A UNIVERSALIDADE DO FRATERNAL ARDIL

Escrevinhação n. 795, redigida em 07 de dezembro de 2009, dia de Santo Ambrósio e de Santa Maria Josefa Rossello, 31ª. semana do Tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Deus é servido apenas quando é servido de acordo com a Sua vontade”. (Padre Pio)

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Muitas são as mentiras elegantemente ditas e repetidas de maneira politicamente correta em nossa sociedade. Dentre todos os pacovas que se disseminaram no correr do ciclo moderno um dos mais letais para toda a Cristandade é justamente a idéia de fraternidade universal. Num primeiro momento, o amigo leitor pode estar sentindo-se um tanto que surpreso com essas primeiras palavras escritas por esse mísero escrevinhador, porém, vamos tentar responder, inicialmente, a uma pequena perguntinha: de onde surgiu essa idéia? Quando que essa história de "fraternidade universal" passou a ser entoada aos quatro ventos?

Seria um ledo engano pensar que foi com Nosso Senhor Jesus Cristo, visto que, como Ele mesmo nos ensina, Ele veio ao mundo para trazer a espada (Mt X, 34), que a Sua pessoa seria um sinal de controvérsia no mundo (Lc II, 34-35). De mais a mais, o Cristianismo não é, em si, a religião da tolerância, mas sim, da intolerância, conforme nos ensina o Cardeal Pie em seu sermão proferido na Catedral de Chartres em 1841. Sei que tal afirmação soa de uma forma politicamente incorreta, todavia, nosso compromisso ao escrever não é com a agradabilidade das palavras, mas si, com a Verdade revelada por Nosso Senhor. Se lembrarmos dos idos em que Nosso Senhor veio ao mundo, perceberemos que não era o Cristo que defendia a tolerância com toda e qualquer forma de crença, mas sim, o Império Romano que, por sua deixa, nos primeiros séculos, tolerava tudo, menos os seguidores de Jesus Cristo que acabaram tendo suas vidas ceifadas e morrendo como mártires.

Tudo bem, mas quanto à fraternidade universal? Essa idéia emerge juntamente com a modernidade, com os ideais iluministas revolucionários a partir do século XVIII e o interessante é que juntamente com esse ideal vem toda ordem de perseguição e difamação ao Cristianismo. Desde a revolução francesa até os idos contemporâneos tornou-se cada vez mais corriqueiro vermos as verdades religiosas reveladas por Deus serem colocadas em um segundo plano em nome de qualquer novidade, de qualquer veleidade que almeja se colocar em um patamar acima da Divindade transgredindo assim, de modo evidente, o primeiro mandamento do Senhor em nome de uma suposta fraternidade entre os povos em torno de qualquer novidade ou idéia genial.

Não é à toa que tal idéia, a de "fraternidade universal", foi uma das criações mais assassinas de todo história da humanidade. Não? Então vejamos apenas alguns pequenos dados de matemática macabra. Somente o Socialismo (em suas mais variadas facetas), no correr de pouco mais de setenta anos, ceifou aproximadamente 250.000.000 de vidas humanas inocentes (de suas próprias fronteiras, em tempos de paz). Tudo isso em nome da fraternidade universal, é claro. Porém, o que eles nunca diziam é que nem todos poderiam merecer a "honra" de confraternizar-se com eles após o momento que os "fraternais revolucionários" tomassem o poder. E não foram poucas as almas cristãs que foram brutalmente assassinadas em nome deste ideal moderno de irmandade comum. E que pena que essa triste e dura verdade seja sufocada entre nós pelos senhores da mestra da vida.

Doravante, o engraçado nesse colóquio todo de fraternidade é que o Cristianismo tem de fazer todas as concessões a tudo que o mundo, imerso em seu orgulho e vaidade, imagina ser bom. E tem mais! Que aqueles que estão entregues e a serviço das potestades das trevas é compreensível que desejem atacar as Verdades reveladas por Deus de maneira tão sórdida, entretanto, nós, Cristãos, de um modo geral e irrestrito não podemos nos dar ao desfrute de cometer um sacrilégio desta monta. Todavia, ao que parece, muitas vezes, acabamos por fazê-lo. Trocando por miúdos: para não desagradar a opinião pública mundana, preferimos trair o Cristo a sermos desprezados pelo mundo.

Não estamos dizendo que se deve perseguir quem não é Cristão, mas sim, que não devemos nos negar a lutar a boa luta, a luta em nome da Verdade e de sua propagação e que devemos procurar nos irmanar com todos aqueles que desejam servir a Nosso Senhor. De mais a mais, não há possibilidade de nos confraternizarmos com abortista, com um hedonista, com um marxista, com os materialistas de toda monta, com os ateístas militantes, com satanistas (500 milhões auto-declarados, atualmente, fora os dissimulados) sem negarmos Nosso Senhor.

E, conforme nos ensina o finado Papa Paulo VI em sua Declaração DIGNITATIS HUMANAE, que todo homem está obrigado a procurar a verdade, principalmente a que diz respeito às questões Divinas e depois de conhecê-las, praticá-las, pois é grande pecado conhecer o bem e não praticá-lo, como nos ensina Bernardo de Claraval em seu sermão sobre o conhecimento e a ignorância. Tudo isso com um sincero respeito pelas demais tradições verdadeiras que são, por sua deixa, lampejos Daquela Verdade que ilumina o mundo, como nos ensina o finado Papa João Paulo II em seu livro "Cruzando o limiar da esperança" e o próprio Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana.

Por fim, se formos apenas refletir sobre a idéia, em si, de uma irmandade global, veremos o quanto que ela é um descalabro de fingimento e hipocrisia. Não conseguimos muitas das vezes nem mesmo viver de modo fraterno entre nossos familiares, vizinhos, colegas de trabalho, desvalidos que pedem nosso auxílio (e negamos) e acreditamos que seja possível edificar uma ordem fraternal global através de organizações infinitamente mais poderosas que todos nós? Aliás, como é possível amarmos a humanidade sem amarmos os seres humanos que estão próximos de nós? E mais! Como desejar uma fraternidade dita universal que não tenha o Verbo encarnado, a Verdade, como Pedra Angular?

Não, não mesmo. Dessa estou fora. E você?

Pax et bonum
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