MISTÉRIOS QUE REVELAM A VERDADE – parte XX

Escrevinhação n. 807, redigido em 26 de janeiro de 2010, dia de São Timóteo, São Tito e Santa Paula Romana.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“A vossa missão é aceitar a paz divina e difundi-la, não com palavras, mas com a vida”.
(Mensagem de Nossa Senhora – Medjugorje)

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Seguindo o marcado passo, ditado pelas contas, humilde e lentamente dedilhadas do Santo Rosário, chega à contemplação do vigésimo mistério, o quinto glorioso, que é a coroação da Santíssima Virgem no Céu (Apo XII; 1-4). Bem, poderão alguns sinceramente (outros maliciosamente) indagar por que Santa Maria foi coroada rainha do céu e da terra. Tal pergunta é justa e, por isso, uma resposta, mesmo que simplória apresentada por um indigno missivista, torna-se necessária.

A Santíssima Virgem é a mãe do Verbo Encarnado, do Rei Divino. Ela é rainha por sua maternidade e, consequentemente, por participar na obra de redenção, por ter sido predestinada para esta pia empreitada, com nos ensina o CATECISMO DE NOSSA SENHORA. Ou você acha que o Logos Divino teria vindo ao mundo pelo ventre de qualquer mulher?

Por ser predestinada o seu santo nome, Maria, que significa estrela do mar, Senhora, soberana e luz brilhante, fora revelado por Deus para São Joaquim e Santa Ana, seus pais. Aliás, o que significa o nome dos pais da Virgem? O pai é aquele que Deus elevou e a mãe, a graciosa, cheia de graça, de compaixão e clemência. Ou seja: aquele que Deus elevou junto com aquele que é graciosa trouxeram ao mundo aquela que é soberana para dar a luz ao Filho de Deus, logo, rainha do céu e da terra.

Por isso quando abrimos as Sagradas páginas lemos que apareceu no céu um grande sinal, uma mulher vestida de Sol (Apo XII; 1). Ela está vestida de Sol porque traz em seu ventre o Logos encarnado e por carregar este Bendito Fruto, toda ela se reveste de luz, como nos explica o filósofo Mário Ferreira dos Santos em seu livro O APOCALIPSE DE SÃO JOÃO. A lua em baixo de seus pés representada o seu papel, daquela que irá refletir a luz do Astro Rei na noite de pecado que toma conta do mundo. Nosso Senhor é o centro solar da vida espiritual e a Santíssima Virgem o meio pelo qual essa luz vem para esse mundo tomado pelas sombras do pecado.

E como nos ensina São Luís Maria Grignion de Montfort, em seu TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM muitos foram os que pediram pelo Salvador do mundo, mas foi apenas através da humilde serva que Ele veio. Esse era o seu destino, através dela o Senhor mostraria o seu esplendor. Ainda, o mesmo Sábio Santo, em sua obra O GRANDE SEGREGO PARA SE CHEGAR A SANTIDADE, nos lembra que a Graça Divina é concedida a todos nós. Para uns em maior grau e para outros em menor, mas o é concedida para todos. Por isso: “O preço e a excelência da graça, dada por Deus e correspondida pela alma, fazem o preço e a excelência de nossas ações”. Ora, existe graça maior do que dar a luz, criar, educar e acompanhar os passos do Salvador? Qualquer um de nós poderia fazer isso? Digo: qualquer um de nós está qualificado para uma obra desta monta? Por isso ela é rainha, nossa Mãe Maria.

E ela estava grávida, com dor, aflita para dar a luz (Apo XII; 2). Nesta imagem, podemos ver o drama humano. Todos nós estamos prenhes de nossa conversão. Conversão não no sentido superficial, da mera troca de uma religião por outra. Todos nós temos em nossa alma uma profunda tensão espiritual exigindo de nós uma profunda transformação, para que nos tornemos pessoas melhores, dignas das promessas de Nosso Senhor, conforme nos ensina Nossa Senhora em mensagem revelada em Medjugorje em 07 de dezembro de 1985. Permitir esse nascimento em nossa alma significa que a aceitação do Logos como agente transformador de nosso ser naquilo que devemos ser. E, por medo do mundo, da opinião dos outros, etc., gritamos interiormente de dor e aflição, porque não é fácil crescer na estrada da perfeição em meio a essa noite escura, como diria São João da Cruz. Mas devemos caminhar para não definharmos na escuridão da noite do erro.

Pois bem, e eis que surge no céu o dragão vermelho que para diante da mulher querendo devorar a Criança que está para nascer. O dragão é Satanás, cioso para destruir a Obra de redenção e que está diante de nossa alma movendo os mais variados ardis para evitar a nossa conversão, para que possamos ser mais um entre aqueles que estarão entre as estrelas derrubadas pela sua calda. Nosso Senhor está em nós e a Santíssima Virgem clama por nossa conversão para que aceitemos plenamente o seu Filho como centro de nosso vida. Mas o dragão vermelho, que é a representação do que há de inferior em nossa alma, com suas sete cabeças, deseja nos corromper através dos sete vícios que nos atormentam. A avareza, a gula, a luxuria, a cólera, a inveja, a preguiça e, por fim, o orgulho. O orgulho, o vício diametralmente oposto à santa virtude da humildade, virtude essa que a Santíssima Virgem tem em abundancia e que nós, miseravelmente carecemos.

Nunca houve na história da humanidade uma sociedade como a nossa, uma sociedade que tenha tão orgulhosamente virado as costas para Deus, para a Verdade. Acreditamos que podemos explicar tudo, mesmo sem compreender nada. Sem compreender quem somos, sem saber o que devíamos ser e muito menos ser entender porque não realizamos o propósito primeiro de nossa vida. Para quem já está com a alma carcomida pelo doloso vício, tais indagações parecem pífias e até mesmo infantis. Todavia, ousaria perguntar então: tais questões são pífias ou sua alma é tão pacóvia que é incapaz de meditar sobre a sua própria condição? Qual o fundamento de sua existência?

Creio eu que outro ponto importante a destacar neste mistério é uma das muitas Verdades que não deveriam em momento algum ser esquecida por nós, mas que, o mundo moderno com a sua mentalidade materialista, hedonista e relativista, nos convida incessantemente a esquecer. Tal verdade é que nós estamos no meio de uma guerra, de um conflito entre a luz e as trevas, como nos ensina C. S. Lewis em seu belíssimo livro CRISTIANISMO PURO E SIMPLES. O campo de batalha desta guerra é a nossa alma. Essa verdade deveria ser lembrada por nós todas as manhãs, para bem nos posicionar em nós mesmos neste conflito. Porém, como vivemos em uma sociedade em que o “não vai dar nada” toma conta dos gestos, palavras e ações desencadeadas por nós, tal lembrete torna-se muitas vezes um grito no meio do deserto, do vazio espiritual que toma conta da sociedade contemporânea.

Por fim, não é à toa que na sociedade moderna são auferidos tantos ataques contra a Rainha do Céu. O dragão vermelho, mestre da mentira em suas múltiplas facetas, ataca a Virgem através dos mais variados meios convidando a todos para que desdenhem a Rainha do Céu e da Terra que triunfou através da humildade. Desdenha-la para que nos abracemos à nossa prepotência, à nossa suposta auto-suficiência em relação a Deus, nos estufando de orgulho e, de quebra, nos maculando com todos os outros vícios capitais.

Vivemos hoje em uma sociedade que se ufana de ser a mais avançada de todas as épocas, de vivermos no cume da Era das Luzes da Razão. Todavia, ao mesmo tempo em que nos vangloriamos com as mais variadas palavras de efeito e frases vazias de significado, somos incapazes de educar nossos jovens, vemo-nos impossibilitados de compreender as mais elementares verdades. Crianças escolarizadas e analfabetas. Pessoas diplomadas ao mesmo tempo em que são desprovidas das prerrogativas apresentadas em seus canudos. Almas superficiais que se entregam vilmente a um consolo sentimental que as proteja de sua impotência. Isso é o retrato de nossos dias, de uma época que virou as costas para a Verdade, que acredita que pode melhorar tudo sem melhorar a sim mesmo e, por isso, tanto ataca aquela que literalmente é o contrário do espírito que tomou conta do século passado e deste também.

Pax et bonum
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