domingo, 28 de março de 2010

PROGRAMA AVE MARIA, 25 de março de 2010


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA

Comentários realizados para a programação da Rádio Cultura AM/FM e transmitidos entre os dias 15 e 19 de março de 2010 da Era de Nosso Senhor.


SÃO JOÃO DA CRUZ - parte I


SÃO JOÃO DA CRUZ - parte II


SANTÍSSIMA VIRGEM


APRENDENDO COM STA. TERESA


IMAGEM E SEMELHANÇA

Boletim catequético Palavra Peregrina - n. 01 - ano I

Boletim catequético Palavra Peregrina

A PEDRA DESDENHADA PELOS CONSTRUTORES

Escrevinhação n. 817, redigida em 24 de março de 2010, dia de Santa Catarina da Suécia.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Desde que o homem esquece a Deus, esquece a si mesmo, porque o amor de Deus é o nervo de sua vida”.
(Pestalozzi)

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Já nos idos da década de sessenta o escritor católico Gustavo Corção declarava que a grande crise que assolava o mundo era fundamentalmente uma crise de Fé. E que, já naquela década pretérita, era uma crise grave. Antes dele, René Guénon, em 1927, em seu livro A CRISE DO MUNDO MODERNO, nos adverte para o fato de a sociedade moderna Ocidental estava se tornando a única em toda história da humanidade que estava se alicerçando em valores materialistas. E o pior que alicerçou-se e cá está o mundo onde vivemos.

A gravidade de tais apontamentos está justamente no desdém insistente que se apresenta e se cultiva com relação à transcendência da alma humana e a redução da natureza humana a um reles amontoado de moléculas condicionadas socialmente. Ora, o que dignifica o ser humano não é a sua carne e muito menos a sua carga genética, mas sim, a sua tendência superior, a finalidade última de sua existência que é justamente o seu destino. Trocando em miúdos, não é possível, como nos ensina o Pe. Leonel Franca (Obras Completas tomo III, 1953), preparar uma criança para a vida sem levá-la a conhecer as razões supremas do viver.

O problema dos destinos humanos é um problema basilar na formação do caráter do indivíduo simplesmente porque este habita de maneira indelével o âmago de nosso ser e, por isso, tais preocupações são pontos importantíssimos na construção da vida moral do indivíduo. Apartado de horizonte de consciência do sujeito, esse ideal de plenitude, destrói-se todos os critérios que estabelecem a hierarquia dos valores morais que regulamentam e motivam todas as ações humanas.

Por esse motivo que o referido padre dizia que uma educação sem um ideal é análoga a um navio sem bússola. Quando não se ensina claramente para um garotinho o que é uma vida vivida a partir de preceitos superiores e qual o significado e a importância disso está-se, literalmente, abandonando este no meio de um mar bravio, que é a realidade, para navegar sem uma bússola, sem cartas cartográficas e sem velas.

E quanto ao Ensino Religioso vigente em nossas escolas? E quanto a filosofia? A segunda, nos moldes vigentes, é apenas doutrinação materialista. Nada mais, nada menos que isso. Quanto a primeira é uma versão vulgarizada da educação religiosa. Isso mesmo. Apresentar para crianças as religiões de maneira superficial como se fossem coisas que elas podem optar para adornar a sua vida é algo de uma vulgaridade sem tamanho, ainda mais em uma idade em que o indivíduo está começando (ou pelo menos deveria) a aprender a praticar uma religião. Já pararam pra pensar na confusão que se está fazendo na cabeça dos infantes? Creio que não.

Tal disciplina, literalmente, acaba reduzindo o fenômeno que é essencialmente humano a uma reles curiosidade escolar, pois, não se compreende nunca o que é uma religião sem que, primeiramente, tenhamos uma vida religiosa madura. E isso é o óbvio ululante. Não é por menos que saia tanta bobagem sobre esse assunto, visto que, dá para contar nos dedos do pé de um babuíno quantas pessoas realmente saberia responder de maneira apropriada a essas indagações. Principalmente as que trabalham com essa disciplina.

E vejam só como estão as coisas: o que era o centro da formação de um indivíduo humano, a instrução religiosa, foi reduzida a uma mera curiosidade histórica e sociológica. Fazendo isso, obviamente que não teremos a extirpação desta tensão ao Eterno que habita a alma humana, porém, inevitavelmente acabamos por ter a sua mutilação. Não é por menos que nos dias de hoje, ao invés de procurar-se a realização de um ideal que leve o ser humano através de uma sincera e contínua abnegação interior à realização de uma grandeza moral no âmago de sua vida, tem-se no meio pedagógico o culto idolátrico e espúrio de uma utopia. Ou seja: todo bom entendedor, mais do que depressa, percebe que no lugar de uma salutar instrução religiosa que apresenta um ideal de realização humana colocou-se uma vulgar instrução ideológica.

Tal troca, inevitavelmente, gera uma significativa desorientação moral, pois, como nos ensina Garrigou-Lagrange, cada alma humana é como um universo espiritual. Não há ser humano que não esteja aberto para a verdade universal através de sua inteligência e de sua vontade e se não for apresentado ao indivíduo os instrumentos para regular e motivar o seu ser, isso não significará que ele não mais os procurará, mas sim, que ele se agarrará a qualquer coisa que se apresente para ele. Aliás, não é isso que literalmente estamos testemunhando em nossa sociedade? Não é isso que muitas vezes estamos testemunhando em nossa vida?

Obviamente que as disciplinas escolares citadas linhas acima não são a causa deste problema, mas apenas um sintoma de uma enfermidade que vem tomando conta da vida contemporânea. A solução para tal crise não reside, de modo algum, nos esforços das Potestades Estatais, principalmente se elas estiverem imbuídas de boa-vontade (o Estado neste estado assusta).

O caminho está na procura que cada indivíduo pode e deve trilhar na vivência de uma vida dedicada a edificação de um sólido conhecimento religioso e metafísico. Conhecimento adquirido através de uma vida resignada à vivência do que estará sendo estudado para, deste modo, irradiar os seus efeitos sobre as pessoas, para que estas também, há seu tempo, movam-se para essa direção.

Todavia, como vivemos em uma sociedade em que o fingimento é a regra e a procura pela verdade uma raríssima exceção, a crise continua sem alternativa e sem solução.

Pax et bonum
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Homenagem do Colégio Estadual Izabel F. Siqueira ao professor Adiel Teixeira do Nascimento

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O Colégio está menor. Não precisamos nem dizer por quê. Basta ver. Ver e perceber que aquele riso extrovertido não mais invade os átrios e corredores do Izabel Siqueira. O silêncio tomou conta dos lábios e nos olhos verteu a saudade embalada pela brisa da despedida.

Poderíamos aqui dizer muitíssimas palavras gentis sobre a pessoa do Seu Teixeira do Nascimento e sobre a sua maneira de ser Adiel. Todavia, tais palavras seriam redundantes e mesmo dispensáveis. Não que ele não as mereça. Não mesmo. Mas assim elas seriam porque suas obras e seus gestos falam por si só na lembrança de todos nós, lembranças estas que tornam toda e qualquer palavra pequenina.

Entretanto, como cá estamos para render uma modesta homenagem ao capitão desta Nau da Educação, nos permitam contar um segredo que, certa feita, ele havia nos confidenciado. Perguntávamos a ele, por que ele veio do Rio de Janeiro para o interior do Paraná? E ele, com seu bom humor fluminense nos revelou essa verdade nos seguintes termos: “Sabe...eu estava indo visitar o meu pai em Francisco Beltrão e, quando me aproximei da referida cidade me apaixonei. Apaixonei-me por aquela paisagem formada por casas de madeira com chaminés que, em meio à neblina, de maneira moleca desenhavam figuras singelas no Céu, imagens de uma infância que já naquela altura se fazia distante. Deixei o Rio, para viver próximo de um rio”.

Casas de madeira com chaminés de fogão à lenha. Essa foi a imagem que o envolveu, juntamente com o carinho da gente que junto das labaredas do velho mobiliário tomam as suas longas cuias de chimarrão regadas ao tom de uma boa conversa temperada com animados causos.

Se o Paraná o adotou ou não, não temos como saber. Mas é certo, aliás, é mais do que certo, ele se entregou a este chão e a essa gente com toda alegria de seu coração. Chão este que recebe as marcas de um homem público que não temia os desafios do dia à dia. Chão este pisado por pessoas que o terão sempre vivo em suas memórias pela sua dedicação a educação e pelas conversas descontraídas que ele gostava tanto de manter com todos em qualquer ocasião.

ECCE HOMO. Esse é homem. Homem que surpreendeu a gente destas terras com sua chegada, que nos surpreendia todos os dias com sua espirituosa presença e que, agora, também, nos surpreende com a sua partida.

E, neste momento, ele deve estar caminhando em direção da Pátria Celeste, junto ao encalço do Criador e em sua chegada deve estar vendo, aquela mesma imagem que o trouxe certa feita para essas paragens do sertão do Paraná. Deve ele estar se aproximando de uma vila formosa, de casas delicadas de madeira adornadas com chaminés e, em uma delas, lá estará, Seu Dionísio, seu sábio pai, para recebê-lo em seu lar eterno.

Quanto a nós, do Colégio Izabel, cá ficamos. Menores com sua partida, com saudades de sua presença que tanto marcou as nossas vidas.

Descanse em paz professor Adiel.

Reserva do Iguaçu, 22 de março de 2010, dia de Santa Léia, 5ª. Semana do Tempo da Quaresma.

A LUZ DOS DIAS

Escrevinhação n. 816, discurso redigido em 17 de março de 2010, dia de São Patrício e Santa Gertrudes de Nivelles e proferido no dia 19 de março de 2010, dia de São José, na Formatura do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Campo Real.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Boa noite a todos. Confesso que gostaria de aqui, neste momento, dizer uma infinidade de palavras. Todavia, provavelmente além de cansar vossos ouvidos não conseguiria dizer tudo o que minha alma anseia em dizer. Por isso, para não permanecer agrilhoado em meu querer, procurarei cingir minha fala pelas vias ditadas pelo conselho que nos é dado pelo discípulo amado de Nosso Senhor (João VIII, 32): "Et cognoscetis veritatem, et veritas liberabit vos". E a verdade, meus queridos, está distante destas linhas mal escritas. A verdade que quero vos falar está esta inscrita nos átrios de meu coração desde o nosso último dia de aula, que jaz à algum tempo.

Olhem a sua volta. Todos, olhem bem. O que vemos? As únicas coisas que podemos apalpar com os nossos carnais olhares são formas imprecisas de pó e sombras. “Vanitas vanitatum omnia vanitas”, diz-nos o Livro do Ecresiastes. Vaidade das Vaidades! Tudo é vaidade. Mas, se as Santas Letras estão certas, e eu não ousaria discordar delas, o que escapa desta dura verdade?

Caríssimos, olhem agora, firmemente, para os meus olhos. Olhem, para os olhos de seus amigos, familiares e mestres que aqui estão aqui simplesmente para vê-los, para prestigiá-los. Tudo a nossa volta é vaidade, mas esses olhares embevecidos de alegria e marejados de contento são sinceras manifestações de amor. Isso mesmo! Amor. E, apenas isso, e nada mais que isso, é digno de habitar o coração humano para nos purificar de nossa vaidade.

Numa formatura, infinitamente mais importante que o diploma, que a cerimônia, que tudo mais, é este olhar que ilumina os seus rostos e irradia na face de todos nós uma gentil labareda de esperança que se faz vívida em todos nós como um doce sorriso que certa feita havíamos dado em nossa infância e que os dias agitados nos fizeram esquecer e que vocês, gentilmente, nos fizeram relembrar neste momento. Nesta solenidade.

Por isso, repito em não me caso e não temo que minha língua tropece neste verbo substancial em nosso Ser. Amem! Digam para os seus o quanto eles são importantes para vocês. Digam o quanto vocês os amam, porque a vida, por próspera e estampada de glória que seja, sem amor, não passará de vaidade. Sem o amor, não passaríamos de míseros sinos incapazes de tocar uma única badalada. Sem o amor que inunda esse Salão Nobre através de vocês, de nada valeria aqui estar. Se aqui estou, se aqui estamos, é pelo amor aquece o nosso peito e que, com o tempo, alentará a saudade em nossa memória.

E por isso digo e repito: muito obrigado. Obrigado por terem participado de minha vida, por permitirem que esse escriba participa-se, mesmo que modestamente, de suas vidas. Paz e bem à todos e que Aquele que É abençoe os seus sonhos e ilumine os seus passos em sua jornada que inicia a partir de hoje.

Pax et bonum
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quarta-feira, 17 de março de 2010

A REALIZAÇÃO DE UM PROPÓSITO

Escrevinhação n. 815, redigido em 17 de março de 2010, dia de São Patrício e Santa Gertrudes de Nivelles.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“A boa consciência é uma força”.
(Mário Ferreira dos Santos)

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Literal e obviamente, o pior cego é aquele que teimosamente se recusa a enxergar a verdade que está diariamente dos seus olhos, sendo esfregada em sua face, não é mesmo? Bem, e não há obviedade mais literal do que o colossal esforço que vem sendo realizado em nosso país e em todo mundo Ocidental para se destruir o Cristianismo com todo o seu arcabouço espiritual e moral.

E neste cenário todo, o que a torna patética, na falta de uma expressão melhor, é o fato de que as próprias vítimas desta articulação macabra vêem-na com bons olhos, pois, no seu parco entendimento, tais mudanças seriam um grande progresso moral para sociedade. Trocando em miúdos, tudo o que há de mais elevado está sendo destroçado diante de nossas vistas e os indivíduos vêem tal gesto como sendo um progresso. Progresso, no seu entender, não porque todos foram elevados à um patamar mais distinto, mas sim, pelo fato pacóvio de que tudo que o sublime está sendo negado e desdenhado em nome do rebaixamento geral da dignidade da pessoa humana.

Entretanto, esses indivíduos parvos de compreensão curta provavelmente podem se indagar, daquele jeitinho folgado e presunçoso: “como eles podem estar rebaixando a dignidade da vida humana se está sendo falando o tempo todo em direitos humanos para todos?” Ora, meu caro Watson, algo que é elementar até mesmo para uma criança de cinco anos é o fato de as palavras não terem um valor em si mesmo, mas sim, em relação ao objeto, a realidade a que elas estão se referindo. Ou seja: o simples fato de estarmos falando o tempo todo de ampliação dos direitos e da dignificação da pessoa humana não significa que os atos perpetrados em nome de tais palavras sejam literalmente um reflexo transparente do sentimento que elas evocam.

Para tanto, se o amigo leitor nos permite, evoquemos nestas linhas alguns exemplos que nos são dados pela mestra da vida sobre esse obvio ululante. Na década de trinta do século passado, um partido político pregava abertamente que iria libertar, repito, libertar a humanidade do domínio judeu. Ora, o partido era o Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha – Nazista – e todos nós sabemos claramente o que significava a palavra “libertação” no vocabulário dessa gente.

Os marxistas, por sua deixa, em seus discursos inflamados sempre proclamaram o intento de emancipar os trabalhadores e, literalmente, não houve e não há na face da terra doutrina política que tenha edificado regimes que mais escravizaram, escravizam e rebaixam o ser humano. Todavia, as palavras utilizadas por eles são bem bonitinhas. Bonitinhas, porém, a realidade de seus propósitos e de seus atos são bem ordinários. Para tanto basta vermos os fatos tal qual nos assaltam a vista sem projetarmos sobre eles nossas desculpas ideologicamente esfarrapadas.

Atualmente, quando os defensores do aborto, da prática do genocídio de inocentes sem que eles tenham o menor direito à defesa, estes não falam desta brutalidade nestes termos. Dizem que estão defendendo “o direito da mulher ter autonomia sobre o seu corpo”, como se a vida do feto não existisse, como se assassinar o bebê no ventre materno fosse apenas uma reles intervenção cirúrgica como a retirada de umas gordurinhas que esteticamente estão incomodando a vaidosa vista humana.

Trocando tudo isso por dorso: o quão leviano que é toda essa discussão em torno da afirmação de novos valores morais. E assim o é, porque toda vez que se procura discutir tais propostas e suas implicações não se procura falar o português de modo claro, mas sim, procura-se utiliza-lo de um modo que as palavras desviem a nossa atenção da ação real que está sendo proposta e a remeta a um conjunto de sentimentos, para uma imagem que seja esteticamente agradável e que nos passe a idéia de que aceitar a repetição passiva destes cacoetes mentais refletiria um sinal de que nos tornamos pessoas mais boazinhas e, consequentemente, mais virtuosas, em seu deturpado entendimento. E isso, meu caro, é sumamente patético.

Em todos os exemplos apontados en passant nas alinhas acima, podemos ver, se desejamos, uma pequena amostra dos inúmeros intentos que foram e que estão sendo realizados para se destruir a Cristandade. Destruição essa que está sendo levada adiante, a passos largos, sutis e que contam, na maioria das vezes, com o apoio conivente e estúpido de suas próprias vítimas que são os ditos membros da Cristandade.

Como nos ensina São Tomas de Aquino, é cumprindo a Lei do ser que o indivíduo humano poderá realizar a sua plenitude. Atingir o que é pleno em nossa natureza é afirmarmos nossa ação sob aquilo que permita a realização do nosso destino, que permita alcançarmos o nosso fim. O meio para tanto é a atividade moral que coincide com a razão, com o bom senso, com a boa medida das proporções.

Bem, se voltarmos nossos olhos para os exemplos anteriores e para boa parte das idéias de jerico, digo, para as propostas brilhantes que ventilam as discussões estupidificantes da atualidade veremos, com grande clareza, que a última coisa que elas podem demonstrar é uma mínima dose de razoabilidade moral, visto que, elas não partem da procura pela plenitude da realização da pessoa humana, mas sim, da vitimização hipotética e hiperbólica da pessoa humana. Tal postulado leva inevitavelmente a extirpação da responsabilidade humana pela sua vida e, com isso, amplia-se de maneira sinistra os poderes do Estado que passa a controlar, sutilmente, a vida das pessoas. Só não vê quem não quer.

Por fim, se há um grande responsável por tudo isso, esse responsável é a própria Cristandade devido a total tibieza que vem tomando conta de todos nós, uma covardia moral que chega a exalar os seus odores putrefazes nos Céus. Os inimigos de Cristo sabem muito bem o que querem, tem muito claro em seus corações qual é o propósito de sua vida. Entretanto, os seguidores de Nosso Senhor, em sua maioria, não sabem qual é o propósito e, consequentemente, o sentido de uma vida dedicada à Boa Nova. Não sabemos nos defender dos ataques pífios e vulgares que são perpetrados contra a Santa Madre Igreja, mesmo que a Tradição, as Santas Letras e a realidade nos apresentem em abundância respostas contundentes a todas as lorotas modernas anticristãs. Todavia, devido a um misto de preguiça e covardia, preferimos nos calar, choramingar e ficarmos escondidinhos, lamentando com nossos amiguinhos o quanto o mundo está se pervertendo.

E pensar que um dia houve Cristãos que eram capazes de fazer o mundo corar de vergonha por suas iniqüidades. E pensar que hoje, as mesmas iniqüidades do mundo nos fazem vergonhosamente calar.

Pax et bonum
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domingo, 14 de março de 2010

COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA


Comentários realizados para a programação da Rádio Cultura AM/FM e transmitidos entre os dias 08 e 12 de março de 2010 da Era de Nosso Senhor.

VIVER PROFETICAMENTE


OUÇAMOS A VIRGEM - parte I


OUÇAMOS A VIRGEM - parte II


SOBRE A PRUDÊNCIA


RESPONSABILIDADE PELA VIDA

sábado, 13 de março de 2010

JOVENS, SEJAM SANTOS - Padre Paulo Ricardo



Recomendamos, vivamente, que ouçam a palestra: JOVENS, SEJAM SANTOS, do Padre Paulo Ricardo onde o mesmo fala-nos sobre a parábola do jovem rico, a Campanha da Fraternidade do ano de 2010 da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo e sobre o teor anti-cristão do PNDH3.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Programa Ave Maria - 11 de março de 2010


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

EM BUSCA DE ALGO, MAS DO QUE?

Escrevinhação n. 814, redigido em 10 de março de 2010, dia de São Macário e dos quarenta santos mártires de Sebaste.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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É desconcertante vermos uma pessoa cheia de sonhos, toda empolgada falando de seus planos ao nosso ouvido, relatando seus desejos mais sublimes e nos apresentando, passo a passo, como ela gostaria de realizá-los. Afirmamos isso, não porque julgamos impróprio ao ser humano que ele sonhe, não mesmo. Dizemos isso, porque via de regra essas pessoas que tanto amam anunciar os seus sonhos e planos como batidas fora de ritmo em nosso tímpano, são justamente as pessoas que se apresentam de maneira mais incapaz de despender uma quantidade de energia equivalente à sua conversa fiada na efetivação das realidades hipotéticas descritas em seu colóquio.

Por essa razão sorumbática que todo rosário de sonhos que não se transformam em objetivos efetivos na vida do indivíduo não passam de meras manifestações, mesmo que discreta, de uma justificação para o fracasso do sujeito que não é capaz de realizar plenamente as potencialidades que ele imagina ser merecedor, mas que, definitivamente nada faz para merecê-las e, em seus lamentos dissimulados, na forma de “projetos pessoais”, apenas manifesta aquela empáfia característica em nossa sociedade onde o fracasso sobe a cabeça e o elemento orgulha-se do que ele não é capaz de realizar, mas que, em sua imaginação – e somente lá – ele se vê capaz de realizar.

Trocando em miúdos, é de amargar termos de ver pessoas adultas e muitíssimas vezes dotadas de muitos meios de ação ficar depositando sobre as paletas da sociedade a culpa pela sua desídia existencial, pelo seu fracasso como pessoa, simplesmente porque elas imaginam que somente pelo fato de elas desejarem um mundo melhor, ou de se imaginarem muito sábias, elas deveriam ser tratadas com uma reverência digna apenas a mártires e santos. Nunca passou pelas suas cabeças de alfinete que seria de bom alvitre avaliar as suas realização, o valor das mesmas e, quem sabe, perceber que literalmente que a sociedade acaba ofertando-nos muito mais do que merecemos.

Reacionário! Provavelmente gritará algum mentecapto. Mas sejamos realistas, em princípio, ao menos, para conosco mesmo, tomando uma medida humana do que nós estamos falando. Uma medida de um ser humano que realmente teve negado os meios para realização de sua plenitude, de seu projeto de vida e que, de modo algum, fez desta negação uma justificativa para o seu fracasso. Pelo contraio, fez desta negação o caminho que deveria ser percorrido, que deveria ser seguido para se realizar concretamente a plenitude de sua humanidade.

Quando voltamos nossas vistas para a biografia de um Louis Pasteur, vemos o quanto a sociedade lhe negou as tais das “oportunidades”. Tamanha foram as negações que durante boa parte de sua vida, o seu laboratório de estudos se localizava embaixo da escada da pensão onde ele morava. Ele não agiu como boa parte de nossos ditos pesquisadores que, ao contrário de Pasteur, nos legaram apenas os seus lamentos e revoltas contra a falta de incentivo. Ele chamou para si a responsabilidade pela sua vida e dedicou todas as suas forças a realização do propósito de sua existência.

Ou então, se me permitem, gostaria de apresentar outro exemplo edificante, que é do historiador Césare Cantu. Homem este que escreveu uma obra intitulada HISTÓRIA UNIVERSAL em trinta e três volumes (originalmente era em setenta e dois). Todavia, este senhor escreveu a referida obra na cadeia sem poder consultar nenhuma fonte. Ou seja, fez tudo confiando apenas em seu saber adquirido e devidamente arquivado em sua memória. Neste tempo também escreveu o romance MARGHERITA PUSTERLA. Bem, é claro que a referida obra historiográfica tem alguns erros. Todavia, dificilmente os seus críticos brasilianos seriam capazes de escrever algo similar mesmo estando em melhores condições e com o devido acesso as mais variadas fontes.

Por fim, não tinha como não destacar a vida de um santo. Em regra, todos os santos lutaram, literalmente, contra o mundo para poder realizar plenamente o sentido de sua vida. Aliás, não existe nada mais edificante para pessoas rasas como nós do que conhecer a vida destas pessoas de aquilatada alma como, por exemplo, São Tomás de Aquino, o Doctor Angelicus. Tomás era de família nobre e, naturalmente, os seus pais desejavam que ele trilhasse uma carreira aristocrática. Todavia, Tomás decidiu seguir a carreira religiosa. Naturalmente, os seus pais não aprovaram. Tanto reprovaram sua escolha que ele teve de fugir para poder seguir sua vocação. Diante disso, seus pais mandaram prende-lo em uma masmorra para ver se conseguiam dobrar o seu ânimo. Todavia, tal gesto naufragou em seu intento. Após alguns anos de cárcere ele fugiu e conseguiu finalmente dedicar a sua vida na realização pela de seu chamamento, juntando-se à Ordem dos Dominicanos mendicantes.

Pois é, e nós o que fazemos quando nos defrontamos com os obstáculos que a vida gentilmente nos apresenta? Fugimos para o colo da mamãe e ficamos nos lamentando das injustiças do mundo e o quanto o sistema é ruim e blábláblá. Mas e quem disse que você é melhor que essa cloaca podre que é a sociedade? Não estamos negando a existência dos problemas. Não mesmo. Afirmamos apenas que eles são inerentes à estrutura da realidade e que estes são o ponto de partida para a realização de nosso ser e não um obstáculo que se apresenta para nos tolher.

Mas é claro que terão aqueles que estão ruminando em seu intimo sentenças como: “Ah! E como é que ficam as pessoas que não tem as mínimas condições de vida?!” estes, sem perceber, estão fazendo justamente isso que estamos falando. Aliás, são justamente essas pessoas, desprovidas de praticamente todos os meios, que nos ensinam lições ímpares de dignidade enquanto muitos outros, rodeados de inúmeros meios de ação, sabem apenas justificar a sua indignidade na carência dos outros, dando-nos assim, uma lição única de mediocridade gritante. E, provavelmente, penas lembram dos desvalidos, para justificar a sua desídia existencial e sua sanha de projetar no mundo a sua responsabilidade, a sua culpa por ser o que é.

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domingo, 7 de março de 2010

COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA


Comentários realizados para a programação da Rádio Cultura AM/FM e transmitidos entre os dias 01 e 05 de março de 2010 da Era de Nosso Senhor.

CONTEMPLAÇÃO - PERGUNTAS E RESPOSTAS


ORAÇÃO E ESPERANÇA


FALTA HUMILDADE


MUNDO CARENTE - parte I


MUNDO CARENTE - parte II

quinta-feira, 4 de março de 2010

Programa Ave Maria - 04 de março de 2010


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

quarta-feira, 3 de março de 2010

MEDITAÇÕES SEM NEXO, OU NÃO...

Escrevinhação n. 813, redigido em 27 de fevereiro de 2010, dia de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores e São Nicéforo.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Se fossemos rastrear um dos pontos graves de nosso sistema educacional, não iria pestanejar por um único instante para dizer que é a total falta de sinceridade que impera no mesmo. Quando nos referimos a essa carência, não estamos a nos referir a relação secundária e exterior advinda desta postura perante o próximo e a realidade. Quando apontamos para essa ausência, referimo-nos a falta de sinceridade que existe do indivíduo para consigo mesmo. Se tal não existe, todo o resto não passará de colóquio flácido para bovino adormecer.

Gostemos ou não, um dado que é facilmente perceptível em nossa sociedade é a necessidade prenhe de fingir existente nas relações humanas nos mais variados níveis e nas mais distintas esferas. O fingimento, como todas as demais atitudes humanas, é cevado em nossa alma através da prática contínua que é realizada a partir da mimetização do que testemunhamos na sociedade e que, deste modo, é apresentado como sendo uma atitude aceitável. Como algo normal, necessário.

Aquilo que visualizamos no tecido social e que imitamos em nossa prática diária acaba sendo reproduzido por nós interiormente em nossa alma e em nosso diálogo interior. Isso mesmo. Se tais gestos insinceros fossem apenas uma reles macaqueação exterior sem reflexos na vida interior não haveria razão para que minh’alma movesse as mãos que estão a escrevinhar essas palavras com essa pena e tinteiro digital. O problema impera sim e se faz grave justamente porque tudo aquilo que mimetizamos exteriormente acaba por ser replicado interiormente.

Deste modo, esse clima de fingimento que media as relações humanas entre indivíduos e instituições sociais (no sentido dado por Peter Berger ao termo) acaba por mediar e dar forma a relação que mantemos com a nossa consciência moral, com o Tribunal da Verdade que habita em nosso ser. Ou seja: de tanto fingirmos para todos sobre tudo acabamos por fingir para nós mesmos aquilo que em hipótese alguma realmente somos acreditando piamente em nosso simulacro pessoal.

Desta forma, acabamos por falsear nossa capacidade de captar a realidade sobre nossa existência e, inevitavelmente, acabamos por tolher qualquer tentativa de compreender os problemas que estão a nossa volta por estarmos sumamente habituados a agir na base da simulação. Assim o é, porque a consciência moral ordena as ações humanas em vista da realidade objetiva, da Verdade que se revela a nossa vista e que habita em nós. Do mesmo modo, nossa capacidade de conhecer é apenas eficaz quando esta é norteada pelo nosso desejo de conhecer a realidade (ou apenas um pequeno extrato desta) em sua Verdade. Se não procedemos assim, que estamos fazendo? Fingindo que estamos conhecendo, aprendendo uma e outra palavra vazia, sem significado substancial, para repetir nas conversas fúteis que mantemos com os nossos pares nos mais variados ambientes para, junto com eles, coletivamente fingirmos que sabemos alguma coisa apoiando-nos mutuamente em nossas simulações voluntárias.

Se fosse recorrer a uma analogia, creio que a mais apropria seria essa: fingir amar a verdade, dissimular o interesse por conhecê-la, é similar a uma pessoa enferma que finge amar a sua saúde e que dissimula estar se tratando. Seja no caso do amor à saúde ou no do amor ao conhecimento, em ambas as situações é indispensável que abramos mão de algo para que esses bens possam ser obtidos. É necessário que realizemos um determinado sacrifício nas duas situações. No caso da enfermidade corpórea, é necessário que confiemos no tratamento que nos está sendo ofertado pelo médico e pratiquemos as prescrições recomendadas se realmente desejamos nos restabelecer. No caso da carência intelectual e espiritual, é fundamental que não dissimulemos em nosso interior um interesse pela Verdade, mas que a desejamos vivamente em nosso íntimo e a irradiemos na prática que estará sendo assimilada por nós no ato de estudar.

Ora, é assim que aprendemos a ler. Não é a língua que se adapta a nós. É nosso intelecto que se amolda a ela para poder utilizá-la como um meio de ação. Aliás, não apenas para ler, mas para aprender até mesmo a falar. Achamos até bonitinho ver uma criança falando as suas palavrinhas iniciais, mas nenhuma mãe deseja que seus filhos falem para sempre daquele modo. É preciso que a sua fala se amolde à fala formal e cresça em seu poder de expressar a realidade dentro da forma que ela, a língua, apresenta como modos possíveis. Porém, o que ocorreria com o aprendizado da língua se fingimos falar bem sem sermos capazes de bem captar e expressar a realidade? Provavelmente vamos expressar muito mal aquilo que nem mesmo captamos porque estaríamos fingindo que estar entendendo tudo sem ao menos saber ao que, realmente, estamos nos referindo.

Um exemplo que julgamos bastante ilustrativo sobre isso são as críticas causticas feitas à geração tenra pelo seu desgosto pela leitura. Críticas estas, por sua vez, feita por uma geração, a nossa, que não teve e não tem o menor amor pelos estudos. Tanto o é que são raras as pessoas de nossa geração que estabelece, ao menos, como objetivo em suas férias, de ler bom livro e quando o fazem acabam por eleger o que há de pior no mercado editorial simplesmente por não possuir um aquilatado critério de seleção por não ter se habituado a tal exercício.

Mas nos habituamos a fingir. A arrotar grandeza interior que inexiste em nós, a dissimular uma magnificência que seriamos incapazes de reconhecer se nos deparássemos com ela porque a desconhecemos e a desprezamos e esse nosso mau hábito, queiramos ou não, está sendo muito bem aprendido pela geração atual na contradição de nossas palavras bonitinhas com os gestos que nos habituamos a fazer e a viver em nosso fingimento perene e socialmente aceito.

Pax et bonum
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