MISTÉRIOS QUE REVELAM A VERDADE – parte XIX

Escrevinhação n. 805, redigida em 19 de janeiro de 2010, dia de Santo Odilo e de Santo Canuto IV.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Quando Deus vem ter com os homens não é por brincadeira, mas para dizer coisas sérias”.(Mensagem de Nossa Senhora – Medjugorje)

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A jornada do Santo Rosário, através de suas luminosas contas, nos move ao encontro do quarto mistério glorioso, a assunção gloriosa da Santíssima Virgem Maria ao Céu. Esse mistério, de maneira muito especial, não se encontra exposto de maneira explícita nas letras da Sagrada Escritura. Todavia, isso não significa que não esteja presente. De mais a mais, a Tradição desde o primeiro século da Era de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos ensina que a Virgem Maria teve uma morte suave, uma dormição, como nos ensina São Dionísio Aeropagita, e ascendeu ao Céu no terceiro dia.

São João Damasceno, grande servo de Nosso Senhor, junto à Igreja Oriental, nos instrui para não esquecermos que quando Nossa Senhora faleceu, multidões vieram prestar as suas homenagens a Mãe de Nosso Senhor. Ainda, conta-nos a Santa Tradição que quando São Tomé, três dias após a dormição da Virgem, pediu que fosse aberta a sua cripta. Feito isso, todos constataram que o seu túmulo estava vazio e que exalava uma suave flagrância celestial.

Bem, mas como interpretar esse mistério se ele não se encontra presente explicitamente nas Sacras Letras? Primeiramente, não devemos nos esquecer que a Igreja, Corpo Místico de Cristo, já existia antes da organização do Cânon Bíblico. Ou seja, a Tradição oral e escrita é anterior à organização dos livros que integram a Sagrada Escritura. Por isso é de salutar importância que procuremos meditar sobre esse mistério à luz dos outros que se encontram descritos nas Páginas Sagradas para assim permitir que a nossa alma se abra para os sinais que a Tradição da Santa Igreja nos convida a testemunhar vivamente.

Dito isso, vamos direto ao ponto. Nosso Senhor veio ao mundo através do ventre imaculado de Santa Maria, a humilde serva de Deus e foi sepultado na cripta do justo José de Arimatéia. Esta também virgem. Nosso Senhor é o Verbo Encarnado. É o verbo de Deus e é carne e sangue de Nossa Senhora. Bem, se o Cristo ascendeu ao Céu Gloriosamente por sua própria glória, por que Ele não levaria a carne de Sua carne, o sangue de Seu sangue, a sua Santa mãe para o Céu? De mais a mais, se me permitem o tom jocoso, Jesus era filho exemplar de uma mãe exemplar. Não era como eu e você. Por isso, sendo Ele um filho bom, deixaria Ele que o corpo de sua mãe fosse devorado pelos vermes e apenas restaurado no dia do Juízo Final? Creio piamente que não.

Doravante, seguindo esse mesmo raciocínio, são incontáveis os casos de Santos que tem seus corpos incorruptíveis (e olha que a lista não é nem um pouco pequena). Ora, se Deus nos dá inúmeros sinais dessa monta, através de Seu poder agente sobre a vida dessas pessoas que seguiram os ensinamentos do Cristo e o exemplo de Nossa Senhora, porque Ele não permitiria a ascensão ao Céu da Santíssima Virgem, que aceitou livremente e de boa vontade que a Vontade do Logos Divino se fizesse plenamente nela?

De mais a mais, quando deitamos nossas vistas nas páginas da Sacra Escritura, suas letras nos apresentam a Santíssima Virgem na glória celestial. Ela está "sentada à direita de seu Filho querido" (3 Reis II; 19), "revestida do sol" (Apo XII, 1), cercada de glória "como a glória do Filho único de Deus" (Jo I, 14).

O Logos se fez carne através da carne de Maria, participando assim de sua humanidade e ela, aceitando a Vontade Daquele que É participou da glória do Filho. E se após a sua dormição, uma multidão tão grande rendeu-lhe honras é justamente porque ela teve um papel basilar na formação da Igreja nascente. Se ela deu a luz e criou o Salvador, é mais do que necessário que ela auxilia-se na criação do Corpo Místico de Cristo, da Igreja que é Santa, pelos méritos infinitos do Bendito fruto do Ventre da Virgem, e pecadora por nossa parte.

Por essa razão que o finado Papa Pio IX, ensina-nos em concordância com a Santa Tradição, que o Sapientíssimo, desde o primeiro instante, “[...] fê-la alvo de tanto amor, a ponto de se comprazer nela com singularíssima benevolência. Por isto cumulou-a admiravelmente, mais do que a todos os Anjos e a todos os Santos, da abundância de todos os dons celestes, tirados do tesouro da sua Divindade”. Aliás, algo que já nos é anunciado no primeiro mistério gozoso, a anunciação do Arcanjo São Gabriel a Nossa Senhora, quando ele a saúda vivamente: “Ave Maria cheia de Graça, o Senhor é convosco”. E, como nos ensina São Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, que nunca os anjos se referiram a nenhuma pessoa de maneira tão venerável como se referiu São Gabriel Arcanjo à Virgem. Aliás, foi a única pessoa. Por quê? A resposta está na própria saudação do anjo e nos átrios de seu coração, amigo leitor.

Por fim, como nos ensina São Luis Maria Grignon de Montfort em seu TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM, muito, mas muito mesmo temos ainda que aprender com a Santíssima Virgem, pois, muitíssimo pouco aprendemos sobre a sua grandeza que se revela em sua humildade. Quando se ensina que devemos seguir o exemplo de Maria, é para aprendermos com ela a nos fazer servos da Vontade de Deus, para aprendermos a render nossa vontade diante a majestade da Verdade.

Na atualidade, todos nos vemos profundamente tomados por um colossal amor próprio, por uma egolatria desmedida, por um desejo de sermos auto-suficientes em relação a tudo, principalmente em relação à Verdade, visto que, praticamente todos acreditam que suas supostas verdades pessoais têm alguma relevância diante da Verdade Universal. Sei que é difícil que compreendamos isso, por isso julgo basilar a meditação deste mistério para elevação de nosso ser, de nossa alma. A assunção da Santíssima Virgem é o sinal da perfeição plena que Deus espera de nós. E tal caminho, nos é apontado pela Virgem, no segundo mistério luminoso do Santo Rosário, as bodas de Canaã, quando ela dias aos servos da casa (Jo II; 5), “fazei tudo o que Ele vos disser”. Bem, quando a nós, procuramos, sinceramente, fazer isso?

Sejamos humildes. Permitamos que o nosso coração, centro irradiante de nossa vida, seja tocado pela Verdade, vitalizado por Ela. Que a Verdade purifique nossa mente de tudo aquilo que não é digno daqueles que foram feitos a imagem e semelhança de Deus, que é um Templo de Sua majestade. Contemplando o exemplo da Virgem Imaculada, aprendamos o que significa, verdadeiramente, a palavra humildade vivida humildemente de acordo com a Palavra.

Pax et bonum
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