MISTÉRIOS QUE REVELAM A VERDADE – parte XVII

Escrevinhação n. 802, redigida em 06 de janeiro de 2010, dia de Reis e da Epifania de Nosso Senhor.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Deus quer que as suas misérias sejam o trono da Sua misericórdia”. (Sto. Padre Pio)

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A ascensão gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo ao Céu (Lc XXIV; 50-53). Para alguns este mistério seria apenas uma continuação do primeiro. De minha parte, creio que não. Afirmamos isso, pois, a Sacra Escritura não é um Livro escrito por um homem, mas sim, uma Mensagem divina revelada a todos os homens. Devido a essa natureza intrínseca da Bíblia, nós nunca apreendemos a totalidade do que está nos sendo dito, mas apenas o que nossa capacidade cognitiva e nossa fé nos permitem apreender.

Como muito bem nos chama a atenção o filósofo Olavo de Carvalho, a leitura de um texto sagrado como a Bíblia não é uma leitura que deva ser feito no sentido de interpretá-la, mas sim de compreendê-la. A interpretação, como o mesmo nos ensina, é uma técnica muito apropriada para análise de textos meramente humanos. Entretanto, o que está diante de nossas vistas não é um reles texto de um ser humano Mané como esse que vos escreve, mas sim diante de uma mensagem viva apresentada pelo Criador para Suas criaturas feitas à Sua imagem e semelhança.

Se lermos a Bíblia com esses olhos é mais do que obvio que em nosso intento de interpretação acabaremos por não compreender nada do que está nos sendo ensinado. Não está claro? Então sejamos mais diretos: quem somos nós para analisar, desconstruir um texto divinamente revelado? Quem é você para fazer isso? Agora, o que é o texto sacro para compreender você? Percebeu a diferença? No primeiro caso é o verme explicando a constituição de seu hospedeiro. No segundo é um Pai amoroso que aconselha o seu filho revolto.

Por isso vemos com grande pesar toda tentativa de explicar a Escritura Sagrada como se Ela fosse um texto histórico, ou literário, e como se os fatos descritos fossem meros acontecimentos políticos e sociais, como muitos fazem, infelizmente. Não percebem em sua insanidade espiritual que a Bíblia não está diante de nossos olhos para ser explicada, interpretada ou para explicar a humanidade, mas sim, para Ela compreendê-lo, para que assim você amplie sua compreensão sobre você através dos desígnios de Deus para a sua vida.

Por essa razão que para nossa mísera alma, o segundo mistério glorioso é um mistério singular, como todos os outros dezenove. Ou vão me dizer que ascensão gloriosa de Nosso Senhor é apenas um mero acontecimento dentro da História Sacra? Para aqueles que não lêem a Bíblia com os olhos da carne, fica mais do que obvio o significado deste fato.

Antes de ascender, o Cristo impôs suas mãos sobre os discípulos e os abençoou. Estavam todos em Betânia, na casa do meu Deus misericordioso (eis o significado do nome em questão). A ascensão de Nosso Senhor é um sinal inefável da misericórdia Daquele que É por todos nós. É esse o caminho que é apontado por todos os Seus ensinos ministrados através de gestos e palavras. Após testemunharem a misericórdia de Deus os discípulos partiram para Jerusalém, rumo à integridade e perfeição (que é o que significa o nome da cidade), onde permaneceram continuamente no Templo bendizendo a Deus (Lc XXIV; 53).

Mas, em qual Templo? O nosso corpo é o Templo de Deus, por isso devemos viver continuamente bendizendo a Deus em nossa vida, pois nossa morada neste mundo nos foi dada por Deus: nosso corpo, nossa vida, nossa inteligência são um sinal Divino. E assim devemos proceder. E assim devemos viver nossos dias: bendizendo a Deus em verdade e espírito.

E aí, eis que vem a pergunta simples e direta: de que modo nós bendizemos a Deus? Na Santa Missa, nas novenas? O tempo todo? Isso mesmo! Devemos dar testemunho Dele a todo o momento, pois estamos o tempo todo no Templo de Deus, principalmente nos momentos em que estamos sós entre aqueles que desperdiçam suas vidas para insultar e atacar a Deus. Doravante, se devemos a todo o momento bendizer a Deus, devemos, necessariamente, dar testemunho Dele. Não? Engraçado. Se uma pessoa insulta a sua pessoa, a sua “dignidade”, você fica todo nervosinho, se insultam o seu “time de futebol” ou seu partido fica todo machinho, porém, se insultam o Criador, a Santíssima Virgem e a memória Santa de todos aqueles que deram suas vidas pelo Cristo você não fala nada? Bem, coisas da vida moderna, da pusilanimidade hodierna.

Uma forma de dar testemunho de Nosso Senhor, é proclamar a Boa Nova por toda parte (Mc XVI; 20). Após testemunharem a ascensão os discípulos foram cumprir a Missão que lhes foi confiada: levar a palavra de Deus a todos. Quanto a nós, quantas vezes nós fizemos isso? Quantas vezes levamos a palavra de Deus, quantas vezes nos portamos como testemunhas da Verdade revelada? Não responda ainda, pois, como o amigo leitor sabe, gostamos de tratar todas as questões, primeiramente, de maneira íntima. Então, repitamos: Quantas vezes você leva a palavra do Sapientíssimo para alimentar a sua alma? Você lê a Bíblia diariamente, procura conhecer a vida dos santos e santas? Você alguma vez em sua vida estudou um e outro escrito de um Santo? Putz! Como então podemos falar da precisão de se levar a palavra de Deus para o mundo, de dar testemunho Dela, se não nos nutrirmos com a Luz da Verdade?

Você amigo Cristão, é a imagem da Cristandade. É membro vivo do Corpo Místico de Cristo. E se assim o é como podemos continuar nos portando de maneira mundana? Como podemos continuar a pensar o mundo, a vida, a nós e mesmo o próprio Deus de acordo com os critérios mundanos e ainda imaginarmos que estamos dando testemunho da Verdade? Como levar ao mundo a Verdade sendo que não permitimos que Ela tome posse de nosso ser? Bem, eis aí a questão que não deve calar. Que não deve calar em nós.

A consciência, como nos ensina o Cardeal John Henry Newman, têm direitos porque tem deveres. Os deveres da consciência são para com da Verdade. A consciência é um espelho pelo qual podemos vislumbrar a luz divina que habita em nós e que, diuturnamente, nós colaboramos, voluntariamente, para sua ocultação em nós. Mas apenas em nós. Gostemos ou não, a Verdade é imensuravelmente maior do que nossa vã existência presunçosa. O Logos Encarnado venceu a morte e ascendeu ao Céu. Nós, de nossa parte, não vencemos a morte e não somos capazes de ascender ao Céu. Aliás, não somos nem mesmo capazes de dizer com honestidade quem e o que somos. Sem Ele nada somos.

Por fim, se desejamos ser respeitados em nossa liberdade de consciência, respeitemos os deveres desta perante os direitos da Verdade, principalmente, sobre a Verdade que tudo nos revela em Sua ascensão aceitando que nossa inteligência molde-se à forma da Verdade e não o contrário, que a Verdade seja distorcida de acordo com a nossa malícia. Esta, a malícia, não vence a sabedoria, mas é suficientemente capaz para nos desviar do caminho Dela se não nos alimentar corretamente da Palavra e dos exemplos e ensinamentos altivos que podem nos guiar pelo caminho Daquele que ascendeu ao Céu.

Pax et bonum
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