristãos, vivemos como exilados neste mundo, pois, nenhuma pátria neste vale de lágrimas a nós pertence. Nossa cidadania a ser vivida e testemunhada em qualquer rincão do globo é esta, a da Jerusalém Celeste. Todavia, vivemos em um mundo tão imerso em valores materialistas, imanentistas, hedonistas, relativistas que nos esquecemos dia após dia de nossa filiação divina, passando a agir e a tomar decisões dentro do que Dinesh D’Souza, pesquisador do Hoover Institution, denomina como sendo um ateísmo prático. Ou seja: o indivíduo declara-se um fiel, freqüenta os ritos de sua confissão religiosa, porém, em seu dia a dia age como se Deus não existisse. E é assim que, infelizmente, tomamos nossas decisões em nossa vida, desde as mais corriqueiras até as mais graves.

Quando tomamos em mãos os documentos do Concílio Vaticano II, em especial, neste caso, a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, lemos que “[...] a Igreja não pode deixar de reprovar, dolorosamente, com toda a firmeza, como reprovou até agora, aquelas doutrinas e atividades perniciosas que contradizem à razão e à experiência humana universal e privam o homem de sua grandeza inata”. No caso, o documento se refere ao materialismo e ateísmo economicista e marxista de todos os matizes (conforme se lê na 16ª. nota de rodapé do referido documento) que reduzem a compreensão do humano e, conseqüentemente, nos distancia da finalidade de nossa existência que, absolutamente, não é nem carnal e muito menos mundana.

Ainda o texto conciliar nos lembra que devemos, urgentemente, tornarmo-nos homens e mulheres que se dediquem a compreensão da Verdade, detentores de uma personalidade forte. O indivíduo se fortalece como pessoa quando se dedica vivamente aos seus, quando abraça a sua comunidade encontrando o seu lugar nela, assumindo a sua responsabilidade de maneira abnegada. Não a procura de vanglórias, mas sim, desejando apenas ser um anônimo e pequeno instrumento da Vontade de Deus, permitindo a edificação de Seu reino em nosso coração tal quais os luminosos exemplos de São João Maria Vianney, de São Tomás Becket, e de todos os Santos de Deus.

Por essa razão que mais do que nunca nós devemos clamar a Santíssima Trindade para que nos infunda uma profunda fortaleza e uma impávida coragem moral para agirmos de acordo com nossa Fé, pois é esta que deve dar forma ao nosso caráter e não os preceitos ignóbeis do mundo atual.

É fundamental que vivamos nossa fé de maneira profícua. Lembramos essa questão tão simples porque ela é sumamente desdenhada devido as influências abomináveis citadas a cima. Hoje em dia, a Fé passou a ser sinônimo de crença cega, desvinculada da razão. Todavia, não é isso que Deus quer de nós. Quem quer isso é o mundo moderno com suas intrigas sórdidas. Ter fides (fé), meu caro, é esforçar-se em manter-se fiel as promessas de Nosso senhor. É disso que nossa sociedade hodierna carece, de que cada um de nós lute vigorosamente contra esses valores que querem não apenas dar forma as nossas decisões, mas perverter a natureza humana.

Pode parecer ao amigo leitor que essa conversa toda foi um tanto que fora de ritmo. Entretanto, creio que não sejam estas palavras que estão fora do tom, mas sim, as veredas que temos trilhado na sociedade contemporânea. Nossa sociedade está se apartando cada vez mais dos valores que nos religam a nossa Pátria Celeste, procurando nos agrilhoar a anti-valores que reduzem a nossa dignidade originária através de pseudo-esperanças mundanas como nos adverte o Papa Bento XVI em sua Encíclica Spe Salvi. Por isso é imprescindível que sejamos capazes de discernir a realidade divina das ilusões mundanas.

Por isso, sou franco em dizer que pouco importará sufragar ou não nosso voto nas urnas moderninhas sem levarmos em conta nossa real cidadania. De que adianta ganharmos a leviandade do mundo se perdermos a nossa alma? Votar é apenas um diminuto detalhe. Viver e dar testemunho de Cristo são o cerne de nossa cidadania. De mais a mais, como nos ensina Santo Agostinho, “ainda que fujas do campo para a cidade, ou da rua para tua casa, tua consciência vai sempre contigo. De tua casa só podes fugir para teu coração. Porém, para onde fugirás de ti mesmo?” Pra onde? É essa a questão que importa. O resto não passa de um de flácido colóquio de pusilânimes e misantropos presunçosos e nada mais.

Pax et bonum
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