AOS FORMANDOS DE 2009 DO COLÉGIO ESTADUAL PROFESSORA ISABEL F. SIQUEIRA

Escrevinhação n. 798, redigida em 15 de dezembro de 2009, dia de Santa Virgínia Centurione Bracelli e de Santa Nina.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Boa noite. Podemos muitas das vezes pecar por falta de clareza devido ao uso breve e sucinto que fazemos das palavras. Porém para não incorrer na indelicadeza de abusar do paciente ouvido de vocês, correrei esse risco para, neste momento, proferir uma última lição professoral, uma sutil exortação, para esses jovens que aqui estão.

Para tanto, recordo aqui as palavras de um grande professor, Confúcio, que dizia a seus discípulos que um filho não deve dar a seus pais nenhuma outra preocupação além da doença. As enfermidades na maioria das vezes são imprevisíveis, outras tantas inevitáveis. Quanto ao restante das situações que vivemos dependem apenas de uma manifestação volitiva, de uma escolha deliberada de nossa vontade. E aí, eu vos pergunto jovens: foi apenas esse tipo de preocupação que vocês deram para os seus pais, para aqueles que abnegadamente vos amam? E para nós, professores, seus pais intelectuais, que tipo de preocupação vocês promoveram? Vocês pararam para pensar nas inquietações que vocês fomentaram em nossas almas? Provavelmente não.

Por isso mesmo lembro-vos disso que deveria ser algo que nunca poderia se esquecido (Exo. XX, 12): honora patrem tuum et matrem tuam, o quarto mandamento, honrar teu pai e tua mãe. Sei que este é um momento de júbilo, de festa. É uma formatura e, por isso, é mais do que natural que seus pais sintam-se felizes ao vê-los aqui. Porém, se me permitem, eu lhes pergunto: com que pensamentos, palavras e atos vocês procuraram honrar os seus pais? Com que atitudes vocês procuraram honrar a nós, seus professores? Fica difícil precisar uma resposta se realmente formos sinceros.

Mas sejamos, ao menos, conosco mesmo, em nosso íntimo e reflitamos sobre o real valor deste momento em nossa vida e quanto, realmente, o merecemos, o quanto lutamos para sermos merecedores de estar aqui.

Por fim, se lhes digo essas palavras duras, é porque nós, professores, amamos vocês e desejamos, do âmago de nosso coração, que vocês cresçam em verdade e em espírito e tornem-se, como diria Goethe, dignos, prestativos e bons e não repitam nos dias que estão por vir os mesmos erros que vocês, muitas das vezes, insistentemente repetiram a fio nos anos escolares.

Paz e bem para todos e o que fizerem, a partir deste momento, o façam para merecer. Sem pressa, mas sem perder tempo.

Obrigado.

Pax et bonum
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