DO PORTO SEGURO AO MAR TENEBROSO – UM MODESTO TRIBUTO AOS PAIS

Escrevinhação n. 806, redigida em 18 de janeiro de 2010, dia de Santa Margarida da Hungria, para ser lida na solenidade de Formatura do Curso de Agronomia da UTFPR – Pato Branco.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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O ventre de uma mãe e seu afago. O braço forte de um pai e seu conselho. Eis aí duas imagens que se fazem universal no horizonte humano, mesmo com o passar dos anos que vão, em passos soturnos, maculando a nossa inocência primeira. Inocência essa que deveria, para o nosso bem, ser perdida, pois, essa inocência, não é a mesma que impera nos ares da celeste morada.

É pai e mãe, aqui estou. Aqui estamos. Não mais, aquele ser que em tudo dependia de seu conselho; não mais se faz presente aquela criança travessa ciosa por correção e muito menos aquela alma adolescente autoconfiante em seu vigor juvenil ao mesmo tempo em que era carente de substância que, tolamente, em algumas ocasiões, os desafiava. Estas imagens listadas, não mais se fazem presentes, porque vocês se fizeram presentes junto delas nos momentos mais graves. Amparando, corrigindo, punindo, guiando para que, neste momento, estivéssemos aqui, e não em outro lugar, para homenageá-los.

Digo. Para iniciar uma procissão de honrarias que esperamos findar quando Aquele que É levar-nos deste vale. Isso mesmo. Nesta ocasião não desejamos apenas proferir palavras doces e elevadas e expressar nossa gratidão para com vocês. Não mesmo. O bom filho, de piedosa alma, entalha nos átrios de seu coração as palavras do quinto mandamento do Decálogo (Êxodo XX; 12): HONORA PATREM TUUM ET MATREM TUAM (Honra teu pai e tua mãe).

Ora, sabemos que este é um momento jubiloso e que seus corações estão transbordando de contento, que seus olhos estão sinuosamente marejando em lágrimas festivas. Entretanto, por termos entalhado essas divinas palavras no pulsar que há entre nossas costelas, desejamos fazer deste momento não apenas uma ocasião singela para apresentar nossa gratidão. Não. Desejamos, sinceramente, pronunciar aqui, nesta solenidade, um voto de contrição, um pedido de perdão por todas as vezes que não realizamos plenamente aquilo que deveríamos ter feito e, por um misto de teimosia e ímpeto juvenil, não realizamos.

Por isso proclamamos, em alto e bom som, que se agora seus lábios estão adocicados com palavras efusivas de orgulho por aqui estarmos, lhes garantimos que não faltarão nos dias que estão por vir momentos para vocês, risonhos, falarem, um para outro: “olha, é nossa criança...!” É o que desejamos. É o que faremos. Faremos porque assim devemos; foi assim que vocês nos ensinaram e assim nos tornamos. Por pouco mérito de nossa parte, por uma imensurável dívida de gratidão a vocês, pai e mãe.

Muito obrigado.

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