MISTÉRIOS QUE REVELAM A VERDADE – parte XI

Escrevinhação n. 793, redigida em 24 de novembro de 2009, dia de Santo André Dung-Lac e companheiros.


Por Dartagnan da Silva Zanela

"A insensatez é sem dúvida irmã da malvadeza".
(Sófocles)

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Mistérios Dolorosos. Primeiro mistério: A agonia mortal de Nosso Senhor Jesus Cristo no horto das Oliveiras (Mt XXVI, 36-56). Ao dedilhar o Terço, que ensinamentos nos vêm à alma no que se refere a esse mistério? De que modo as águas desse mistério nos lava as chagas de nossas dúvidas que emanam em nosso caminhar por esse vale de lágrimas? Como sempre, muito mais do que esse reles missivista é capaz de escrevinhar.

Para começo de prosa, devemos, penso eu, refletirmos quanto ao significado da dor. Por que sofremos? Por que muitas vezes nossa alma se vê tomada pela agonia? A resposta é simples: para que sejamos fortalecidos. Tão só e simplesmente isso. Aquele que É, em Sua infinita misericórdia, sabe claramente qual é a tempera de nossa alma e, por sua deixa, sabe perfeitamente qual a medida de prova que deve ser auferida a ela na forja da existência para aprimorá-la.

A forja da alma é a dor. A dor física, psíquica e moral. Toda vez que nos vemos diante de um sofrimento, estamos sendo convidados pelo Logos a sermos maior do que nós somos para assim, podermos nos tornar mais dignos de nossa condição.

Não é por menos que nos sentimos profundamente envergonhados e medíocres quando nos encontramos diante de pessoas que padecem de alguma grande dor e, mesmo assim, a aceitam e a enfrentam com uma força e com uma dignidade incomuns. Ora, quem nunca teve essa experiência? Por essa razão, penso eu, é de fundamental importância que visitemos os enfermos e aqueles que padecem, por duas razões: para lhes fazer companhia e da força diante do fardo que elas tem de carregar e, principalmente, para tomarmos consciência de nossa fraqueza, de nossa miséria, de nossa mediocridade debilitante.

Doravante, meditando devidamente sobre esse mistério doloroso, flagramos nossa pequenez insignificante diante da Majestade Divina. A agonia enfrentada por Nosso Senhor, o Logos encarnado, no horto das Oliveiras, também chamado de Getsêmani, é algo que nenhum ser humano comum poderia enfrentar, que nenhuma pessoa teria forças para suportar. Porém, o Logos Encarnando enfrentou, aceitou e suportou, demonstrando-nos através de seu exemplo que todo sofrimento é pequeno para aqueles que aceitam que seja feita a Vontade de Deus em sua vida.

E neste ponto que temos alguns ensinos que julgamos ser de grande relevância para edificação de nossa alma, de nosso pequeno ser. Primeiramente, quanto ao fato desta agonia ter ocorrido em um horto de oliveiras (lugar onde Jesus passava longas horas em silêncio e oração), no horto de Getsêmani, que significa simplesmente prensa de azeite. Ora, existe agonia maior para as olivas do que ser prensada? E existe uma outra forma de se obter azeite além dessa?

De mais a mais, como nos ensina a Sacra Escritura, é necessário que o Filho do Homem passe por isso para que o ungüento que cura as almas pecadoras fosse forjado pelas mãos dos pecadores. Cristo é a oliveira a ser prensada de maneira dolorosa e violenta para assim nos apresentar o caminho, a Verdade que nos curará de nossas chagas para podermos chegar a Vida.

Para tanto, temos de aceitar o receituário que nos é prescrito pelo Médico das almas, receita essa dita aos Seus discípulos enquanto Ele estava rezando. Ele havia dito para que eles vigiassem com Ele. E como todo paciente, eles não foram capazes de obedecer as prescrições de seu Médico: eles dormiram.

E esse pedido feito por Nosso Senhor é feito para todos nós, para que sejamos vigilantes, para que nos esforcemos a todo momento para nos manter atentos diante Dele, diante das agonias e sofrimentos que nos são apresentados no correr de nossa vida. E o interessante que ele convidou o bom ouvinte da Palavra que se fez Rocha (Simão Pedro) os dois filhos de Zebedeu (que em hebraico quer dizer Presente de Deus), Aquele que suplantou (Tiago) e o Agraciado por Deus (João).

Não basta que sejamos agraciados por Deus e que suplantemos o mal que há em nossa alma sendo bons ouvintes da Palavra, fazendo-nos fortes como uma rocha diante das tormentas. É necessário que sejamos vigilantes, pois, como nos ensina Nosso Senhor (Mt XXVI, 41): "Vigiai e orai para não entrardes em tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca".

Nos dias de hoje, a maior tentação que nós, Cristãos, temos de enfrentar e que, por isso, devemos ficar muitíssimo atentos, é o que o Padre Paulo Ricardo e o finado Padre Leo chamam de Cristão light. Mas o que é esse ser estranho, o tal do Cristão light? É o Cristão que não aceita enfrentar as contradições que são inerentes a aceitação do Caminho, da Verdade e da Vida, é o Cristão que não quer ser contrariado pelo mundo, que quer se proclamar seguidor do Cristo ao mesmo tempo que aceita tudo aquilo que está presente na sociedade moderna que nega o Cristo.

Não se pode, de modo algum, viver mergulhado nas mentiras modernas e aceitar a Verdade revelado pelo Verbo Encarnado. Aceitar o Verbo é aceitar a agonia da certeza de ser apedrejado e insultado pela horda mundana que ontem e hoje renega e insulta a Verdade.

E essa é a grande tentação que bate à porta de nossa alma, um convite sutil e cínico do encardido príncipe das trevas para que sejamos tolerantes com tudo aquilo que é intolerável, um convite sedutor e malicioso para que neguemos o Cristo, gradativamente, em partes, mutilando nossa alma, aleijando-a de sua tensão espiritual natural para o encontro com a Verdade sobre a vida e sobre nós. Por isso, sejamos fortes, peçamos a Santíssima Trindade que nos cubra com a virtude da fortaleza para que possamos suportar a agonia das incertezas de nossos dias e oremos para não cair em tentação de cair nesta maldita armadilha que se apresenta em todos os cantos da sociedade nos dias hodiernos.

Mas quais seriam essas arapucas sinistras que nos são armadas pelo encardido para nos afastar da Vereda da Verdade? Bem, infelizmente, não são poucas. Não podemos nos esquecer que ele é o mestre da mentira e está semeando-as entre nós desde o começo dos tempos e a maior mentira contada por ele, obviamente, foi a primeira (Gen III, 4-5): "Vós não morrereis! Mas Deus sabe que no dia em que comerdes, abrir-se-vos-ão os olhos e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal".

Veja só, cara pálida, não é essa a mentira que a sociedade moderna vem nos vendendo à séculos das mais variadas maneiras? Não essa a mentira que nos é contada incessantemente pela sociedade atual através de todos os meios imagináveis?

Por isso ore, metide sobre a Palavra de Deus e seja vigilante, para não cair em tentação, ou para livrar-se dela.

Pax et bonum
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