UMA QUESTÃO DE DECISÃO

Escrevinhação n. 838, redigida em 06 de julho de 2010, dia de Santa Maria Goretti e da Bem-aventurada Maria Teresa Ledochowska.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Três coisas são necessárias para a salvação do homem: saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer”. (Sto. Tomás de Aquino)

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Em muitas ocasiões procuramos chamar a atenção para a importância da faculdade volitiva no processo de aprendizagem/ensino, faculdade esta sumamente desdenhada com relação à figura do educando e superestimado no que tange a figura do educador principalmente quando deitamos nossas vistas nas cansativas e parvas laudas que versam sobre questões de ordem pedagógica que são redigidas por mãos que apenas teorizam sobre algo que desconhecem por completo.

A vontade é a faculdade que molda o nosso caráter e não meramente a razão como comumente costuma-se afirmar. Por essa razão que se torna extremamente tola qualquer tentativa de se explicar a educação com base em clichês meramente racionalistas, ideológicos, materialistas e funcionais como se costuma fazer. Isso mesmo! Quando abrimos aquelas belas considerações presentes em livros e revistas, especializados ou não, tudo parece perfeito, porém, quando confrontamos essas com as tensões presentes na realidade, revela-se a sua total nulidade.

Permitam-nos o uso de um exemplo para demonstrarmos o que estamos apontando. Quantas e quantas vezes nós realizamos escolhas que eram totalmente contrárias a nossa razão? Quantas e quantas vezes tomamos decisões contrariando todos os conselhos que nos foram dados pelos nossos pais, pelos nossos familiares, pelos nossos amigos e, principalmente, contrariando as evidências que nós mesmos percebíamos. E assim o fizemos por decidirmos, por manifestarmos a nossa vontade e não por outro motivo.

Bem, essa é a alavanca, de toda ação humana. Tudo o que fazemos nada mais é do que o fruto de uma decisão, de uma manifestação de nossa vontade que, por sua vez, é uma tensão interna, inerente a alma humana. Ou seja, não são os afagos ou dificuldades que irão levar o indivíduo a realizar algo, mas a decisão que ele tomou para a sua vida. Não são as oportunidades que nos são ofertadas ou negadas que determinará o que seremos, mas sim, o que fazemos com o que nos é apresentado como um regalo ou como uma penalidade em nossa vida.

Talvez um caso ilustrativo do que estamos chamando a atenção do amigo leitor, seja a do grande músico Johann Sebastian Bach. Este teria, aos olhos dos pseudo-educadores populistas hodiernos, tudo para ser um “problema”. Perdeu seus pais muito cedo. Foi morar com o irmão com quem aprendeu a tocar órgão. Todavia, este não se entusiasmava com o talento dele e não apenas não dedicava-se a ensinar o próprio irmão como o proibia de ler as suas partituras. Bach chorou? Ficou deprimido? Procurou alguém para garantir os seus direitos? Nada disso. Ele, escondido, copiava no escuro as partituras do irmão para em outros momentos poder estudá-las. É óbvio que quando o seu irmão Christoph descobriu as tais cópias, as destruiu. Entretanto, nem mesmo esse gesto foi um obstáculo para que Johann viesse a ser quem ele se tornou: Johann Sebastian Bach.

E se o amigo leitor se dedicar a leitura da biografia dos grandes homens e mulheres da história da humanidade irá perceber que todos eles têm essa marca em comum. Todos eles tiveram obstáculos e dificuldades para enfrentar e poucos afagos lhes foram dados nesta empreitada de sua formação pessoal. Mas todos estavam decididos quanto ao rumo de seus passos.

Por fim, julgamos que seria apropriado perguntarmos quantos desafios e obstáculos nosso sistema educacional apresenta para os nossos alunos superarem e, conseqüentemente, superarem-se a si mesmos neste ato. Quantos desafios nós aceitamos para a realização de nossa formação, de nosso caráter. Quantos? A resposta a essas perguntas poderá revelar o caminho percorrido por nossos passos e apontar a trilha que deveria ser enveredada pelos mesmos.

Pax et bonum
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