A PEDRA DESDENHADA PELOS CONSTRUTORES – parte V

Escrevinhação n. 823, redigida em 17 de abril de 2010, dia de Santo Aniceto e São Roberto de Turlande.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Nada a constar nas terras do Rei. Nada a declarar nestas terras aluadas, nada que a majestade desta terra de desterrados possa, em sua perfídia, declarar, tomado ou não por sua côlera visceral. Mas a quem pertenceria tal poder, poderia indagar o incauto leitor? A quem pertence todo o poder que neste reino de sombras e pó que tantas lágrimas e rangeres de dentes semeou nos corações humanos, sejam esses tenros ou marcados pelos sutis toques das frias mãos de Saturno? Eis aí uma questão que não poderia de modo algum ser desdenhada por nós.

Ora, a grande fonte de poder de todo e qualquer indivíduo humano é o conhecimento. Através do ato de conhecer podemos nos tornar dignos, prestativos e bons. Ou, se agirmos maliciosamente, podemos fazer com que muitas almas nos sirvam na realização dos nossos intentos mais sórdidos e infra-humanos. Todavia, penso que aqui, caberia a indagação: afinal, como somos capazes de conhecer? Muitos na atualidade se “dedicam” a responder a essa pergunta e muitas são as resposta dadas para essa indagação, algumas inclusive de grande valia, todavia, a maiora não o é, não passando de um amontoado de colóquios flácidos.

De mais a mais, está apesar de ser uma pergunta interessante, não seria a principal, que primeiramente deveria constar em nossa vista. A questão primeira que precisaria constar em nosso horizonte é “por que nós somos capazes de fazer o que fazemos, por que nós somos capazes de compreender o que nós compreendemos? Por que somos detentores deste poder? Ora, poderíamos muito bem agir como um animal qualquer, como muitos “doutos” presumem, todavia não agimos. Vivemos como seres humanos que, em algumas ocasiões agem de modo semelhante a uma besta, porém, em relativa constância, tentamos agir com vistas a realizar em nós algo que é maior e mais dignificante do que nossos momentaneos, e muitas vezes persistentes, erros.

É claro que muitas serão as explicações para o como fazemos isso ou aquilo, entretanto, não é essa a questão. A pergunta central agora é: porque fazemos isso, por que aprendemos? Esse, meus caros é o “X” da questão. Obviamente que tal pergunta não é algo simples para ser respondido. Aliás, não deve ser respondido de maneira leviana. Esta, meu caro, é uma indagação para ser seriamente meditada na solidão da alma humana. No silêncio de nossa alma.

Doravante, meu caro Watson, para responder a perguntas do gênero “como nós fazemos algo” é fácil. Para elas teremos uma resposta quase que, como diríamos, na ponta da língua. Entretanto, nós indaguemos sobre o sentido da existência disso tudo, do porque justamente nós, seres humanos, e justamente nós, fazemos isso. Aí a coisa fica um tanto que complicada, não é mesmo? E assim o fica por estarmos nos indagando sobre o fim último das coisas e de nós mesmos. Descobrir a finalidade que algo implica, necessariamente, em assumirmos a responsabilidade que lhe é inerente. E por essa mesma razão que muitos desdenham essa indagação.

É claro que se virarmos as costas para essa inquietação nós continuaremos a viver e a fazer tudo o que sempre fizemos e não deixaremos de aprender por essa razão. Todavia, continuaremos tendo e manuseando um poder que não sabemos claramente porque está em nossas mãos e, provavelmente continuaremos a utilizados para fins que não lhe são apropriados. De mais a mais, somos detentores apenas daquilo que temos consciência de sua presença e nosso círculo de existência. Somos apenas senhores daquilo que compreendemos claramente a finalidade, o propósito de sua existência e, assim sendo, finalizamos essa breve missiva, mais uma vez, perguntando: por que aprendemos? Por que o Criador nos concedeu esse poder? Qual a finalidade deste dom e em que medida estamos empregando-o e de maneira apropriada?

Eis aí uma questão que não deve calar em nosso peito se, obviamente, desejamos ser algo mais do que o pó e as sombras que compõem o que nos circunda e o que somos neste momento.

Pax et bonum
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