PÁGINAS RASGADAS

Escrevinhação n. 775, redigida em 18 de agosto de 2009, dia de Santa Helena e de Santo Alberto Hurtado Cruchaga, 20ª Semana do Tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Dentre os temas mais bem quistos pelos professores de história, pelos sacerdotes dessa deusa secular, está a tal da Revolução Cubana que, em regra, é um momento singular em sua liturgia mundana para render odes em culto ao genocida Ernesto Guevara. Juntamente com esse culto desmedido a um assassino sanguinário (como se ele fosse uma espécie de Santo), temos aquela velha lamúria de que os livros de história não contam toda a verdade sobre ele e a maldita Revolução, que eles, os livros, não são devidamente justos para com o Che.

Olha, para ser franco, tenho de concordar neste ponto e lhes digo a razão disso apontando algumas curiosidades, digamos assim, sobre a referida revolução, curiosidades essas que não constam em nenhum livro didático que esteja sendo utilizado nesta terra de desterrados chamada Brasil.

Falemos, primeiramente, a respeito de Cuba. É de doer os ouvidos termos de ficar ouvindo aquela ladainha de que Cuba é um exemplo disso, ou que Cuba é um exemplo daquilo. Bem, se essa revolução foi o exemplo de algo, o foi de como o fracasso é capaz de subir a cabeça de uma pessoa alienada ideologicamente convicta de seu disparate cinicamente sapiencial. E antes de ficar enfezado com esse mísero escrevinhador, você já se perguntou sobre como era Cuba antes da Revolução Cubana? Cuba estava melhor ou pior depois que a dinastia Castro tomou o poder na ilha que se tornou um cárcere socialista?

Dito isso, vamos por arte. Primeiramente, quanto ao consumo de calorias diárias. Na década de 50, em um ranking de 93, países Cuba estava em 26º lugar com um consumo de 2.730 calorias/dia (segundo a OMS o mínimo são 2.500). Quanto a sua agricultura, na década de 50, Cuba estava em 35º, junto com a Espanha, em termos de produção por hectare, num ranking de 102 países.

Quanto ao acesso a determinados bens de consumo, temos algumas informações que, no mínimo, são deveras curiosas. Na quinta década do século XX, havia na referida ilha um automóvel para cada 40 habitantes (terceiro melhor índice na America Latina); um telefone para cada 38 cidadãos (quarto colocado na América Latina); um rádio para cada 6.5 habitantes e um televisor para cada 25. É mole ou quer mais? Quem diria que no século XXI Cuba daria tantos passos para traz?

Em termos de industrialização, antes de se tornar uma reles ilha cárcere comandada por um demente, Cuba tinha um parque industrial que produzia uma variedade de, aproximadamente, 10.000 produtos. Quanto ao consumo de produtos industrializados, era o 39º país em uma lista de 108. Um detalhe interessante que também deve ser destacado é que na década de 50 Cuba esta em 25º lugar em um ranking de 124 países quanto ao consumo de energia elétrica.

Ah! Quanto à tão famigerada dependência econômica de Cuba em relação ao capital estrangeiro, especialmente dos Estados Unidos. Em 1951 os depósitos privados em Bancos Cubanos eram correspondentes a 53.2% e, devido a inauguração do Banco Nacional de Cuba, em 1958 esses depósitos chegaram a 61.1%. No setor comercial, a ilha contava com 65.000 estabelecimentos que empregavam 254.000 pessoas. Eita dependência boa essa que havia na ilha caribenha antes dos “progressos” castristas, não é mesmo?

Putz! Se a revolução cubada foi tão gloriosa, porque todos esses números nas cinco décadas da dinastia Castro apenas decaíram a um nível vergonhoso? Mas é claro! Como eu pude me esquecer dos grandes avanços em termos educacionais. Como pude ser tão injusto! Então vejamos a menina dos olhos da maldita revolução. Já na década de 1940 todos os professores cubanos de nível primário e secundário possuíam titulação de normalista e de nível superior. Antes da fatídica revolução, no que se refere a alfabetização, Cuba estava 35º lugar em um ranking de 136 países, onde 80% de sua população sabia ler e escrever de fato.

Esse dado é mais impressionante quando comparamos com o número de alfabetizados que havia na ilha após a descolonização no século XIX, que era de apenas 28% da população. Trocando em miúdos, se a revolução comuna-castrense fez alguma coisa pela educação de seu povo, foi convertê-la em um sistema de doutrinação marxista e nada mais, pois as sementes exitosas nesta seara já vinham sendo plantadas, de longa dada, no solo da ilha caribenha e não apenas após 1959.

E mais! Antes de Castro e seus pares colocarem suas mãos imundas no poder, Cuba possuía, na década de 50, uma taxa de mortalidade infantil de 5.8 para cada mil nascimentos. Quanto ao estado sanitário, antes da revolução ufanada, Cuba ocupava o 22º lugar em um ranking de 122 países.

Pois é, antes da gloriosa revolução socialista Cuba era uma nação próspera e que vinha crescendo a níveis acima da média Latino-Americana e hoje se converteu em uma legítima ilha cárcere que é ufanada por pessoas que apenas vêem os seus delírios ideológicos como dignos em um misto com um total desdém para com a realidade dos fatos.

E para não dizer que apenas falei da revolução e de Fidel, teçamos aqui algumas linhas, mesmo que de modo breve, sobre o tal do “Che”. Para falar dele, respeitemos a sua memória e permitamos que as suas próprias palavras o retratem. Dizia Guevara que: “O ódio como fator de luta. O ódio intransigente ao inimigo, que impulsiona além das limitações naturais do ser humano e o converte em uma efetiva, violenta, seletiva e fria máquina de matar. Nossos soldados têm que ser assim. Um povo sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo brutal”.

E o pior que há professores que tem o disparate de afirmar que um biltre desta estirpe foi similar a São Francisco de Assis. Talvez, estes professores, não saibam que, em certa feita, Che havia dito: “Eu não sou um Cristo ou um filantropo. Eu sou totalmente o contrário de Cristo”.

E tem mais! Não adianta ficar bravinho comigo não, pois não fui eu que disse essas sandices, foi o seu ídolo de carne, ossos e vexame. De mais a mais, se esse facínora é seu objeto de culto e modelo ideal de ser humano, consigo compreender sua raiva, pois, como o próprio Che dizia: “Nós, socialistas, somos mais livres porque somos mais perfeitos; somos mais perfeitos porque somos mais livres." Sim cara pálida, se vocês socialistas são os mais perfeitos, por que todos os frutos de suas idéias e de seus atos são putrefazes? Se o socialismo torna os homens tão livres por que tantas pessoas arriscaram e arriscam suas vidas para fugir de seus “antros de liberdade”?

Tudo isso seria engraçado se não fosse trágico, pois quando se tem um culto do terror como se fosse algo angelical, é sinal de que se perdeu totalmente o senso das proporções. Quando alguém não sabe mais quais são as diferenças evidentes que existem entre um Santo da envergadura de São Francisco de Assis e um genocida como Guevara é por que, a muito, abdicou do uso da razão. Quando alguém deseja e luta politicamente para que seu país se torne similar a Cuba, literalmente, não sabe o que está desejando e, infelizmente, não sabe pelo que está lutando. Mas, como ensinava Vladimir Ilitch Ulianov (Lênin), é fundamental que se tenham muitos idiotas úteis para se realizar uma revolução.

Pena que essas páginas do ensino de história foram deliberadamente rasgadas.

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