quarta-feira, 25 de agosto de 2010

COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA


Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 16 e 20 de agosto de 2010.

Para ouvir os comentários, clique aqui.

[pdf] PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte II

PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte II

PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte II

Escrevinhação n. 845, redigida entre 31 de julho de 2010, dia de Santo Inácio de Loyola e 18 de agosto de 2010, dia de Santa Helena.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Para muitos a ilusão de sua suposta superpotência é algo avassalador no horizonte de consciência, tornando o indivíduo incapaz de perceber sua quase total impotência. Julga-se capaz de feitos grandiloqüentes sem perceber que esses mesmos, que tem em tão elevada conta, não passam de um amontoado de pó e sombras. Mas donde vem essa fantasia que toma conta da humana alma? Ora, raios, por que nos permitimos cair em tão grande engodo? Eis aí a escabrosa questiúncula. Respondê-la, obviamente, não é tarefa para uma tão breve missiva, mas sim, para um grande esforço de mudança de postura frente a si mesmo e frente à realidade.

O grande problema que enfrentamos em nossas reflexões e pontuações diuturnas é que partimos sempre de uma inconstante e desmedida impostura moral. Tal ato, por sua deixa, vicia toda possibilidade de uma legitima vida intelectual, de uma vida dedicada a procura sincera da verdade para nela viver e ser.

Para começo de prosa, sempre quando nos defrontamos com qualquer notícia que nos é apresentada, nós a acolhemos como se já a conhecêssemos de longa data e com relativa profundidade e que, aquela nota que nos foi apresentada apenas fez reavivar, atualizar, algo que supostamente já sabíamos. Entretanto, em regra, essa notícia que se apresenta é a primeira (e única) informação que temos sobre esse algo que julgamos tão bem conhecer. Raramente, para não dizer nunca, o indivíduo que toma uma postura similar pergunta-se: mas será que é verdade? Será que não estão me fazendo de trouxa?

E o que torna tal impostura mais absurda, raiando as fronteiras da neurose, é o fato de que o elemento nada conhecendo sobre o que lhe foi noticiado acredita piamente que foi dito pela grande mídia. Por aquela grande mídia que ele mesmo expressa, ao menos verbalmente, um grande sentimento de desconfiança. Ou seja: ele finge saber o que desconhece acreditando em alguém que ele finge desconfiar.

Um bom exemplo de toda essa pachorra cognitiva é quando vemos esse tipo metido a informado falando sobre as últimas verdades científicas comprovadas que foram apresentadas em uma revista ou em um programa televisivo. Ponto um: o elemento provavelmente nunca parou para pensar no que é uma ciência. Cansei de testemunhar pessoas diplomadas (principalmente) que não sabem o que é ciência, mas que, se julgavam pessoas que agem através de supostos “critérios científicos”. Ponto dois: não sabendo o que é ciência e o que lhe cabe, é claro que ela também não saberá discernir entre o que é uma evidência cientifica de um artifício erístico. Ponto três: por isso mesmo esse indivíduo, tagarela, nunca parou para pensar que o que ele crê ser uma verdade cientificamente comprovada não é, nem de longe, uma verdade, nem científica e muito menos comprovada.

E este, meu caro Watson, é apenas um exemplo entre inumeráveis outros que abundam em nossa sociedade, todos eles advindos desta nossa impostura moral perante o ato de conhecer, nascidos de nosso orgulho que nos impele a desdenhar a procura pela verdade, deste as mais elementares.

Por isso de nada adianta essa mania fingida de ficar atirando dejetos na grande mídia se não realizamos, primeiramente, um profundo e sério exame de consciência, para traçar uma clara topografia de nossa ignorância e conhecermos o que não sabemos, o que fingimos saber, o que devemos compreender e o que necessitamos entender. Tomar essa postura seria não apenas uma mudança no modo de nos relacionarmos com o mundo em torno e com a grande mídia. Tal atitude nos impeliria a mudarmos a nossa maneira de nos relacionarmos conosco mesmo, conhecendo-nos verdadeiramente para podermos, desde modo, reconhecer os enganos e auto-enganos que cometemos, voluntariamente ou não, todo santo dia.

Tal atitude de modo algum mudará o mundo e muito menos os nossos iguais. Mas você mudará e, provavelmente, melhorará como pessoa e, provavelmente, pela primeira vez na vida, poderemos, nos olhando no espelho da verdade ver a realidade sobre nós que a tanto tempo estava oculta, escondida por detrás da mascara de nossa mentira existencial que tanto diminui nossa dignidade originária.

Pax et bonum
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

PROGRAMA AVE MARIA, 19 de agosto de 2010.


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA


Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 09 e 13 de agosto de 2010.

Para ouvir os comentários, clique aqui.

PROGRAMA AVE MARIA, 12 de agosto de 2010.


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

[pdf] PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte I

PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte I

PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte I

Escrevinhação n. 844, redigida em 30 de julho de 2010, dia de São Pedro Crisólogo.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Há um sapientíssimo sermão proferido por Santo Afonso de Ligório sobre “o milagre do surdo-mudo” (Marcos VII; 32). Porém, antes de meditarmos sobre as palavras do doutor zelosíssimo, permitam-nos fazer um parêntese que, por sua deixa, julgamos ser mais do que necessário. Sabemos que para muitos, atualmente, é um tanto que estranho iniciar uma reflexão a partir de uma passagem Bíblica juntamente com os ensinos de um Santo. Porém, a estranheza não está nesta forma de proceder, mas sim, no desconforto que tal procedimento causa ao entendimento de muitos.

O homem do ciclo moderno desdenha orgulhosamente o fato de que as Letras Santas não devem ser interpretadas, mas sim, que estas se fazem presentes entre nós para que interpretemos a nossa vida, as vias de nossa alma a partir da luz de Delas emana. A Palavra Sacra é infinitamente maior que o nosso entendimento, profundamente mais profícua que a nossa inteligência. Tal observação não significa que ela seja obscura, mas sim, que ela é a luz que se apresenta para as pessoas para que possam conhecer os cantos e recônditos mais obscuros da alma.

Por essa razão, São Jerônimo nos diz que se amarmos a Bíblia a sabedoria te amará. “Ama-a e ela te guardará. Honra-a e ela te abraçará”. Isso era e é o que as almas santas fazem: não se apropriam das Santas Letras de maneira leviana como comumente fazemos, mas sim, se deixam ser tomados por Elas e passam a viver de acordo com o que essas Luzes apontam para as suas luzes.

Por isso, perguntamos: quem entre nós procura proceder desde modo? Quem com freqüência diuturna dedica-se não apenas à leitura das Letras Inspiradas, mas permite que elas passem a fazer parte dos versos de seus dias? Bem, era isso que os Santos faziam e fazem e é isso que temos de aprender com eles. É essa maneira de viver que faz essas almas exalar em seus passos e palavras as mais agradáveis fragrâncias da Divina Sabedoria.

E é neste ponto que gostaríamos de partilhar as palavras sapientes de Santo Afonso de Ligório. Pergunta-nos ele: quem são os surdos-mudos curados pelo Verbo Encarnado? Somos nós em nossa surdez e mudez espiritual. Essa se manifesta de uma maneira distinta da carnal. Por paradoxal que possa parecer, esse tipo de deficiência dá-se devido à incapacidade de nos silenciar em nosso mundo interior.

Ouvimos as palavras verdadeiras. Muitas das vezes temos a realidade se apresentando de maneira objetiva e clara para nossas vistas, porém, o nosso entendimento se encontra inflado com toda ordem de ilusões advindas do espírito mundano que se alimenta de nossas impressões subjetivas, de nossas opiniões, de tudo que é estranho a Verdade. Somos surdos por não sermos capazes de compreender os sinais que a realidade (interior e exterior ao nosso ser) nos apresenta. Tornamo-nos mudos por não conseguirmos comunicar tudo o que há em nós e de captar o que está a nossa volta por prendermo-nos em demasia ao que é ilusório e transitório como se esses elementos fossem eternos e reais.

Tornamo-nos surdos espiritual e intelectualmente por carência de sinceridade. Como nos lembra Santo Afonso, nos escondemos da confissão de nossos pecados, ocultamos estes de nós mesmos em um pífio ato de autopreservação que, no fundo, apenas corrobora com nossa total degeneração.

Ora, a confissão que nos referimos nestas linhas não é tão só aquele momento em que estamos diante de um Sacerdote, mas sim, àquele momento em que estamos diante do Sumo Sacerdote que ilumina a nossa consciência quando nos entregamos ao necessário exame que fazemos de nossa vista no silêncio e na solidão de nosso íntimo.

Se nos esquivamos do ato de meditar, de refletir com franqueza sobre quem nós realmente somos, estaremos, gradativamente, obstruindo a audição de nossa consciência. Procedendo por essa via, acabaremos não mais nos arrependendo francamente de nossas faltas e dívidas, mas sim, justificando-as como se estas fossem necessárias. Pior! Como se elas fossem inevitáveis. Ou seja: justificamos nossos erros robustecendo nossas fraquezas.

Examinar a consciência com vistas a elevar nosso ser à contemplação da Verdade, da verdade sobre nós. Eis aí o ponto basilar de toda reflexão, abandonando nosso ego enquanto medida de todas as coisas e adotando a Verdade, o Verbo que se fez carne como medida de todas as coisas, inclusive de nossa pessoa. Eis aí a coluna que tanto falta para o nosso entendimento e que abunda no olhar, no ouvir e no falar de todos os Santos de Deus que sabem aceitar a Sabedoria Divina como luz vivificante da inteligência.

Endireitando nosso pensamento por essa vereda conseguimos compreender com clareza as palavras de Santo Agostinho que em suas preces pedia a Nosso Senhor: “Escrevei, Senhor, vossas chagas em meu coração, para que nelas eu leia a dor e o amor: a dor, para suportar por vós todas as dores; o amor, para desprezar por vós todos os amores”.

Que o Cristo, Verbo Encarnado que revelou o homem para a humanidade, nos auxilie na compreensão da humanidade que há em nós, do homem que devemos nos tornar para sermos verdadeiramente quem devemos Ser. Não mais uma medida diminuta de nosso umbigo, mas sim, edificado pela medida Daquele que é o sustentáculo da realidade.

Pax et bonum
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domingo, 8 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

[pdf] OUTRA ALOCUÇÃO INAUDITA

OUTRA ALOCUÇÃO INAUDITA

OUTRA ALOCUÇÃO INAUDITA

Escrevinhação n. 843, redigida em 28 de julho de 2010, 17ª. Semana do Tempo Comum, dia de Santo Inocêncio I, São Nazário e São Celso.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Três coisas são necessárias para a salvação do homem: saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer”. (Sto. Tomás de Aquino)

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Certa feita, em uma agradável conversa que mantive com um grande amigo (que, aliás, é uma das pessoas mais ilustradas e serenas que conheci), este falou-me que o papel fundamental daqueles que estão investidos da função de instruir não seria ensinar algo novo e singular, mas sim e tão só lembrá-los o óbvio. O óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues. Naturalmente, este sábio irmão de fé estava coberto de razão.

Sem rodeios, explico-me: quando volvemos as meninas de nossas vistas para as preocupações que pululam as estéreis discussões em torno do tema “educação”, com grande freqüência vemos a proclamação da necessidade de se procurar atualizar os nossos métodos e conteúdos, que a prioridade número um dos educadores deve ser a adoção de uma postura diferenciada que arremesse para as vistas dos mancebos um viés formativo mais condizente com a nossa realidade hodierna. Todos nós já ouvimos aqui ou acolá esta lengalenga, quando não fomos participes desta, não é mesmo?

Pois bem, por isso mesmo retorno ao ponto levantado pela anônima voz de meu dileto amigo, agora, na forma de uma singela inquirição: mas, e quanto ao basicão? Isso mesmo! Nossos incautos púberes já se encontram suficientemente versados nos saberes, fazeres e deveres elementares para poderem se aventurar com a devida propriedade em mares epistemológicos nunca dantes navegados?

É, meu caro José. A festa nem mesmo começou e já é possível sentir aqueles ares nauseantes a entorpecer nossa percepção e a atordoar o nosso entendimento, porque apesar da erística pedagógica chinfrim reinante, a resposta que nos é dada pelos extratos da realidade a tal indagação é um retumbante não. Não se sabe e mesmo se desdenha o assim chamado “basicão”.

Para os que compreendem a gravidade do problema, isso não é apenas alarmante. É desconcertante. Todavia, não nos esqueçamos de que, para muitos, este quadro atende diretamente os seus interesses mais imediatos e primários, visto que, são inumeráveis as almas que, nisso que elas chamam de vida humana, fazem-se valer da “lei de Gerson” adaptada a era hi tech: “tô nem aí!”

De um modo geral, empurramos o problema com a barriga, com os glúteos, com o que der, para que possamos ao menos encenar uma aparente preocupação com a situação. No fundo, a maioria de nós deseja apenas tirar a sua (in)devida vantagem. Trocando por miúdos: todos sabem que a educação, de um modo geral, tornou-se atualmente um sinistro teatrinho onde todos são testemunhas do homicídio qualificado da inteligência humana, porém, nos calamos e nos silenciamos como cúmplices porque, de algum modo, estamos tirando alguma “vantagem” dessa situação.

Muitos educadores, cansados ou não, tem apenas em seu horizonte de inquietações o seu ordenado mensal. Muitíssimos alunos vislumbram unicamente a possibilidade de dar um migué em todas as matérias e obter uma aprovação, com ou sem a outorga do conselho de classe. Um bom tanto de pais apenas não quer, como se diz, incomodar-se. E, nossos (des)governantes, é claro, anseiam saber apenas quantos votos essa demagogia toda poderá lhes render.

Definitivamente, nossa sociedade se acanalhou de forma tal que chega ser embaraçoso declarar qualquer palavra de maneira franca e séria sobre qualquer assunto, visto que, não mais conseguimos visualizar, neste doentio ambiente, almas que realmente dialoguem de maneira franca sobre o que está a sua volta e sobre o que habita dentro das vidraças da janela de seu ser.

Sabemos que o desprezo pelo conhecimento em nossa sociedade vem de longa data e é, infelizmente, uma das marcas indeléveis da brasilidade. Todavia, na atualidade este desdém autoproclama-se soberano e sujeito ativo de direitos, digno de respeito, mesmo que isso tudo seja apenas mais um fingimento, como tudo o mais, não é mesmo?

Pax et bonum
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010