CONSIDERAÇÕES ESPARSAS SOBRE AMIZADE E EDUCAÇÃO

Escrevinhação n. 782, redigida em 22 de setembro de 2009, dia de São Maurício e companheiros e do Bem-aventurado Inácio de Santhiá, 25ª Semana do Tempo Comum.


Por Dartagnan da Silva Zanela

"A única coisa que interfere com meu aprendizado é a minha educação."
(Albert Eisntein)

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Em seu livreto “A liberdade do Cristão”, o doutor Martinho Lutero chama a nossa atenção para um ponto que, de nossa parte, julgamos muitíssimo relevante para ponderarmos sobre os destinos que a educação contemporânea vem tomando.


Escreve-nos ele que não há obras boas e obras más. O que existe são pessoas que seguem o caminho turvo e pessoas que trilham o caminho ensinado pelo Verbo Encarnado. Quanto à qualidade das obras, esta será determinada simplesmente pela qualidade do coração do indivíduo que as realizou.


Por isso, quando volto minhas vistas para o cenário atual em que é encenada a educação contemporânea não tenho como não sentir-me entristecido e, como professor que sou (que me esforço em ser), culpado, como co-autor de tudo que estamos testemunhando. Afirmo isso com um relativo sentimento de impotência e explico o porquê deste.


Se relermos a epígrafe disposta no início dessa missiva e refletirmos um pouco sobre ela talvez possamos compreender a razão deste sentimento que me invade. "A única coisa que interfere com meu aprendizado é a minha educação." Putz! Quando li esse pequeno aforismo não tive como não me entregar a meditação sobre o bruto problema que estava me sendo proposto por aquelas poucas palavras e fiquei a imaginar os cenários possíveis que tais palavras me propunham e as várias possíveis luzes que tais cenários imaginários poderiam projetar sobre a realidade diuturna que vivencio junto ao sistema educacional brasiliano.


Quando penso a educação, penso os valores que estão sendo semeados no coração das tenras almas pela geração que a antecedeu. Ou seja: nós mesmos. Para visualizar tais valores, procuro me perguntar o que as pessoas colocam como centro de suas vidas, como sendo o que há de mais elevado na vida humana. Procuro visualizar as cenas e imagens que mais freqüentemente as pessoas valorizam e que se fazem presentes nos meios de interação social, de comunicação e de (des)educação.


Feio isso, que em si já nos trás uma certa apreensão em relação ao que assalta nossas vistas, partimos para a depuração dessas imagens e cenários para identificar os valores que se fazem presentes neste emaranhado de recortes da realidade educacional de nossa sociedade e aí, meu caro, que a porca torce o rabo. A última coisa que surge nestas são valores como dignidade, prestatividade e bondade. As palavras bonitas podem até aparecer aqui ou acolá, porém com o seu significado totalmente pervertido pelo contexto em que elas são apresentadas.


Se formos capazes de nos entregarmos a esse exercício de imaginação, classificação, identificação e reflexão, perceberemos com clareza que o grande entrave para o aprendizado de nossos jovens nos dias hodiernos é o conteúdo e a forma de nossa educação que, de modo sorrateiro, ensina o quanto é interessante sermos desleixados com a nossa formação, com o nosso ser.


Não? Exagero de minha parte? Talvez. Entretanto, diga-me, com franqueza: o quanto de atenção você dedica para a sua formação? Não estamos nos referindo àquela patacoada de educação formal, mas sim, a sua formação pessoal. Quanto? Você lê bons livros? Estuda e segue retamente os preceitos de sua Confissão religiosa? Vê bons filmes? Ouve boas músicas?


Não? Então, talvez não seja exagero de minha parte e, provavelmente, seja exagero da sua cegueira voluntária advinda dos títulos e valores rasos que inundam a nossa sociedade e que tanto cultuamos como sendo o que há de mais requintado e, quem sabe, seja o momento apropriado para se entregar a esse singelo exercício proposto por essas parvas linhas arregalar os olhos para a realidade que está para além da educação e bem diante de nossas ventas.


Pax et bonum
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