domingo, 28 de junho de 2009

REFLEXÕES BLÓGICAS – XXI

Algo literalmente incompreensível para a média geral da sociedade brasileira é o amor pelo conhecimento, o amor para com a procura pela Verdade. Em regra, a maioria das pessoas procura cursar qualquer curso não por uma motivação interior que as guie por essa ou aquela vereda. Na maioria das vezes o que nos move a estudar algo é tão só uma reles motivação externa ligada diretamente a sua auto-preservação o que, de certa forma, é normal. O que não é normal é sobrepor essa segunda motivação sobre a primeira e tratar essa como inexistente e mesmo pacóvia. Desse modo, os estudos, nas suas mais variadas formas de encaminhamento, se reduzem a um caminho miúdo para os sabujos bípedes conseguirem garantir a sua lambida no osso da sobrevivência e nada mais. Agora, procurar dedicar a sua vida a vereda da compreensão da Verdade, isso é algo para quem procura uma existência superior a de um tatu-bola o que, por sua deixa, é algo que a média geral dos indivíduos, não quer saber de ouvir falar. Mas, por quê?
Dartagnan da Silva Zanela,
em 28 de junho de 2009.

Miguel de Unamuno: La Aventura del Pensamiento

Parte II e parte III

Programa Ave Maria, 25 de junho de 2009.

AVE MARIA é o programa da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda a sexta-feira das 18h00 as 18h15 pelas ondas da rádio Iguaçu FM. Nas quintas, o Programa AVE MARIA é apresentado por Dartagnan da Silva Zanela.

sábado, 27 de junho de 2009

DOIS COMENTÁRIOS EM UMA SÓ VOZ

Comentário realizado por Dartagnan da Silva Zanela no dia 25 de junho de 2009
para o programa Boas Notícias da Rádio Cultura AM/FM.

Dartagnan da Silva Zanela - OPERAR A VERDADE

Comentário realizado por Dartagnan da Silva Zanela no dia 26 de junho de 2009
para o programa Boas Notícias da Rádio Cultura AM/FM.

Dartagnan da Silva Zanela - SILÊNCIO

COM A PALAVRA, THOMAS MERTON

“Temos uma máscara externa, superficial, que juntamos às palavras e às ações que não representam plenamente tudo o que há em nós; assim também, até as pessoas de fé tratam com um Deus feito de palavras, sentimentos e slogans reconfortantes, menos o Deus da fé do que o produto de rotinas sociais e religiosas. Esse ‘Deus’ pode tornar-se um substituto da verdade do Deus invisível da fé, e, embora essa imagem reconfortante possa parecer-nos real, ela é realmente uma espécie de ídolo. Sua função principal é proteger-nos contra um encontro profundo com nosso verdadeiro eu interior e com o verdadeiro Deus.”
Fonte: AMOR E VIDA de Thomas Merton.

REFLEXÕES BLÓGICAS – XX


“Michael Jackson morreu, você sabia professor?” Assim me foi contata a notícia por meus alunos do Ensino Fundamental logo após uma avaliação que eu havia aplicado e, no mesmo instante em que me foi feita essa indagação disse-lhes que o senhor Jackson é um exemplo perfeito de que o dinheiro e a fama, definitivamente, não são sinônimos de felicidade. Quanto mais famoso esse senhor ficava, mas infeliz tornava-se. Nos últimos dias de sua vida ele havia se transfigurado em uma caricatura grotesca de devaneios sem sentido. Por isso, disse a meus jovens alunos e aqui repito que a felicidade humana não está na vereda da fama e da fortuna material. A felicidade sempre estará na senda da Verdade que se encontra nos suaves passos do amor caritativo.
Dartagnan da Silva Zanela,
em 27 de junho de 2009.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

PARA AQUELES QUE AMAM A VERDADE - pdf

PARA AQUELES QUE AMAM A VERDADE

PARA AQUELES QUE AMAM A VERDADE

Escrevinhação n. 767, redigida em 23 de junho de 2009, dia de São José Cafasso, 12ª Semana do Tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Deus reside em todos os homens, mas nem todos os homens estão Nele”.(Sri Ramakrishna)
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Muitos são os casos onde se presencia a doutrinação ateística nas Instituições de Ensino, seja ela de maneira sutil através de idiotas úteis (como diria Lênin) ou mesmo através de idiotas confessos e tomados pela soberba. Por meio desse mísero libelo, gostaríamos de partilhar algumas considerações a respeito do segundo tipo que, por sua deixa, muito se faz presente em nosso sistema educacional das mais variadas maneiras.

Não são poucos os casos onde alunos e pais apresentam-se um tanto apreensivos frente à insistência de alguns de seus “mestres” em tentar “provar” que Aquele que É não existe (de maneira direta ou indireta). E às vezes esses ditos “mestres” chegam a se queixar da intolerância dos alunos e de seus respectivos pais frente a não aceitação de seu credo materialista e/ou niilista. Bem, já nesse ponto que a porca, de cara, torce o rabo. Se estes senhores se auto-proclamam livres pensadores simplesmente por declararem suas crenças aos quatro ventos deveriam saber e, principalmente, compreender, que todos os outros têm o direito de não aceitar as suas palavras. De mais a mais, quando se afirma que o Estado é laico, isso é válido não apenas para Confissões religiosas, mas também para credos políticos e mundanos.

É claro que eles, mestres do saber humano, dirão que até aceitam que os alunos não comunguem de suas “convicções” desde que os seus opositores o refutem. Puts! Que sacanagem. Exigir isso de um garoto tem um nome bem apropriado: chama-se covardia. Mas vamos lá, vejamos o que podemos, em poucas palavras, dizer então a respeito do problema “a existência de Deus”.

Primeiro, a revolta contra Deus é típico de mentalidades imaturas que não se dedicaram da maneira devida ao estudo dos problemas filosóficos, porém, mesmo assim, julgam-se cônscios da razão de tudo que existe e, por isso mesmo, imaginam que estão autorizados a profetizar um novo mundo, uma nova moralidade e, porque não, um novo ser humano. Por uma revolta interior, o indivíduo tomado pelo orgulho, pela inveja do Criador, imaginando poder tornar-se um novo Criador para melhorar a obra do Primeiro, como nos ensina Hans Urs von Balthasar.

Não é à toa que é comum nos primeiros anos de um Curso superior um estudante cair nas águas turvas e lúgubres da descrença, tal qual ocorreu com esse que voz escreve em sua porca juventude. Todavia, permanecer em tal lamaçal é um sinal de grave estado de disparate existencial.

E o que é mais interessante nesse fenômeno, a descrença, que praticamente a massa absoluta dos ateus (sejam eles militantes ou não) e agnósticos, estão convictos da inexistência da “Estrutura do Real”, porém, não são capazes de apresentar o conceito de Deus, visto que, o que leva a maioria das pessoas a cair nesse fosso não é um problema de ordem metafísica, mas sim e tão só, de ordem moral. Essas pessoas, via de regra, vêem na massa de praticantes da religião herdada de seus pais e de sua comunidade um determinado ar de hipocrisia e, por não ver realizado plenamente as Virtudes ensinadas pelo Credo nos fiéis praticantes, esses rejeita o Criador, como nos aponta o filósofo Mário Ferreira dos Santos. Todos são pecadores, todos possuem faltas, apenas eles se vêem acima do bem e do mal. E depois os fiéis é que são hipócritas.

Doravante, por essa razão que Platão em sua obra AS LEIS nos ensina que os mais elevados estudos não são recomendados a todos, mas apenas a um pequeno número de pessoas, pois, conforme seu testemunho (que é infinitamente mais elevado do que o deste caipira que vos escreve), uma ignorância absoluta é menos malévola e não mais temível que um conjunto de conhecimentos mal dirigidos. Trocando em miúdos: filosofia nas mãos de tolos presunçosos gera mais confusão na alma humana do que abertura para uma vereda que leve à Sabedoria. E, como nos admoesta o filósofo francês de François-René Chateaubriand, um estudo assim dirigido converte-se em uma pseudociência que, nada mais é que um labirinto onde o indivíduo avança sempre mais e mais para fundo, quando pensa que está saindo para visualizar a luz. Por isso, indago: o que se pretende ensinar com o insuflamento de uma descrença que, em geral, nem mesmo os descrentes (ateus e agnósticos) não compreendem?

E repito: não compreendem mesmo. Não? Pois bem, para fechar a tessitura dessas nossas linhas, propomos o seguinte: se você conhece uma pessoa que seja atéia ou agnóstica (ou mesmo se essa pessoa seja você), proponha o seguinte problema: primeiramente levante o status questione da discussão em torno da existência de Deus. Faça um levantamento dos principais filósofos e teólogos que apresentaram e discutiram a questão. Fazendo isso, você verá que apenas na modernidade a negação Daquele que É foi aceita como algo “respeitável”.

Feito isso, procure, em um processo de depuração dialética confrontar todas as conclusões dos sábios que dedicaram suas vidas meditando sobre Ele e, deste modo, tente para provar a impossibilidade da existência de Deus. Repito: tente, seriamente, após refletir sobre a discussão do tema, provar a impossibilidade da existência de Deus.

Provavelmente tal questão nunca foi devidamente meditada por esses sujeitos e se em algum momento foi, provavelmente foi de uma maneira deslocada. No mínimo, por terem lido Nietzsche e Marx (os mais populares nesse meio), ou Richard Dawkins e Daniel Dennett (os mais chiques) imaginam que já resolveram toda a questão. E o pior de tudo isso é que eles se auto-declaram pessoas “esclarecidas” e “críticas” por agirem assim. Que meleca.

E olha, fala para ele não vir de malandragem, pois esse é um problema que, provavelmente, ele (ou você) nunca dedicou o devido tempo de seu precioso intelecto e, principalmente, a necessária seriedade.

De mais a mais, se você quer descrer da existência da Estrutura da Realidade, que é Deus, não tem problema, Deus continuará sendo Deus mesmo que você seja incapaz de aceitar a realidade de Sua presença, pois, como nos explica Frithjof Schuon, Deus é a estrutura da realidade. Mesmo que nós desdenhemos determinadas facetas do Real, Ele lá estará tal qual nos apresenta a alegoria da Caverna de Platão no livro VII de sua obra A REPÚBLICA e na Metafísica de Aristóteles em seu capítulo VI.

Por fim, não pense que eu estou impondo algo (eles adoram se fazer de vítimas do mundo e da sociedade), visto que, se Deus, em Sua infinita misericórdia tolera os ateus militantes, não serei eu que irei impedi-los e muito menos a forçá-los a parar com sua pregação mundana. A única coisa que poderá refrear esse impulso insano é a consciência que lhes foi dada por Aquele que tanto negam.

Mas, me permitam um conselho: use-a, a tal da consciência, com seriedade e não como um brinquedinho para se auto-iludirem em sua vaidade e presunção.

Pax et bonum
Blog: http://zanela.blogspot.com

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A ÚNICA DESGRAÇA REAL

Escrevinhação n. 765, redigida em 15 de junho de 2009, dia de Santa Julita e São Ciro, 11ª Semana do Tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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As lamentações humanas não têm fim. Cada dia que passa nos tornamos mais infantis. Lamentamos sobre tudo e a respeito de praticamente todos e, o mais engraçado com relação a isso é que quanto mais lamentamos dos infortúnios que nos assolam, mais nos sentimos seguros de quem somos e, consequentemente, do que nós queremos para a nossa vida. Ou seja: sem estarmos cônscios de quem somos, imaginamos que estamos altamente gabaritados para reivindicar o que é melhor para nós, mesmo que não saibamos claramente quem é esse tal de “nós mesmos”.

Parece estranho que insistamos neste ponto, mas, confesso que esse realmente é o ponto que mereceria receber a maior porção de nossas forças em sua investigação e devida meditação, pois esse é o porto seguro donde parte todo singrar de nossa vida. Uma vida onde o sujeito dela é um ilustre desconhecido é uma vida vivida sob a tutela de outros que acabam nos dizendo o que somos e quem devemos ser, justamente por não nos importarmos devidamente com a realidade de nossa pessoa.

É até engraçado, para não recorrer a nenhuma outra expressão, vermos círculos de pessoas, fundamentalmente preocupadas com a hercúlea tarefa de desperdiçar as suas vidas em conversas tolas com aquele ar de desdém vitorioso a perguntar-se: “Quem sou eu? Sei que nada sei? Rarara...”, e assim por diante. Sabe, fazendo o tipo de quem se julga uma pessoa plenamente resolvida e senhora de si, mesmo que gaste boleras em conversas que apenas acumulam em sua alma palavras sem significação alguma, se nenhuma relação com a realidade ou com o desejo de contemplar a Verdade.

Não é questão de ser moralista ou coisa do gênero, mas sim, de meditarmos sobre uma questão muito simples. Se somos realmente o bicho da goiaba que julgamos ser, por que gastamos tanto tempo e dinheiro para dissimular a imagem de quem realmente somos? Se somos realmente o Ari Pistola que achamos ser, por que nós, seres humanos modernos, tememos tanto a morte? Bem, é aí que a porca torce rabo.

Quando pensamos na finitude de nossa existência nos defrontamos com o espelho da Verdade sobre nossa vida. Isso mesmo. Quando nos é indagado “quem somos nós” e “o que somos nós” essa pergunta deve ser realizada na plenitude da realidade humana, que é a solidão, conforme nos ensina José Ortega y Gasset. E é interessante o quanto essa questão ganha à devida densidade em nossa vida quando, como dizem os populares, sentimos o cheiro do caixão, ou quando alguém muito próximo e querido por nós vem a falecer.

Nos momentos em que experimentamos uma situação como essa, imediatamente nos vem uma sensação de que se nós morrêssemos naquele instante teríamos sido o ser humano mais idiota e medíocre do mundo por ter vivido da maneira mais estúpida possível. Em maior ou menor proporção, essa é a impressão que aflora em nossa alma a partir da experiência de morte, tanto que o indivíduo reflete sobre a sua vida e passa a querer levá-la de um modo mais dignamente humano, porém, nem sempre essa impressão deita firmes raízes na alma do elemento o que leva, muitas das vezes, esse estado de reflexão ser fugidio. Mesmo assim, o que ele quer após isso é aproveitar a vida de uma maneira melhor.

O interessante nisso tudo é que, antes do elemento viver essa situação ele procurava nortear a sua vida pelas veredas ditadas pelas suas desenfreadas paixões que, de maneira raivosa, o guiava para o que há de mais baixo em uma vida e ele chamava a isso de “aproveitar a vida”. Espere aí! Mas o que então significa solver tudo o que a vida tem a nos ofertar? Que vida humana pode ser tida como uma vida plenamente vivida?

Isso irá depender do que você entende por humano e que tipo de humano você pretende apresentar diante de Deus. É meu caro. Essa é a densidade devidamente apropriada à pergunta insistentemente repetida por esse mísero missivista. No silêncio de nossa solidão é que nos defrontamos com a plenitude de possibilidades humanamente possíveis que podemos realizar mesmo estando, neste momento, imersos em nossa miséria humanamente rasteira que prefere rastejar junto à lama da alcova das paixões do que se entregar a esse Mistério que nos convida a transcender as aparências que atocaiam nossas vistas em nome de nossas vilezas.

Olha, a muito, quando ainda vivo, Mahatma Gandhi dizia-nos o seguinte: “Acreditem-me quando lhes digo depois de 60 anos de experiência que a única desgraça real é a de abandonar o caminho da Verdade”. E a maneira mais fácil de nos entregarmos a esse infortúnio é não sendo sinceros para conosco mesmo. Pô! Se não somos francos com o mané que aparece refletido no aço do espelho, com quem e com o que seremos?

Quem é você? O que é você? Não me conte e nem resmungue. Apenas pense o que você apresentaria perante o Sapientíssimo como sendo a sua pessoa e em que medida isso que seria apresentado realmente seria você ou, se não passaria apenas de mais um embuste para, de maneira covarde e tosca, nos escondermos de nossa realidade humana humanamente negada. O que seria? O que será?

domingo, 14 de junho de 2009

História de João Paulo II - italiano-português

parte II - parte III - parte IV - parte V - parte VI

SABEDORIA DIFERENTE

Comentário realizado por Dartagnan da Silva Zanela no dia 12 de junho de 2009
para o programa Boas Notícias.

Dartagnan da Silva Zanela - SABEDORIA DIFERENTE

REFLEXÕES BLÓGICAS – XIX


Nesta sexta-feira um aluno solicitou uma orientação quanto a um trabalho que ele iria apresentar em um evento e em meio a nossa conversa tocamos no assunto que versa sobre o estado em que se encontra o ensino em nosso país. O garoto me confidenciou que um de seus professores havia afirmado que tudo é arte, que até mesmo um estupro teria o seu valor estético, que teria a sua beleza artística. Ora raios, depois essa tigrada não sabe porque a educação está desse jeito. Por causa de dementes como esse que ocupam uma cadeira em uma Universidade que a educação se converteu em um anti-horizonte. Putz grila! E o pior de tudo é que um elemento como esse é respeitado como sendo uma pessoa descente e de moral ilibada com direito a todos os não me toques possíveis. Assim o é devido à total imoralidade de nossa sociedade que chama pessoas como esse senhor de “educador”.

Dartagnan da Silva Zanela,
em 14 de junho de 2009.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

COM A PALAVRA, THOMAS MERTON...

“Aprenda a meditar sobre o papel. Desenhar e escrever são formas de meditação. Aprenda a contemplar as obras de arte. Aprenda a orar nas ruas ou nos campos. Saiba meditar não só quando você tem um livro em mãos, mas também enquanto espera um ônibus ou viaja de trem. Penetre, sobretudo, na liturgia da Igreja e faça do ciclo litúrgico uma parte de sua vida — deixe que seu ritmo invada o seu corpo e a sua alma”.

A VIDA VIRTUOSA

Comentério feito por Dartagnan da Silva Zanela no dia 11 de junho de 2009
para o programa Boas Notícias.

Dartagnan da Silva Zanela - A VIDA VIRTUOSA

DOCUMENTÁRIO PADRE PIO - TV CANÇÃO NOVA

Parte II - parte III

quarta-feira, 10 de junho de 2009

AMOR E EGOISMO - parte II

Comentário realizado por Dartagnan da Silva Zanela no dia 02 de junho de 2009
para o Programa Boas Notícias.

Dartagnan da Silva Zanela - AMOR E EGOISMO - parte I

VERITATEM FACIENTES IN CARITATE - em pdf

VERITATEM FACIENTES IN CARITATE

VERITATEM FACIENTES IN CARITATE

Escrevinhação 763, redigida em 09 de junho de 2009, dia de Santo Efrém e do Bem-aventurado José de Anchieta, 10ª Semana do tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Uma consciência pura ri da calúnia mentirosa". (Ovídio)
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Uma das coisas mais engraçadas que visualizamos na sociedade hodierna é a reivindicação que muitos indivíduos fazem em defesa de seu “direito” de proferir pseudo-críticas sobre todo e qualquer assunto e, principalmente, sobre a Santa Madre Igreja e todas as religiões Tradicionais. Com esse ato eles reivindicam o seu sacrossanto direito a agir como um “livre-pensador” ou coisa do gênero.

E coitado daquele que ousa defender os umbrais da Tradição. Mais do que depressa os defensores do tal do “livre-pensamento” (que só é livre se concordar com eles) aparecem com aquele velho trololó de que esses defensores da tradição são retrógrados, arcaicos e pior, não são capazes de pensar com suas próprias cabeças! São dependentes dos ensinamentos da Tradição que lhes foi legada e que eles, desesperadamente, procuram defender como se esses ensinamentos reacionários fossem um grande tesouro.

Bem, pra começo de prosa, realmente, todas as grandes tradições religiosas são sim, um grande tesouro. Aliás, um tesouro inestimável. Somente a existência delas, em si, é um estupendo milagre. Somente imaginar esses edifícios de sabedoria que são as doutrinas junto com seu panteão de homens e mulheres retos e santos é algo estupendo. Agora, saber que tudo isso realmente existe e que resiste ao tempo e as agressões incessantes dos mundanos séculos e o mais maravilhoso ainda. Saber que tudo isso pode integrar a nossa alma através do ato de conhecer, que a conquista desse legado pode ampliar o nosso horizonte de consciência é, definitivamente, uma manifestação da infinita misericórdia Divina. Aliás, você já parou para pensar por essa simplória perspectiva?

Quanto ao pensamento dito independente, confesso que me dá até vergonha de tecer qualquer palavra a respeito. Não porque os indivíduos que se auto-nomeiam assim estejam cobertos de razão, não mesmo. Envergonho-me de ter que chamar a atenção destes para a envergadura da trave que obstrui as suas vistas. Mas já que estamos no meio do entrevero, que assim seja.

Meu caro, não existe essa chorumela de pensamento independente como vocês proclamam e, em especial, do jeitinho que vocês orgulhosamente proclamam. F. Hayek, tanto em sua obra Direito, Legislação e Liberdade como em Fundamentos da Liberdade nos lembra que devemos muito do que somos e do poderemos nos tornar ao compacto de experiências acumuladas que nós chamamos de tradição e não a reles esquemas abstratos que podem ser elaborados por um e outro indivíduo que se julgam superiores a toda a humanidade somente porque não concordam com ela ou porque não foram minimamente capazes de dignamente se humanizar.

Na maioria das vezes esses indivíduos que se auto-proclamam livres pensadores se esquecem (ou fingem não saber) que toda tradição não é um monólito estático que não se altera com o tempo, mas sim, um aglomerado dinâmico que carrega em seu âmago uma densa herança de experiências e ensinamentos. Experiências e ensinamentos que permitiram o nascimento do que há de melhor na sociedade, mesmo a contragosto de muitos, como eles, que imaginam poder fazer algo melhor sem saber o que é o “algo” que eles querem mudar e muito menos no que, exatamente, eles pretendem mudar. Esses são os intelectuais e militantes revolucionários e reformistas.

Doravante, uma coisa que praticamente todos desdenham é que todas as tradições religiosas sempre foram combatidas pelas forças seculares e todas as vezes que essas forças se aproximaram delas, foi para corrompê-las. A história da Igreja, por exemplo, é a história da luta dos Santos pela preservação dos ensinamentos de Nosso Senhor através de seu testemunho de fé e de sua luta contra o mundo exterior e, principalmente, pela construção sólida do mundo interior. Para entender isso basta que o “livre-pensador” conheça a vida de um Santo Inácio de Loyola e a obra de um Santo Afonso de Ligório e de um Santo Agostinho que são testemunhos claros do que estamos falando. Mas é preciso conhecer para compreender, meu caro.

E o que é mais engraçado nisso tudo é a boçalidade desses indivíduos, críticos, que com uma credulidade pueril acreditam que toda a verbarrogia que é vomitada de suas bocas seja algo de sua total originalidade em seu achismo incontido sobre tudo. Por essa razão de Rama Coomaraswamy, com grande sarcasmo lembrava em seu ensaio Antiguas creencias o modernas supersticiones - la busqueda de la autenticidad, que não há seres humanos mais supersticiosos e crédulos que os modernos.

Perguntava ele, de maneira jocosa, como é possível para uma pessoa que é bombardeada, o tempo todo, de maneira direta e indireta, por informações que, em regra, não são devidamente meditadas e investigadas, poder chamar para si um título tão descabido como o de “pensador independente”? Como pode uma geração criada por uma máquina torpe como a televisão, gentilmente chamada de segundo pai, ser melhor do que as que nos antecederam? Segundo pai esse que nem os pais biológicos conhecem direito e declaram o tempo todo que desconfiam dele, porém, mesmo assim, lhes confiam a tutela praticamente integral de seus infantes. Ou vão me dizer que não é assim?

Mas isso não é a pior das superstições modernas não. Degradante mesmo é vermos uma sociedade que vira as costas para tudo aquilo que nos lembra a transcendência da alma humana. Transcender o mundo material é uma característica fundamental da vida humana que, em regra, é desdenhada pela sociedade atual que procura explicar tudo por um viés meramente materialista-hedonista. E depois, meus caros, ninguém entende porque o mundo está do jeito que está, não é mesmo?

De mais a mais, saber de onde viemos é o elemento primeiro que caracteriza a maturidade. Conhecer e meditar sobre sua herança imaterial (tradição) é o degrau maior para o crescimento de nosso ser. Nega-la é literalmente se entregar a gradativa infantilização, onde o indivíduo por desconhecer sua herança imaterial, não passa a descrer de tudo, mas sim, a acreditar em qualquer coisa que lhe pareça agradável ou simplesmente “legal”. Assim se compreende, tranqüilamente, porque um filme como Anjos e Demônios é capaz de fazer tanto sucesso. As pessoas não sabem ao certo se tudo aquilo é uma farsa de mau gosto ou não, isso pouco importa. O que interessa é saber se é ou não é “legal”.

Por isso, meus caros, que conforme o título de dessa missiva, devemos procurar realizar a verdade na caridade, no amor pelo que nos foi legado por aqueles que já partiram e com vistas a cultivar essa herança para que ela possa florescer e dar bons frutos na geração que virá. Negar isso tudo ao indivíduo é abandoná-lo em uma geada niilista sem agasalho para que ele, livremente, possa inventar uma nova veste para agasalhar e proteger sua alma.

E é só.

terça-feira, 9 de junho de 2009

MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS E O NOSSO FUTURO

MAIS DO QUE RECOMENDADO: Não deixem de ler o artigo MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS E O NOSSO FUTURO, da autoria do filósofo Olavo de Carvalho, publicado na revista Dicta & Contradicta de junho de 2009 e disponível em seu web site.

Exerto: Não tenho a menor dúvida de que, quando passar a atual fase de degradação intelectual e moral do país e for possível pensar numa reconstrução, essa obra, mais que qualquer outra, deve tornar-se o alicerce de uma nova cultura brasileira. A obra, em si, não precisa disso: ela sobreviverá muito bem quando a mera recordação da existência de algo chamado “Brasil” tiver desaparecido. O que está em jogo não é o futuro de Mário Ferreira dos Santos: é o futuro de um país que a ele não deu nada, nem mesmo um reconhecimento da boca para fora, mas ao qual ele pode dar uma nova vida no espírito.

20 ANOS SE PASSARAM

Em memória das vítimas do massacre na Praça da Paz Celestial - 4 de junho de 1989.

REFLEXÕES BLÓGICAS – XVIII


É incrível como a credulidade misturada com a idiotice rende frutos inimagináveis. Um bom exemplo disso são os efeitos colaterais do filme “Anjos e demônios” no público que deitou suas vistas nesta película bonitinha, mas totalmente ordinária. Mais do que depressa se levantaram as vozes dos palpiteiros discutindo (imaginem só, discutindo) os grandes segredos da Santa Madre Igreja e os seus mistérios insondáveis. Mas, eu pergunto a esses palpiteiros: de que mistérios vocês estão falando? Aliás, vocês, palpiteiros crédulos, que facilmente se permitem influenciar por um filme de meia pataca como esse, deram-se ao trabalho de, ao menos, conhecer a História (que é pública e discutida) da Igreja Católica Apostólica Romana? Deram-se ao trabalho de estudar os documentos do Vaticano e as Encíclicas Papais que, por sua deixa, também são públicos? Provavelmente não e por essa mesma razão esses indivíduos são incapazes de fechar a boca, parar de tagarelar e se dedicar, um pouco que seja, a algo que eles tem uma imensa aversão: estudar.

Dartagnan da Silva Zanela,
em 09 de junho de 2009.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

AMOR E EGOISMO - parte I

Comentário realizado por Dartagnan da Silva Zanela no dia 02 de junho de 2009

Irmão Sol, Irmã Lua

QUESTÃO CAPITAL CINICAMENTE DESDENHADA - em pdf

QUESTÃO CAPITAL CINICAMENTE DESDENHADA

QUESTÃO CAPITAL CINICAMENTE DESDENHADA

Redigido em 02 de junho de 2009, dia de São Marcelino e de São Pedro 9ª Semana do Tempo Comum.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"O orgulho não quer dever e o amor próprio não quer pagar".(François de La Rochefoucauld)
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Uma das expressões populares mais acertadas é a de “jogar conversa fiada”. Quando dialogamos com alguém esperemos que a conversar nos renda outras idéias e pareceres em troca dos nossos que foram ofertados, correto? Pois bem, oferecemos nossas idéias de maneira fiada a outrem e esse, muitas das vezes, porta-se como a um velhaco intelectual, não realizando o devido pagamento pelo que entregamos.

Em regra, a maioria absoluta de nossas conversas, inclusive as que são tidas como sérias, não passam de um reles “jogar conversa fiada”. E pior! Muitas das vezes nem as idéias nós ofertamos no meio do trololó, apenas repetimos algumas palavras-chave que estão a circular pelas vielas da sociedade para melhor agradar o cliente (nosso interlocutor, no caso) para mantermos uma boa aparência mesmo que ambos estejam enganando um ao outro. E o que é mais grave, enganando a si mesmos.

Ora, crescendo e vivendo em um meio como esse, como é possível falar com a merecida seriedade sobre qualquer assunto? Como é possível falar com a devida seriedade sobre temas capitais em uma ambiente onde tudo o que é digno de respeito é cinicamente desdenhado em nome da manutenção de uma dissimulação esquizofrênica. Como?

Não dá mesmo. Viver em um mundo de especialistas em que cada um sabe cada vez mais sobre cada vez menos e que, por essa razão estranha, acreditam estar autorizados a apresentar e implementar as (im)possíveis soluções para todos os problemas humanos já é um grande delírio societal. Agora, viver em uma sociedade repleta de palpiteiros que são especialistas em qualquer coisa, que sabem cada vez menos sobre coisa alguma e, por isso mesmo, crêem que estão habilitados a dizer como você deve viver e que palavras (politicamente-correto) você deve utilizar para verbalizar a realidade que está diante dos seus olhos é pra acabar.

Está parecendo estranho o que estou escrevendo? Então vamos fazer o seguinte: meditemos, solitariamente, sobre a nossa (de)formação educacional. Não vamos aqui rememorarmos os nossos queridos (ou não) professores, mas sim, quanto à postura com que nós encarávamos e encaramos a nossa formação enquanto pessoas. Sempre quando falamos em educação a primeira imagem que nos vem à mente não é a nossa, mas sim, a de terceiros que, supostamente, seriam os responsáveis pelo que deveríamos ter aprendido. Bem, aí começamos com o primeiro engano.

Engano porque a nossa educação não é responsabilidade de outrem, seja esse outrem uma pessoa, ou várias, ou uma Instituição. A responsabilidade pela nossa educação é de quem mais se interessa pelo seu bom andamento. Ou seja: “é nóis tio”.

Se estivermos nos sentindo mal atendidos no quesito educação, o primeiro problema está justamente aí, em nossa irresponsabilidade por nossa pessoa. É claro que a sociedade atual apregoa que essa não é uma responsabilidade sua, todavia, o que temos ganhado com isso? Com toda certeza não é a melhor educação do mundo, visto que, o Brasil sempre ocupa as últimas colocações nos testes sobre capacidade de leitura. Aliás, somos um povo que lê muito pouco e este pouco é feito de maneira pouco apurada e com muita má vontade. Não é à toa que sejamos tão dados a jogar conversa fiada.

O tom parece um tanto agressivo, então sejamos, neste ínterim, devidamente sinceros: quantas perguntas você formulou em sua vida? Quantas dessas perguntas você procurou investigar para obter uma resposta satisfatória? Muitas? Poucas? Ou apenas o número possível entre uma e outra conversa vazia jogada fora?

Doravante, se não somos capazes de ser sinceros conosco mesmo diante de perguntas tão simples, como podemos ser francos conosco mesmo diante de questões mais sérias que exigem de nós uma postura minimamente responsável. Ora, ser sincero consiste em aceitar nos enquadrar nos moldes das virtudes mesmo que as pessoas a nossa volta digam o contrário. Agir de modo sincero é agir com vistas a nos apresentarmos frente à verdade curvando nosso entendimento diante dela e permitindo que ela governe nossa razão.

Essa tensão interior nada mais é do que a resposta ao que queremos ser e somos, necessariamente, esse nosso querer. Esse querer pode ser um desejo sincero de crescer e de se realizar enquanto pessoa através da investigação das questões que nos permitimos levantar e responder, como também podemos ser uma parte soberba de uma massa presunçosa que repete tudo o que os outros dizem para poder fingir que sabe coisas que desconhece e desdenha por negligenciar o conhecer em seu delirante desconhecimento de si.

Por fim, tudo isso, meu caro, é uma questão de escolha. Do que você realmente quer, do que você realmente é.