UM CAMINHO PREVISTO

Escrevinhação n. 777, redigida em 25 de agosto de 2009, 21ª Semana do Tempo Comum. Dia de São Luiz IX e de Santa Patrícia.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"A realidade tem limites; a estupidez não".
(Napoleão Bonaparte)
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Todos nós temos uma infinita capacidade de nos auto-enganar, de mentirmos para nós mesmos e, por incrível que possa parecer, de estupidamente crermos em nossos embustes. E isso não é brincadeira não meu amigo. É coisa muito séria. Aliás, se existe algo que tolhe a capacidade humana de compreensão é justamente isso.

Todavia, se somos cientes do mal que isso causa para alma, por que então, com uma freqüência tão grande, caímos nessa trama maldosa tecida por nós mesmos para nos enredar e sufocar-nos em nossa total falta de senso da realidade? Eis aí uma questão que deve ser devidamente meditada por todos aqueles que realmente tem amor pelo conhecimento e desejam cingir a sua formação de maneira reta e equânime.

De um modo geral, todo auto-engano tem sua gênese em uma irascível necessidade do indivíduo ser aceito socialmente. Desprovido de confiança em sua inteligência, esse sempre necessita da aprovação de uma platéia, de um grupelho, de uma panelinha que seja, para que reafirmem o que ele está dizendo e, deste modo, possa sentir-se seguro, mesmo que totalmente iludido. Olha, não existe literalmente nada mais danoso para a alma humana do que isso. Ou você discorda?

Quando passamos a pensar por esse viés, a confirmação do que estamos investigando deixa de ser mensurado pelo critério da Verdade para ser simplesmente aprovado pelo consenso emitido por uma pretensiosa multitude. Ou seja, neste caso abdicamos da via que nos levaria a compreensão daquilo que era objeto de nossa curiosidade para simplesmente podermos ser aceitos por um grupo de pessoas que, em regra, não está sinceramente interessada no que estamos investigando, não si importa muito com a verdade do que iremos pronunciar e que, na maioria dos casos, preocupa-se unicamente em exibir uma reles casca de cultura oca, desprovida totalmente substância, justamente por ser uma cultura parida por uma alma carente da vivacidade do exercício da inteligência humana.

A partir do momento em que nos preocupamos mais em agradar essa afetada massa ignara nós colocamos um obstáculo colossal frente a nossa capacidade de compreensão da realidade, visto que, estaremos muito mais preocupados em agradar essa patuléia arrogante do que realmente aprender algo de significativo da estrutura do real.

Isso mata com a originalidade, com a criatividade, com a capacidade inventiva, em fim, desumaniza o indivíduo em nome da glória de uma coletividade que literalmente pouco se importa com o sacrifício que fez e, em nome da atenção desses tipos (des)humanos, abdicamos de sua inteligência para nos sentir confortáveis, somando mais um digito ao número de almas sebosas para afirmar a mediocridade reinante.

Obviamente que desejar fazer a diferença negando-se a aceitar o conforto que é-nos ofertado pela aprovação do consenso de nossos pares irá impor-nos certos desconfortos. Entretanto, quem disse que aprender é algo confortável? Quem disse que procurar compreender a Verdade é uma atividade aprovada pela maioria? Quem disse que para crescermos moral e intelectualmente não exigiria de nossa parte alguns sacrifícios?

Bem, podemos optar em sacrificar a companhia que nos é ofertada por parvas pessoas que não amam e não desejam o mesmo que nós ou sacrificar a nossa inteligência em nome dessa gente miúda. A escolha é sua, você é quem decide o que é mais importante, se é sua alma ou a aprovação pueril da massa estupidificada e diplomada.

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